terça-feira, 7 de junho de 2016

Edição fac-similada do Cancioneiro Popular de Vila Real

JORGE LAGE
A.M.PIRES CABRAL
Por cortesia do muito ilustre escritor, A. M. Pires Cabral, recebi do Grémio Literário de Vila-Real, a edição fac-simile do Cancioneiro Popular de Vila Real. Este Cancioneiro Popular foi recolha de Augusto C. Pires de Lima, então vindo a público pela «Edição de Maranus», sediadas na rua Mártires da Liberdade, 178, «Pôrto – 1928» (rua que já então da Livraria Académica, hoje pertença do mirandelense Nuno Canavez) e neste ano da graça, sai a «3.ª edição, fac-simile da 1.ª Edição», em formato 12 X 8,5 cm. Edição do Grémio Literário Vila-Realense – Câmara Municipal de Vila Real, com uma tiragem de 300 exemplares. O Cancioneiro Popular, com 239 páginas e 1179 quadras populares, está ordenado por ordem alfabética, com vocabulário, etnografia e sentimentos muito ricos, emparelhado muitas delas com os mais sábios ditos ou provérbios. Porque interessa ao «Poço do Azeite», sinónimo de Terra Quente ou de Mirandela, reproduzimos algumas quadras oleicas ou olivícolas, que ainda não vimos, «ipsis verbis», estampadas em publicações do município mirandelense. Então chamemos-lhe:

QUADRAS POPULARES VILA-REALENSES Á OLIVEIRA

A azeitona caiu na água
Embarcou, foi p’ra o Brasil:
Quem por mim perdia o sono,
Agora pode dormir.

A azeitona querdovil
Quem a comer morrerá:
Quem fala do meu amor,
Pouca vergonha terá.

Debaixo da oliveira
É um regalo amar:
Tem a sombra miudinha,
Não entra lá o luar.

Não se me dá de quem fala,
Nem de quem me põe a fama;
Eu sou como a oliveira,
Que sempre conserva a rama.

Oliveira bate à porta,
Alecrim vem ver quem é:
São os olhos da Maria
Que vêm namorar José.

Oliveira tem pés de ouro,
Tuas fôlhas são de prata;
Tomar amores não custa,
Deixá-los é que mata.

Oliveira de pé de ouro,
Deita as raízes de prata;
Tomar amores não custa,
Deixá-los é que mata.

Oliveiras, oliveiras,
Quero dizer – olivais.
Tenho o coração mais negro
Do que o fruto que vós dais.

Quando eu era sacristão,
Fazia mil travessuras:
Molhava o pão no azeite,
Deixava o santo às escuras.





Jardim das Oliveiras, em Jerusalém, onde Cristo rezou.


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