quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A corrupção tem a cor da política: sente-se mas não se vê

corrupção

BARROSO da FONTE
É o pior de todos os males contra a democracia. Em nome da sua combatividade, se propaga, se contagia e nos surpreende. A sua progressão é mais veloz do que a reprimenda. O que significa que quanto mais argumentos se invocam para a reversão, mais dilata as suas garras e mais alonga as suas excrescências.
  Não precisamos de mencionar exemplos além-fronteiras, nem citar o golpismo da Turquia, os arrependimentos da Inglaterra, os extremismos da Grécia ou as confusões da vizinha Espanha. A política não olha a meios. Todos esses meios são válidos para atingir os seus fins, porque é «sistematicamente confundida com as ações dos  políticos profissionais, em especial pelos maus políticos. A política é um mal necessário para a vida humana, quer do indivíduo quer da sociedade».
  É hoje um tema recorrente quer nas conversas de café, quer dos parlamentos, quer dos órgãos de informação. Os tribunais estão atulhados de processos da mais diversificada natureza, envolvendo cidadãos de todas as atividades sócio-profissionais. Reporto-me a um «caso» que remonta a 2008 e que, devendo estar concluído em fins de 2012, ainda está pendente e já cheira mal por todos os lados. O JN de 18 de julho, em curso, explica-o, na p. 27, pelo jornalista Delfim Machado:
   «Guimarães. Bens da Capital da Cultural estão inativos. Só o carro da presidência custou: 38 mil euros. Património de milhares a desvalorizar. O património da Fundação Cidade de Guimarães, entidade que organizou a Capital Europeia da Cultura, em 2012, está inativo desde que foi aprovada a liquidação. A Fundação aguarda o fim das decisões judiciais em curso». Lê-se que na lista desse património está um carro Volvo, modelo S40, comprado para a presidência. Custou 38 mil em 2008, ano em que começou a ser preparado o evento. O veiculo encontra-se estacionado no parque do Centro Cultural Vila Flor, sem seguro e sem inspeções, em dia, pois não é utilizado desde 2013.
Segundo o vereador da cultura, José Bastos, responsável do Centro Vila Flor e do Pelouro, «todo o leque de bens que compõe o património da Fundação Cidade de Guimarães que coordenou e geriu aquele programa inativo. Desde 2013 está tudo parado, aguardando-se apenas pelo desenrolar da justiça para se dar um fim a todos os bens»
  A mesma notícia do JN acrescenta que «está na mesma situação, uma ação judicial interposta pela primeira presidente daquela Fundação, nomeada pelo então Presidente da Câmara, António Magalhães. Cristina Azevedo foi, surpreendentemente, demitida pelo nomeador que, ao tempo, já não detinha, sozinho, tais competências. Esse ato de vingança isolado, fez com que uma segunda técnica nomeada, fosse demitida. Ambas recorreram para tribunal. Em conjunto reclamavam um milhão e duzentos mil euros. Jorge Sampaio liderava o Conselho Consultivo cobrando 800 euros por cada reunião que, a exemplo de outros conselheiros (: Freitas do Amaral, Adriano Moreira e Eduardo Lourenço), recebiam idêntica verba pela sua influência política, «absolveu» a responsabilidade do camarada António Magalhães. Certo é que em princípios de 2013 os «coveiros» da capital europeia da cultura», vieram à cidade Berço, celebrar, num jantar com cerca de 30 individualidades, o sucesso desse programa europeu.
  Cabe referir que esta «Capital Europeia da Cultura», veio para Guimarães, como contrapartida de concessões políticas centrais que foram  concedias a Braga. Para «calar» Guimarães, a ministra da cultura Isabel Pires de Lima anunciou essa «oferta a Guimarães». No jornal «Público» de 27 de Outubro de 2006, afirmou na A. da Republica: «experiência que ser fizera em Coimbra, em 2003 e se repetira, em Faro em 2005, não iria acontecer mais em Portugal». Com o título «O anúncio: capitais nacionais da Cultura», acabam. Essa decisão foi anunciada pela então ministra na véspera do «anúncio», no Parlamento, onde foi falar do orçamento do seu ministério para 2007. Aí disse:«as CNC funcionaram apenas como um programa de animação cultural, mas não influenciaram o consumo cultural em termos de formação e alargamento de públicos; e demonstraram que, com este modelo, as cidades não se renovam com a cultura. Por isso o Governo abandonará definitivamente este modelo de CNC. Há um distanciamento da população residente e do público em geral».
Esta «cambalhota política» constituiu uma das maiores trapalhadas nacionais com essa  «condenada iniciativa» da Isabel Pires de Lima. Volvidos oito anos, como bem refere a notícia do JN de 18 do corrente, esbanjaram-se 111 milhões de euros em megalomanias, dispersas pela cidade. Semearam-se elefantes brancos com compras de prédios que estavam condenados ao encerramento e, apenas para pagar favores. Exemplos: «a casa da memória», o edifício da Rua da Rainha, onde nasceu Alberto Sampaio; instalações do antigo Teatro Jordão; Edifício de Pimenta Machado, no Largo Toural... Tudo às moscas. Tudo a pedir rigorosa inspeção aos negócios, tudo para satisfazer clientelas e favores de natureza vária.
 Paradoxalmente o último Presidente da República, Cavaco Silva, condecorou em 10 de Junho de 2014, na Guarda, com o grau de Comendador de Mérito, o então Presidente da Câmara, António Magalhães, que foi, nessa qualidade, um dos maiores coniventes com a derrapagem desse vultuoso investimento comunitário. Alguns dos seus mais próximos colaboradores - diziam à boca cheia -  que ele era impune à justiça. Dentro e fora da imprensa, sempre me disponibilizei para dar o meu testemunho de cidadão Vimaranense na plenitude dos meus direitos e deveres. Não gostaria de morrer sem assistir ao julgamento, isento e livre,  de quantos se serviram -  mais do que serviram -  nesta complexa e polémica edição da Capital Europeia da Cultura que encerrou em fins de 2012, mas que ainda tem muitos e graves rabos de palha. Mesmo assim, o seu maior responsável, terminou o seu mandato municipal, por limite de mandatos; e foi eleito Presidente da Assembleia Municipal. Nova façanha, sempre impunemente: «ordenou a construção do mais sumptuoso Gabinete presidencial». Tinha servido para todos os seus antecessores. Mas não servia para ele.  Sabe-se que gastou nessa obra milhares de euros que  vieram, não se sabe de onde. Ele sabe que o Ministério Público e a Polícia Judiciária não têm mãos a medir por causada raia miúda. Sempre o mexilhão a servir de  pretexto à corrupção.    Barroso da Fonte

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