domingo, 9 de abril de 2017

Um espectáculo a não perder

Por: Costa Pereira  Portugal, minha terra

Não estava no programa, mas o convite e donde vinha jamais podia ser recusado, e foi o que aconteceu. Em dia de primavera, mas com temperatura de verão, lá vou eu até ao Politeama, assistir ao Musical-Amália que Filipe La Féria ali mantém em cena. Além dos bajouquenses Virgilio, Saozita, Ângela Daniela, e também dos Pousos veio a D. Lúcia assistir ao musical que no Politeama atrai multidões a recordar a nossa rainha do fado.
 Com um selecto elenco formado por mais de 50 cantores, actores, bailarinos e músicos, além de Amália, Frederico Valério, Alfredo Marceneiro e outros que a parca já ceifou, são ali bem interpretados por figuras como Alexandra, Anabela , Liana, Nuno Guerreiro e Francisco Sobral. De recordar que Anabela tinha 23 anos quando pela primeira vez interpretou o papel de Amália, agora com 40 anos, volta a fazê-lo de forma brilhante e diferenciada. 
A sua voz confunde-se com a da saudosa fadista que deu fama a Portugal, e conquistou plateias dentro e além fronteiras. Agora em nova versão este espectáculo que se estreou em 1999, e que esteve seis anos em cena, ultrapassando os 3,5 milhões de espectadores, regressou ao palco e continua a ser sucesso na bilheteira.
E para perceber o porquê, importa ler o que de Amália nos relata o conceituado empresário e encenador português Filipe La Féria quando diz: “já contei esta história em português, em francês e em inglês, mas conta-a outra vez porque é importante que se saiba que a ideia para este espectáculo partiu da própria Amália Rodrigues: "Eu tinha uma peça em cena que era Maria Callas - Masterclass. E a Amália, que gostava muito dos meus espectáculos e vinha vê-los umas seis ou sete vezes, veio ver a Callas e no fim disse-me: "Mas por que é que você não faz um espectáculo com a história da minha vida? Eu disse-lhe que não sabia muito sobre a vida dela e ela respondeu: "Então leia a biografia do Vítor Pavão dos Santos, como sou eu a falar você vai ficar a saber tudo." E foi isso que fiz. Por um mês ela não viu a estreia, no Funchal."Amália morreu em Outubro de 1999 e o espectáculo acabou por ser uma homenagem à fadista. "Não é uma biografia, é a minha maneira de ver a Amália, isto é um musical, é teatro", sublinha La Féria. "Era uma mulher com uma enorme tristeza dentro de si. Morreu extremamente amargurada e muito esquecida."
Para além dos grandes nomes do Fado e do Teatro Português, também a Madalena Gil e a Filipa Ferreira, ambas de 10 anos e que foram escolhidas através de um concurso da SIC são verdadeiras “Shirley Temple” no dizer de La Féria. O seu papel é o de interpretar a infância de Amália, e de que maneira o fazem! Um espectáculo a não perder.

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