sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Por Terras Canadianas (1) – O porquê destas férias?


JORGE LAGE
Não tem muito interesse para o amigo leitor eu falar de umas férias no Canadá, em período agreste, com temperaturas entre os zero graus e os 26 negativos. A maior parte do tempo é passado em casa, em centros comerciais e nas deslocações sempre de carro. As pessoas que se deslocavam a pé faziam-no com roupa, como se andassem vestidas por cá no Inverno, acrescentando, quase sempre um gorro e um cachecol. Estão habituadas (e o homem é um animal de hábitos) e consideram o tempo extremo daquelas paragens como normal. Depois, estas férias natalícias foram determinadas por o meu filho ter feito a opção de viver no Canadá e ter completado 40 anos. Um número bastante redondo para quem «ontem» era menino. Diz a sabedoria popular que enquanto andamos pelos «inta» bem vamos, mas quando entramos nos «enta» (rima com quarenta e com os restantes números redondos) a vida corre veloz e começamos a sentir que o tempo da nossa vida se nos escapa. Outro motivo foi rever a minha neta que completou 21 meses, cheios de energia e precocidade. Não tarda muito que passe a liderar algumas iniciativas do seu pequeno núcleo familiar, já que no infantário, apesar de ser das mais novas, assume-se como líder. Sobre os anos do meu filho, durante anos a fio, ao iniciar-se a segunda quinzena de Dezembro, eu recebia um telefonema nesse dia da Graziela Gomes (Vieira, do saudoso marido), dos Avidagos, a viver em Ourém, que também faz anos na mesma data. Esta voz amiga e por mim muito estimada, apenas já fala comigo no silêncio da saudade. Este último Dezembro rumei a Edmonton, capital da província de Alberta, cognominada («Wild Rose Country» ou «Rosa Selvagem do Campo»). Todas as Províncias do Canadá têm um nome ou expressão que reforçam a sua identidade, que aparece, por exemplo, nas matrículas das viaturas. Era, como se disséssemos «Mirandela, Terra da Alheira», ou «Mirandela, Poço do Azeite», ou «Mirandela, Terra Quente», ou ainda «Mirandela, Coração de Trás-os-Montes e Alto Douro», ou mesmo «Mirandela, Princesa do Tua» - este último, um dito muito redutor). Enfim, uma palavra que defina e enobreça determinada região, concelho ou localidade. Voltando à viagem ao Canadá, foram meses até o meu filho (Tiago Jorge) convencer a minha mulher. Dado o «sim», marcou-se a viagem. Foi-nos dizendo que lá, em Dezembro, o tempo não é muito áspero.
Escolheu a holandesa KLM (que absorveu a Air France) por ser a melhor companhia aérea para viajar. Já avisei o meu filho que não quero viajar noutra, em viagens de longo curso. Primeiro, por ter pilotos experientes e os interiores dos aviões muito limpos, em que se faz uma longa viagem sem o mínimo sobressalto. Depois, as viagens em termos de preços são convidativas. Ainda, porque se tiver de expor qualquer assunto, o pessoal de bordo é de uma educação extrema, mesmo o comandante se for preciso falar com algum passageiro, curva-se ou baixa-se para ficar ao seu nível. E ainda, porque comida e bebida de qualidade nunca faltam. Fazem tudo para satisfazer os passageiros, razão última da companhia. Depois das refeições principais (acompanhada de «cabernet sauvignon» tinto), pude aspirar o aroma de um óptimo whisky e de um cognac velho. Até as toalhitas para limparmos as mãos e a cara nos eram distribuídas. A coroa da KLM faz jus à Holanda e à popular família real.
Ao desembarcar em Edmonton, com 19 graus negativos, tinha o meu filho e a netinha à espera. Depois toda a agenda foi marcada pelo meu filho. As baixas temperaturas dos primeiros dias, a baterem os 26 graus negativos e uma gripe da minha mulher, aconselharam-nos a ficar por casa, já que o meu filho trabalhava.
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 12JAN2017
Provérbios ou ditos:

      Comeu muita castanha seca (Coentral Grande - Castanheira de Pêra).
      Se em Fevereiro está quente, na Páscoa bate o dente.
      Pêra com vinho faz do velho menino.

 – 12DEZ2016

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