quinta-feira, 5 de maio de 2016

"o quotidiano a secar em verso"




Quem me conhece um pouco sabe das dificuldades que tenho com alguma poesia, alguns poetas, e a idolatria que ataca certas almas, levando-as a perder as estribeiras se, num acesso de franqueza, lhes confesso a pouca valia em que tenho o seu ídolo e a obra do dito. Cai o Carmo, cai a Trindade, por vezes finda assim o que parecia amizade.
Deve ter sido pelas razões acima que ontem, num jantar, embasbaquei os convivas ao dizer-lhes que, num livro que por acaso me viera às mãos, tinha lido com interesse e apreço a poesia de uma senhora de que nunca ouvira falar.
Perdi-me de amores pela obra? Converti-me à obrigação de, a partir de agora, todos os dias ler poesia? Longe disso. Mas foi grande e agradável surpresa a novidade do tom, directo, simples e forte, a franqueza sem rodriguinhos nem lamechices, a desenvoltura do vocabulário quase – desculpem lá – parecendo ser obra de homem.
Foi uma boa surpresa, e ao talento de Eugénia de Vasconcellos aqui deixo vénia.
 

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