segunda-feira, 27 de março de 2017

A árvore mais antiga de Portugal?…


JORGE LAGE
A «Oliveira de Tavira» (foto da net, neste texto), do Aldeamento Turístico, «Pedras d’el Rei», freguesia da Luz, estava classificada como a mais antiga de Portugal, com cerca de 2.000 anos (agora já tem mais umas dezenas). E chegaram a esta datação científica pelo infalível método do C14 (Carbono catorze). Método que tem apenas uma margem máxima de erro de 100 anos. Nada havia a dizer se não curvarmo-nos perante tão venerável anciã. Há uns anos para cá notaram-se avanços e recuos nas descobertas fitológicas e tratamentos micológicos. Nos últimos anos tivemos o desenvolvimento de um novo método de classificação etária das árvores em Portugal. Contaram-me aspectos que me causaram muitas dúvidas. Quando vivemos algumas décadas e desde a meninice estamos atentos ao que nos rodeia no mundo rural. Nem tudo é visto da mesma forma como quem chega a um olival e tira as suas conclusões. Os meus porquês foram imensos e o meu sábio pai, já tinha bebido as respostas nos avós, nos pais e nos vizinhos anciãos. Muitas vezes a explicação era cimentada pela expressão: «- já contavam os antigos»… Eram inícios que não tinham princípio, mas eu via o fim ou o momento presente. Pois bem, a oliveira mais frondosa do meu pai era jovem e produtiva, comparada com outras de grande tronco. Outras antigas, em terra magríssima, o porte era menor do que outras com poucas décadas. Eu pensava que o C14 (e o método dos anéis) era o método científico considerado mais seguro pela comunidade científica internacional… Assim, surgirá a Oliveira das Mouriscas - Abrantes com 3350 anos, dizem do tempo de Ramsés II e de Moisés (1250 A.C.). Digo eu: - mais antiga que o bíblico Profeta Isaías? Curioso é que já tinha sido classificada por professores da UTAD, uma «Oliveira de Santa Iria da Azóia», com 2850 anos. O método do C14 não causará grande sofrimento às árvores, enquanto o método de contagem dos anéis é uma violência para a árvore. Outro aspecto que me deixa com alguma dose de cepticismo, sendo eu apenas um curioso e que sempre me julguei fraco a Matemática, é o novo método não se ficar pelos séculos e atesta a infabilidade até ao meio século (3350 anos). O método C14 ficar-se-ia, pelos séculos, 3300 anos, dado a margem de erro ser de 100 anos, prevista no Instituto Tecnológico Nuclear. Ao longo das últimas décadas, tenho assistido a alguma comunidade científica nacional ligada à flora, precipitar-se nesta ou naquela situação (já vi falar de nova descoberta, quando se conhecia há um século). Os nossos meios mediáticos (neste caso o Público de 25-02-2017) são muito atractivos para alguns, mais do que as revistas internacionais mais conceituadas. Neste caso, por este método inovador se conseguiria dizer qual é a árvore mais antiga da Terra? Tive conhecimento, não sabendo se o grupo é o mesmo ou outro mais empresarial, que terão andado em algumas partes do país a oferecer a classificação de oliveiras, através de fotografias, desde que a imagem fosse acompanhada de um cheque de 500 euros. A mim dava-me jeito a classificação de um sobreiro, que tenho na Orreta Longuinha (Chelas – Mirandela), dizem os corticeiros, que será dos mais imponentes de tronco da minha região. Podem ficar descansados que não vou mandar fotografia nem cheque. Deixo, amigo leitor, com uma quadra à Oliveira, recolhida em Vimioso, pela Prof.ª Celeste Pires, dos Vilares, da Torre:
Nós somos de Santulhão
Da terra dos olivais
Colhemos pouco azeite
Porque não nos deram mais

Provérbios ou ditos:
      É bonita mas foi lavada em água das castanhas.
      Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.
      O velho por não poder, e o novo por não saber, fica o trabalho por fazer.

Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 28FEV2017

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