terça-feira, 10 de julho de 2018

O IV Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro decorreu com elevação

Em primeiro plano distinguem-se quatro presidentes de Câmara:  Mirandela, Miranda do Douro, Alfândega da Fé e Oeiras.

JORGE LAGE
O IV Congresso realizou-se nos dias 25, 26 e 27 de Maio, no nobilíssimo espaço do Pavilhão da Ciência e Conhecimento, teve dos melhores oradores entre os melhores. Foi, por agenda, pré-aberto, pelas 18H30 do dia 25, pela brigantina e Directora do Pavilhão do Conhecimento, Rosália Vargas, a que se seguiu um momento etnográfico e musical - música celta, caretos e chocalhos - que nos transportaram às nossas raízes. A seguir actuou a fadista do Romeu – Mirandela, Tereza Carvalho, que prendeu toda a assistência e terminou com «Vivó Romeu» e encerrou com o brigantino, Paulo Bragança. A abertura foi feita pelo Presidente da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro (CTMAD) de Lisboa, Hirondino Isaías, historiando os Congressos trasmontanos e alto-durienses, o porquê do Congresso em Lisboa, falou do futuro da região e da Grande Antologia de autores da nossa região, terminando com um «viva a Trás-os-Montes e Alto Douro» e «viva Portugal». Seguiu-se a homenagem ao Prof. Adriano Moreira com a projecção de um vídeo sobre a vida e obra da nossa maior personalidade viva. Adriano Moreira, a «estrela» do IV Congresso, falou das memórias de Grijó (como o forno comunitário da Rosa Moleira e a Capela do Divino Senhor dos Milagres), de algumas pessoas suas coevas e das suas memórias. Por ele fiquei a saber que esteve com Mário Soares no Aljube e ficaram amigos pela vida fora. Falou da «dramática Guerra Colonial» e que «estas guerras não se ganham, servem para ganhar tempo». Citou um general francês condecorado na humilhante guerra da Indochina e terá dito que «estava cansado de receber medalhas e pontapés no traseiro». Lembrou que de todos os impérios coloniais o nosso deixou a CPLP e gosta-se mais da nossa pátria como um contributo para o «Património Imaterial da Humanidade». Portugal a mais pequena nação europeia construiu um império. Referiu-se, ainda, a Assunção Anes Morais, pelo seu dinamismo em prol da academia de letras trasmontana. Seguiu-se a leitura da mensagem de saudação e apoio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (não se percebe bem porque não passou, pelo menos, pelo IV Congresso). A apresentação pública da «Antologia de Autores de Trás-os-Montes e Alto Douro e Beira Trasmontana», por Jorge Golias, foi um momento alto do Congresso, pela arrojada e grande obra, abrangência de Municípios e autores (uns 150) e pela forma teatral como foi apresentada (Jorge Golias implicou – Jorge dos Santos, Carlos Cordeiro, Elsa Bidarra, Elsa Moreira, João Rocha, Eduardo Botelho e



Os municípios assinalados a branco são os que até ao presente aceitaram o repto da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, adquirindo umas dezenas de exemplares da Antologia, promovendo a sua apresentação aos seus munícipes.
A eles se juntou nesta iniciativa o Museu do Douro, sito no PESO da RÉGUA.

O jantar convívio no Restaurante do Pavilhão do Conhecimento encerrou o dia com a noite alta. O dia 26, o mais substancial, foi iniciado com António Chaves e o tema «Património e Turismo», intervindo Tó Zé Vale, artesão de máscaras, com loja de venda dentro das muralhas do castelo de Bragança e do grupo de caretos de Vila Boa – Vinhais. Seguiu-se Armando Fernandes muito seguro sobre as imensas potencialidades turísticas da nossa região, dizendo que os responsáveis do Turismo Norte olham quase só para o litoral – Porto, apelidando-os de um «desastre». E para que não houvesse dúvidas lembrou as potencialidades: das árvores como a Castanheira de Lagarelhos – Vinhais (mal cuidada), das luras, dos topónimos e das fragas. É preciso a fidelização dos turistas. Falou das indústrias da cultura – ferro forjado, cemitérios, montes da forca, cabanas e sons dos animais e Natureza. A isto acrescento eu os «Caminhos de S. Tiago» e os «Caminhos de Fátima», envolvendo o povo local. Seguiu-se Júlio Meirinho apresentando uma visão holística do desenvolvimento. Continuou com o ensino superior, intervindo Jorge Valadares e Sobrinho Teixeira, tendo este referido que o distrito de Bragança tem a maior percentagem de alunos que vão para o ensino superior. Para resolver alguns problemas «a melhor estratégia é ir vendo como se vai fazendo» e corrigindo.

