quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Município Lisboeta ávido de multas de estacionamento


JORGE LAGE
Quem como eu se desloca, de quando em vez, a Lisboa dá com o «braço armado das multas de estacionamento do município de Lisboa», leia-se EMEL, a «fazer sangue». Eu, há anos, ao fim de tarde, quando me preparava para consoar, meti, no meu carro, um talão de pagamento de estacionamento junto ao Centro Comercial Vasco da Gama, pensando que o produto que ia comprar, era só pagar e andar. Demorei mais um pouco e já lá estava o bilhete da multa. Fiquei a pensar, que um município que faz isto, quase em cima da hora de um dia tão especial (véspera de consoada), gosta mais de multas nos estacionamentos pagos do que o diabo de almas. Hoje, terça-feira, dia 9 de Agosto, a minha filha telefona-me, a contar um episódio surreal. A minha filha mora na rua Nova dos Mercadores, no Parque das Nações e a residência é o seu local de trabalho. Se o Município facilitasse a vida aos munícipes, para arranjar a autorização de residência, devia bastar um atestado de residência da Junta de Freguesia e uma declaração da empresa para que trabalha, que o carro tal lhe está distribuído. A papelada é mais complexa. Por isso, como à minha filha lhe falta tempo e sobra trabalho, vai vivendo com os talões dos parcómetros do município lisboeta/EMEL. Até ontem que a decidiram «assaltar», tanto mais que o carro que lhe está distribuído pela empresa tem matrícula espanhola. Segundo me contou, meteu um talão no tablier do carro para cobrir o estacionamento de manhã. Pelas 14H00 meteu do outro lado do tablier outro talão, para cobrir o tempo até à hora que ia pegar no carro. Só que ao descer da habitação o carro estava bloqueado e com fitas em toda a volta a impedir o acesso ao monovolume pelo «braço armado do município lisboeta». Não queria acreditar! Um bilhete estacionado de um lado do «tabelier» fora de tempo e outro do lado oposto dentro da hora. Chama o «braço armado das multas de estacionamento do município lisboeta» e a autora da façanha tentou acusar a minha filha que meteu lá um talão depois. Mas como, se o acesso à viatura lhe era vedado e nem sequer conseguia abrir a porta? Apesar de o funcionário que acompanhava a «zelosa da EMEL» ter confirmado que a fita estava como ele a tinha colocado e não tinha sido violada. Depois, ainda insinua que o talão não era bem visível a uma certa distância, como se conseguisse ver a hora ao longe. Chama-se a polícia que nada deve ter feito além de constatar o insólito ou o «roubo do município». «Roubo» de dinheiro, de tempo, de trabalho e de sossego. No fim da demorada situação, apesar de a minha filha ter razão que o talão de pagamento atestava, para que lhe desbloqueassem o carro teve de pagar com se a infracção fosse dela e não da funcionária. A seguir terá de fazer uma reclamação para reaver o valor pecuniário do «roubo». O tempo mais que vai perder e o sossego por ser cumpridora ninguém lho restitui. O dinheiro pago por uma multa abusiva deve cair no saco do inferno do município e tarde ou nunca o terá de volta. Uma prepotência do município lisboeta que devia ser mais simplex. Assim, aos leitores sugiro-lhes muita prudência, se deslocarem a Lisboa em viatura ou se lá residirem. Não são só os carteiristas que nos assaltam, mesmo que tenham pago o parqueamento. Pode haver um/a funcionário/a disposto/a a fazer sangue a qualquer preço. É claro que a minha filha nem sonha que eu elaborei esta pequena nota de protesto. Como dizia a minha saudosa Mãe, quando alguém cobrava o que não devia: - roubar a uma estrada!

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