domingo, 29 de maio de 2016

Segredos da Justiça - O Resgate da Caixa e Manuel Pinho

 
Eduardo Dâmaso – Revista Sábado

Maio 26, 2016

O tempo é de afectos e de optimismo político, mas o raio do passado não se pode descartar. Nesses mundos perfeitos que irradiam de Belém e São Bento não encaixam as arreliadoras inquietações sobre o futuro nascidas nos disparates e crimes do passado, mas seria criminoso esquecê-los. Veja-se o verdadeiro resgate da Caixa Geral de Depósitos que aí vem, embrulhado em 4 mil milhões salvíficos para o banco. O máximo que se tem ouvido a quem manda é que este buraco se deve a "erros do passado".
Erros ou crimes? A gestão assassina da CGD feita nos governos de Sócrates, que contaminou o BCP, é um dos maiores crimes cometidos em 40 anos de democracia contra o erário público e uma banca independente. Ninguém responderá por isso e, como se viu, foi quem chegou a seguir – a gestão de José de Matos – que levou com o ónus. No plano criminal ou cível aos verdadeiros responsáveis – Santos Ferreira e Armando Vara – nada acontecerá.
Outro exemplo eloquente desse passado enraizado no presente político é dado pelo ex-ministro Manuel Pinho. Quadro do BES, foi convidado para o governo de Sócrates e quis fazer a pantomina do independente. Desligou-se do grupo de Salgado mas só não contou a ninguém que assegurou, por via da simulação de um contrato, uma reforma milionária aos 55 anos. Correu-lhe mal porque o império Espírito Santo caiu e teve de ir para o tribunal reivindicar 7,8 milhões de euros. Quantos caricatos mas ricos Pinhos, afinal, não há espalhados pela elite que nos fez chegar a este estado de penúria? Depois não digam que isto não anda tudo ligado.

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