É preciso canalizar e adaptar os fundos comunitários à realidade do Interior. Fontaínhas Fernandes, muito seguro, foi dizendo ser preciso discriminar pela positiva a nossa região. Prosseguiu com João Vilela e Liliana Ribalonga, sobre «Políticas de Proximidade, Ambiente e Floresta». Hernâni Dias, Presidente de Bragança, recordou que «os municípios da região com 5% investem 45% do total do país». Que «as relações transfronteiriças são excelentes. Os valores ambientais da região são imensos». Que a pegada ecológica e a sustentabilidade do planeta têm em Bragança um bom aliado. Artur Nunes, Presidente de Miranda, subiu ao palco para apontar a falta de ligações: IC5 à Sanábria, IP2 à Aoutovia das Rias Baxas e A4 a Zamora. No tema «Agricultura, Despovoamento e Saúde», Jorge Golias introduziu os oradores com um curto e oportuno apontamento. O Presidente dos agricultores, Francisco Athaíde Pavão, depois de um diagnóstico ao sector, propôs o cultivo de produtos endógenos e a sua certificação com uma carta de qualidade para os excelentes produtos e a promoção de toda a região. Como curiosidade de uma esmerada educação no berço, nunca passou à frente da mesa do painel, mas por trás. Usou da palavra Carlos Vaz que terá sido o «coveiro» da maioria das valências dos hospitais de Mirandela e Chaves. Berta Nunes, apelidou os trasmontanos de racistas para com comunidades exteriores.
Defendeu o investimento e empregabilidade para combater o despovoamento. O governante Luís Vieira falou como se o fizesse para todo o país e já é longa a sua passagem pelo executivo e devia assumir algumas culpas que não fez. Devia ir à Ilha da Madeira e ver como o governo regional trata os produtores de banana, entre outros, antes de ser lançada no mercado. A criação do Estatuto de Agricultura Familiar por este governo pareceu-me um passo importante. Júlio Meirinhos sobre o painel «Regionalização e Poder Local» e seguiu-se Isaltino Morais como peixe na água, não fosse ele um autarca modelo no desenvolvimento de Oeiras, um concelho rural passando-o para a frente do desenvolvimento, com indústrias, serviços e tecnologias de ponta, onde se vive com qualidade de vida. Defendeu que os trasmontanos não são racistas, mas cautelosos e só depois de conhecerem bem quem chega é que se dão. Apontou o seu trabalho na inclusão de ciganos e africanos em Oeiras, dando-lhe as mesmas oportunidades que aos demais. Lamentou que os autarcas do interior tenham desistido de lutar pela regionalização e andem de chapéu na mão, em vez de em bloco discutirem o poder. Júlia Rodrigues foi uma das autarcas rosa que soube dizer presente. Disse que há mais trasmontanos (cerca de 350.000) na Grande Lisboa do que em Trás-os-Montes. Referiu o muito trabalho que tem em mãos e que o encara como o «desafio da sua vida». Apelou aos trasmontanos que vivem em Lisboa que apoiem Mirandela e a região. Sobre «Empreendedorismo, Startup’s e Novas Tecnologias» Cátia Barreira introduziu o diálogo com uma das estrelas maiores do Congresso, Leandro Pereira – Winning de Valpaços – defendeu que temos produtos únicos e que devem ser definidas estratégias em grupo dos agentes económicos, políticos e sociais e que do Congresso devia saier um plano de acção para o futuro. Disse, ainda, que o mal era não haver motivação suficiente para as empresas se fixarem na região. A meu ver cérebros como o Leandro Pereira e a Cristina Coelho deviam ser cativados para trabalharem com as associações dos municípios. Intervieram os Presidentes dos Municípios de Carrazeda, de Murça e em substituição de Miranda – Júlio Meirinhos, de Vimioso – Coronel Martins Lopes, de Chaves – Jorge Valadares, Sta Marta de Penaguião – Armando Palavras, de Valpaços – Abel Moutinho e de Montalegre – António Chaves. Eu intervim para a necessidade de criação de mais Parques Biológicos, de «Caminhos de S. Tiago» e «Caminhos de Fátima» como alavancas de desenvolvimento. No dia 27 apenas estiveram activas as tendas de produtos da região, vinho, azeite, enchidos, pão, folares e artesanato.



Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 10JUN2018

Provérbios ou ditos de Junho:

       No dia de São João já ficam as castanhas no castanheiro.
       Junho quente, Julho ardente.
       Pelo S. João, arranhadela de cão.

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