![]() |
| BARROSO da FONTE |
A autarquia Vimaranense, mais a Direção Geral do
Tesouro e o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais, acabam
de ser condenadas a indemnizar Cristina Azevedo, no valor de 43.320, 39 mil
euros pelo despedimento que António Magalhães assumiu ao despedir do cargo de
Presidente da Fundação Cidade de Guimarães do cargo para que o próprio a tinha
convidado. O Presidente do Conselho Geral da Fundação, Jorge Sampaio,
solidarizou-se com o autarca Vimaranense
e anunciou que se iria pagar àquela economista a verba que resultasse da
diferença entre o que auferia antes e o que ganhasse no seu regresso à
Euronext. Só que o seu posto de trabalho na Euronext, foi extinto. Pela
extinção desse cargo foi indemnizada. E a verba foi descontada ao montante de
422 mil euros a que Cristina Azevedo tinha direito.
Só que o
despedimento feito por António Magalhães, arrastou mais uma técnica: Carla
Morais que fora contratada para Administradora financeira da Capital Europeia
da Cultura. A mesma Fundação foi condenada a pagar 206 mil euros, que ainda
estavam por liquidar. As três entidades, agora condenadas, terão que pagar
conjuntamente, às duas técnicas superiores o total de 249.320 euros
A Guimarães Digital confirma a notícia do JN do
dia 1 de Abril, informando que Cristina Azevedo reclamava uma indemnização de
422.544, 63 € e, adianta que a decisão
ainda é passível de recurso, no período de 30 dias, a iniciar-se em dia 3 de
Abril.
Recorde-se que
a Capital Europeia da Cultura decorreu em 2012 e, aquando do seu encerramento,
as três entidades, agora condenadas, assumiram, com a Câmara, essa
responsabilidade. Sabe-se, também pela imprensa que alguns dossieres ainda
estão pendentes da decisão que agora vem a lume.
Os 111 milhões
de euros deram para muita festa e muita farra. Mas ainda se ignora o desfecho
do «tal grande sucesso» que as televisões mostraram, na abertura e no
encerramento.
A abertura e
o encerramento foram os dois únicos dias do ano de 2012 que deram àqueles que,
apenas viram pelos diferentes canais televisivos, o primeiro e o último dias da
Capital Europeia da Cultura, em Guimarães.
Neste caso a
televisão serviu apenas para enganar
papalvos. A realidade foi o inverso: um fiasco.
Quem vive nesta
cidade e neste concelho e não estivesse fidelizado ao partido do poder local,
aceitava os incómodos, com o desarrumo caótico que se viveu nos anos de 2009
até 2012. Obras por todos os becos, gruas e máquinas da construção civil, numa
barulheira infernal e sistemática;
estacionamento inimaginável, Largo do Toural e centro histórico, numa
espécie de Vale dos Caídos, como no pós - restauro de um sismo de grau 7. Para
qualquer reclamação, logo vinha a eterna desculpa: aguenta que são obras para a
Capital da Cultura.
Até que o ano
chegou. Os residentes apenas tinham suportado e vivido quase três anos de
inferno. Num ou noutro restaurante, viam-se grupos engravatados, carregados de
sacos ao tiracolo, como se fossem escoteiros a preparar-se para acampamento.
Meia dúzia de
prédios em ruínas, fábricas abandonadas ou em vias disso, viam-se em obras
misteriosas,incluindo o antigo mercado municipal.
Ouvia-se
dizer, aqui e ali, que tudo estava em preparação, para uma espécie de comício
do partido do poder local, para mostrar as capacidades operativas dos 111
milhões de euros, vindos da Europa na sua maior parte e do governo central o
restante.
O cérebro
daquilo tudo era, por inerência, o presidente da Câmara que já se aguentava no
comando da cidade, há cinco mandatos consecutivos e que não havia oposição que
o destronasse, nem processo jurídico que
lhe metesse medo.
Os Vimaranense
andavam todos iludidos com o milagre dos 111 milhões de euros. Mas tantas
esperanças, tanto ilusionismo, tanta fanfarronice, cedo começou a dar sinais de
que a criança nasceria deformada. E resultou num monstro, esse parto mal
sucedido. A festança deu congestão.
Lemos na imprensa de época que o capataz da cidade, a
levar por diante, o auto-convencimento de que era o dono disto tudo, iria fazer
companhia, na cela 43 ou 45 da cadeia de Évora, onde se encontraria, tempos
depois, o seu camarada Sócrates. A CEC foi o maior branqueamento de dinheiros
comunitários e nacionais que se operou à vista de todos. A cidade ficou com onze
elefantes, com dentes arreganhados, à espera de presa para a sua fome. Desde a
Casa da Memória, à Plataforma das Artes, desde a residência da Rua da Rainha,
ao enjeitado Jordão, desde o arqueológico aquário de Couros, ao centro de
Experiências da Pisca, desde o centro da arquitetura da Caldeiroa, aos
solavancos aquáticos das Hortas, tudo cheira a corrupção, a incompetência, a
malfeitorias que a justiça não quis ou não tinha competência para reprimir. Nem
vislumbres à vista.
Esse capataz
que tentou ser «o dono disto tudo», que saneou técnicos da oposição, que
apadrinhou camaradas para todos cargos da festança, que comprou fábricas
falidas para perpetuar a memória da cidade, foi condecorado pelo Presidente da
República, na Cidade da Guarda. Mais uma «cavacada». O laureado passeia-se
hoje, por aí, como rafeiro que não tem coleira para seguir o caminho da
normalidade. Barriga farta, consciência impura.
Os 249.320 mil
euros que a Câmara de Guimarães terá de pagar a Cristina Azevedo e a Carla
Morais, deveriam ser pagos pelos seus responsáveis: da Câmara e do Presidente
do Conselho Geral da Fundação. Aquele por sanear e este por prometer o que não
podia cumprir.


Sem comentários:
Enviar um comentário