A PEÇA DO MÊS
O tacho da marmelada
Nº de inventário: 8980
Diâmetro: 49,5 cm
Altura: 18,5 cm
No passado, a vida do
povo português era muito difícil. Mesmo os mais abastados tinham de fazer pela
vida, que as receitas provinham exclusivamente da lavoura e esta era parca na
criação de verbas com que se pudesse ir às compras.
Assim, tudo se procurava
fazer em casa, aproveitando quanto a terra, a capoeira e a pocilga podiam dar.
Os figos secavam-se ao
sol forte de agosto, assim como as peras e os pêssegos que bem apreciados
viriam a ser lá mais para o fim do ano. Os marmelos vindos de marmeleiros
plantados nas beiradas dos terrenos, preferentemente, junto a regato ou
regueira fartos de água, constituíam uma riqueza completamente aproveitada para
as senhoras fazerem a marmelada e a geleia com que haviam de “enfeitar” uma
bela fatia de broa ou um pãozinho da padaria local, para as merendas dos
senhores e dos meninos.
Nesses dias a azáfama na
cozinha era marcante: umas descascavam e tiravam o caroço, outras partiam-nos
aos pedaços, outras atiçavam o lume onde o tacho grande de cobre, depois de bem
areado, a reluzir como novo - que o verdete era veneno que ninguém queria ver –
de boca bem aberta, estava pronto para receber os pedaços de marmelo e o açúcar
que a senhora calculava nas proporções adequadas, para além dos segredos que a
haviam de tornar mais clarinha e mais macia. Na hora de provar, a colher de pau
passava de boca em boca, não fosse faltara doçura…
Com tanta fartura, enchiam-se
malgas, bacias e pratos ratinhos com que também se obsequiavam famílias amigas.
No fim, o rapar do grande
tacho ficava para a miudagem que, saltando em volta, e lambendo os dedos, o
deixava a brilhar como se nunca tivesse sido usado.
Associação de Passos de
Silgueiros * Rua Dr. José Assunção, 113, Passos de Silgueiros
Enviado por Jorge Lage

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