sexta-feira, 10 de junho de 2016

José Cid chamou aos transmontanos aquilo que ele é



BARROSO da FONTE
É usual dizer, em tom jocoso, que os homens se querem feios e que elas (as mulheres) gostam mais dos carecas. Como anda tudo trocado, a opinião desse faroleiro que «guincha» mais do que canta, nem merecia que a imprensa lhe desse troco. Os guinchos desse batráquio ouviram-se em 2010. Mas só agora, pelo que leio, tiveram eco em Alfândega da Fé. E a simpática comprovinciana Berta Nunes, Presidente da Câmara local, fez aquilo que qualquer autarca transmontano, poderia ter feito: «rua com ele porque nós apenas gostamos de quem goste de nós. Dos mal agradecidos está o inferno cheio», dir-lhe-ía minha Mãe, se fosse viva! Grande receita para quem é médica e sabe aplicar o remédio na hora certa.
 As palavras que passaram na entrevista conduzida por Nuno Marki no Canal Q, com esse insensato foram as seguintes: «Essas pessoas do Portugal Profundo já deviam ter evoluído. Pessoas que nunca viram o mar vão para o Pavilhão Atlântico, pessoas medonhas, feias, desdentadas».
  Esse «olho de vidro e cara de mau», desajeitado e retorcido, como corno de carneiro, não tem moral para ofender um Povo hospitaleiro, franco e generoso. Ainda bem que essas atoardas vieram a público e tiveram eco em quase toda a imprensa, antes que os dois espetáculos previstos para Alfândega da Fé e Ribeira de Pena se tenham realizado. Se ele tiver vergonha na cara e nojo das parvoíces que disse, será melhor não aparecer por lá, hoje ou no futuro, mesmo que mude de cabeleira, de placa dentária e de óculos a cores. Só complexados como José Cid, a quem a natureza marcou de raiz, poderia manchar a ruralidade, a simplicidade e a grandeza social das Gentes Transmontanas.
  Leio na mesma fonte que a Câmara de Ribeira de Pena, também transmontana, aplicou a esse ingrato cantor, a receita, de Alfandega da Fé: «vá cantar a outra freguesia, seu palerma»!
Aqui há uns anos o diretor do Sol, teve um gesto semelhante ao apelidar de «parolos» três transmontanos que chegaram a Lisboa e meteram as mãos no saco da massa. Esse jornalista generalizou e partiu para uma ofensiva, completamente errónea, ao tratar por «parolos» todos os Transmontanos. Logo lhe volvi o troco e ele não replicou. Mesmo que pretendesse atingir alguns políticos da nossa praça que ainda estão a contas com a justiça, o editorialista (que por sinal, continuo a ler semanalmente), não deveria ter generalizado. Mas ao globalizar nesse adjetivo todos os «Transmontanos» foi de uma infelicidade atroz. Não me contive e respondi-lhe à letra, como agora faço ao José Cid. Este não é exemplo para ninguém,  porque – declaradamente - lho digo na cara: é tão feio como eu, torto com as silvas que dão amoras, vesgo quanto baste e desarranjado que irrita quem o vê aos ziguezagues. Não gostando de Tony Carreira e pensando que ele era Transmontano, Cid desencadeou uma chusma de raiva que veio parar ao reino maravilhoso que se chama Trás-os-Montes. Se pretendia ofender Tony Carreira enganou-se no número da porta.
  Não era minha intenção abordar este tema. Mas não ficaria bem comigo mesmo se deixasse passar este palerma sem um puxão de orelhas. É «sexta às 9» e habituei-me a  ver este programa da Sandra Felgueiras. Mais dois temas escaldantes: a desumanidade de alguns dirigentes que obrigaram uma funcionária pública, de 57 anos, a continuar ao serviço, quando qualquer cego bastaria ouvi-la para a dispensar desse barbaridade.
 Depois a saga incorrigível do governo de António Costa em sanear a torto e a direito, mesmo aqueles  titulares que haviam entrado através de concurso público, por um júri plural que leva meses e consome balúrdios de dinheiro para encontrar candidatos pelo critério do mérito. Esses candidatos selecionados pela CREZAP têm garantia legal para cumprirem determinado tempo. Qualquer «saneamento» político que ocorra durante esse tempo legal, o erário público, ipso facto,  tem de pagá-lo, custe o que custar, como se tivesse cumprido o seu mandato integral. Pelo que diz a imprensa os «saneados» estão a recorrer à sua substituição por socialistas que nunca trabalharam, não se sujeitaram a qualquer tipo de avaliação e entram com a fúria descabelada de endireitar o mundo que vão gerir sem qualquer experiência.
  Esta (in) governabilidade já se arrasta desde há cerca de 40 anos. E repete-se com todos os partidos que têm formado executivos ao centro, à esquerda e à direita. Com este tipo de «rendição da guarda», não há orçamentos que resistam a cada nova mudança.
 O que espanta e nos deixa apreensivos é que, até agora, a esquerda radical, barafustava por tudo e por nada. Irritavam-se no Parlamento e logo tinham as televisões, as rádios e os jornais, a jeito para acusarem o centro e a direita de todos os pecados e pecadilhos. Agora, apoiam-se no partido que os acolheu, lhes faz vénias e lhes vai aprovando algumas propostas, para que possam reanimar a esquerda e esfregar ao sol da sua irreverência congénita, o futuro da sua incomensurável ambição.
                                                  Barroso da Fonte

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