Em 2017 saiu esta notícia no Diário
de Notícias. Ainda era presidente do PSD, o Dr. Pedro Passos Coelho.
DN/Lusa
21 Novembro 2017 — 20:07
O presidente do PSD acusou esta terça-feira o Governo
de gerir com "demagogia e populismo" o descongelamento das carreiras,
salientando que foi uma decisão tomada por um Governo do PS e que nunca previu
a contagem do tempo no futuro.
"O Partido Socialista quis alimentar o equívoco
de como o tempo de congelamento das progressões seria contado para futuro,
apenas para não ter de clarificar que foi o próprio Governo socialista em 2010
que determinou no Orçamento do Estado que esse tempo não contaria para futuro,
quando as progressões fossem retomadas", acusou Passos Coelho, num artigo
de opinião publicado hoje na 'newsletter' do partido.
O presidente do PSD, que já anunciou que não se
recandidata ao cargo que ocupa desde 2010, defendeu ainda que, se o PS mudou de
posição e quer que "afinal esse tempo passe a contar", terá de o
fazer para toda a administração pública.
"E isso, independentemente da bondade da medida,
terá de ser sujeito a um juízo de comportabilidade orçamental. E eis que
parece, de repente, que o Governo e o PS parecem estar preocupados com
isso", disse.
No artigo, Passos Coelho defendeu que "esta não é
uma questão de estar a favor ou contra as pretensões dos professores, esta é
uma questão de toda a Administração Pública, incluindo todas as carreiras
especiais", questionando quanto custaria a medida alargada a toda a função
pública, "quer em termos de despesa permanente em salários quer
futuramente em pensões".
"O Governo está disponível para nos apresentar os
cálculos? E ainda para arbitrar a sua comportabilidade orçamental? Ou não
precisa de nos dar qualquer satisfação, por acreditar que lá acabará por
encontrar uma saída negociada para a situação junto dos parceiros que escolheu
para governar?", interrogou.
Para o líder do PSD, a forma como o Governo de António
Costa tem abordado o descongelamento das carreiras na administração pública
"é paradigmática das contradições e do cinismo político da maioria que
governa o país".
"A medida que determinou o congelamento das
carreiras foi tomada pelo Partido Socialista, no tempo do Governo chefiado por
José Sócrates", precisou Passos Coelho, salientando que o atual executivo
pretende "fazer crer aos cidadãos que nada teve que ver com a situação
criada, antes dando a entender que ela foi herdada do Governo que o
antecedeu".
Por outro lado, salienta o líder social-democrata,
"o Partido Socialista anunciou que o descongelamento ocorreria a partir de
2018, mas acrescentou que os efeitos completos, em termos de progressões
efetivas associadas, poderiam ter de produzir-se ao longo de mais de um
ano".
"Deste modo, deixou criar a dúvida na opinião
pública daquilo que o descongelamento poderia exatamente significar. (...) Se,
como menciona agora o primeiro-ministro, se tratava apenas de pôr 'o cronómetro
a contar', a medida entrava em vigor em 2018 e os seus efeitos seriam
imediatos", defendeu.
No artigo, Passos cita um artigo do Orçamento do
Estado de 2011 (nº 9 do artigo 24ª da Lei do Orçamento), que refere que "o
tempo de serviço prestado (...) não é contado para efeitos de promoção e
progressão, em todas as carreiras, cargos e, ou, categorias, incluindo as
integradas em corpos especiais, bem como para efeitos de mudanças de posição
remuneratória ou categoria nos casos em que estas dependam do decurso de
determinado período de prestação de serviço legalmente estabelecido para o
efeito".
"Esta norma orçamental está em vigor desde o
tempo do Governo socialista em 2011 e perdura até este ano, por transposição
assumida pelo atual Governo e com o apoio do BE, do PCP e do PEV. Ou seja, o PS
em 2010, quando propôs a norma orçamental ao parlamento, tal como em 2016 e
2017, não quis que esse tempo decorrido durante o congelamento contasse para
futuro, mas nunca o quis assumir com transparência apenas para que não se
percebesse que a norma era da sua própria autoria", criticou o líder do
PSD.


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