sábado, 4 de junho de 2016

Senhor Presidente, não faça isso!


BARROSO da FONTE
A imprensa do dia 21 de Maio, nomeadamente o JN, noticiou em caixa alta que o Presidente da República distinguirá apenas «feitos excecionais», dia 10 de Junho e que pretende «marcar a diferença», condecorando «apenas três civis e uma curta lista de militares». Acaba-se, assim, com a tradição de atribuir dezenas de condecorações a cada Dia de Portugal. Nessa mesma fonte lê-se que Mário Soares, em média, distribuiu 71 medalhas em cada 10 de Junho, Jorge Sampaio 53 e Cavaco 69. No total: Soares medalhou 714, Sampaio 530 e Cavaco 697. Convenhamos que foi  foguetório a mais, para mérito a menos. Nem no Estado Novo se esbanjava tanto, em ombros vazios de relevância pátria, ainda que em fatos polidos e gravatas de cambraia fina. O palco foi sempre escolhido em função da base de apoio partidário. Desta vez o «dia da Raça» será celebrado em Paris, para não deslocar a principal heroína, Margarida de Santos Sousa, de 57 anos, porteira de Paris, a 13 de novembro de 2015. A ela se ajuntarão em Paris mais três sortudos. Pela manhã serão robustecidos, em Lisboa, alguns peitos militares, não por feitos profissionais visto que já não há guerras a enfrentar, mas para abrilhantar os desfiles de alguns voluntários que não querem perder a tradição. Nada a comentar desta veleidade presidencial. É um direito que ele tem.
 Já o mesmo não pode dizer-se do precedente que o PR abriu, quando veio ao Porto, no programa relacionado com a sua posse. As cerimónias tiveram Lisboa por palco, o que se compreende, visto ser a capital do Reino. Mas, a haver um segundo ato, num palco alternativo que não Lisboa, só poderia ter sido em Guimarães, a primeira capital histórica. Marcelo Rebelo de Sousa não esteve bem, quando ignorou o simbolismo da Cidade Berço: «aqui nasceu Portugal». Por muito que goste do Porto, de Braga e de Celorico de Basto, «o Berço» tem um simbolismo que nenhum outro canto ou recanto de Portugal pode subtrair-lhe. O PR  - intelectualmente – não recebe lições de ninguém. Nem sou eu o cidadão mais idóneo para lhe dar qualquer conselho. Mas como jornalista, com uma tarimba de 63 anos consecutivos, tive oportunidade de assinar, nessa semana, nalguns semanários e blogues, uma crónica nada reverente, contra o PR em quem votei e votarei se daqui a cinco ainda eu for vivo. Mas com a mesma franqueza com que o fiz e o repito, o PR violou o respeito pela História de Portugal. No próximo dia 24 de Junho completa 888 anos (Batalha de S. Mamede) e teve três capitais: Entre 1096 e 1131 foi Guimarães, a segunda foi Coimbra e, finalmente, Lisboa.
«Branco é, galinha o põe». Pelas mesmas razões, nesta espécie de carta aberta, alerto o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa para que, mais uma vez, não viole o simbolismo do «Berço da Nacionalidade», aceitando o convite que Nuno Botelho, Presidente da Assembleia Geral da Associação Comercial do Porto, lhe formulou, para fazer do Palácio da Bolsa, a sua casa de trabalho no Norte. O JN que venho citando escreveu, a toda a largura da sua página 12, de 21 de Maio que «O Palácio da Bolsa quer ser a «casa» de Marcelo». Guarde o Porto esse nobre espaço.
Talvez o convite portuense sirva às mil maravilhas para os anseios da «Capital do Norte», competir com a capital do País. Eu nessa também alinho, porque tal como o Norte do país está saturado com «o posso, quero e mando» de Lisboa, também eu e as gentes de Entre o Douro e Minho, estamos.   Diremos que, de Lisboa para norte, nem bom vento nem bom casamento. Esta argumentação que o Porto alega contra Lisboa, também  os Transmontanos e Alto Durienses, dizem o mesmo, em relação ao Porto. Ainda se ouve o eco das palavras que o Presidente da Câmara do Porto, proferiu numa reunião de municipal, quando subestimou o Galo de Barcelos e o Fumeiro de Barroso. Mas essas são contas de outro rosário.
 Guarde o Porto o Palácio da Bolsa para cimeiras internacionais e para centro de congressos. Não exerçam os Portuenses a influência que têm para subestimar o Paço dos Duques de Bragança que foi declarada «residência oficial do Presidente da República» no norte do País. Esse palácio nacional, pelo facto de estar à sombra do Castelo da Fundação, primeira maravilha histórica de Portugal e da Capela de S. Miguel, onde foi batizado El-Rei D. Afonso Henriques que aqui nasceu,
tem muito peso e causa inveja a muitas e nobres cidades. Mas, por alguma razão, diz o povo que quem nasce em Guimarães é Português duas vezes.
  Deixem, o PR da República e as altas figuras vivas do Porto, que os Vimaranenses gozem o privilégio que Vímara Peres quis dar-lhes quando, por volta de 926,  transferiu a sede do Condado Portucalense do Portus (cale) para a Guimarães. Essa benesse consumou-a Mumadona Dias pelo casamento com o conde de Tui, Hermenegildo Gonçalves. As muralhas, o Castelo, a Colina Sagrada com a Igreja de Santa Margarida, mais a Real Colegiada da Senhora da Oliveira, confirmam essa transferência do litoral para o interior. Guimarães foi o palco da Batalha de S. Mamede, onde a emancipação ocorreu, naquela primeira Tarde Portuguesa. Não mudem os homens de hoje aquilo que os seus antepassados, de há 888, anos nos legaram. O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, na sua invejável omnisciência ainda não se apercebeu da importância que Salazar devolveu ao restaurado Palácio Nacional que foi sede da poderosa Casa de Bragança, a cujos órgãos sociais pertence(u).
Não faça essa desfeita aos Vimaranense e primitivos povos de «Entre Douro e Minho».
                                                                                               

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