segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Por terras de Pampilhosa da Serra


Jorge Lage
2- Por terras de Pampilhosa da Serra – Tinha estado em Pampilhosa da Serra há muito muito tempo, quando esta vila serrana era pouco mais que uma aldeia, com a pequena malha do casario apertado num curto espaço voltado a Norte. Como cheguei com a família já de noite, por uma estrada estreita de curvas e contracurvas e quando procuramos dormida só havia uma pensão antiga e fui recebido por uma idosa que nos indicou o quarto. Parti com a convicção que: - Pampilhosa da Serra nunca mais. Mas há o dito: «nunca digas nunca!». E tinha razão. Com o cabo dos trabalhos em que me meti, a recolher a memória da castanha pelo país, comecei através da dendronímia castanhícola a sentir alguma agitação interior. Já andava há anos para ir recolher informação a Pampilhosa da Serra. A insensibilidade de um ou outro presidente de junta foram o motivo retardadeiro de anos. Topónimos como Fojo, Machio e Fajão eram os alvos iniciais para incluir no livro «Memórias da Maria Castanha». A estratégia de recolha foi afinada no livro que tenho em mãos e acabo por bater a portas seguras (GTF - Gabinete Técnico Florestal, Acção Social e SCM - Santa Casa da Misericórdia) que me indicam: Fajão (antiga Seira), Castanheira da Serra e Malhadas do Rei. As indicações mais seguras dos locais a visitar foram-me dadas pelas técnicas, Anabela e Sandra do GTF. Aferidos os locais foi importante o apoio da SCM e das animadoras dos Lares, Vera (grande voluntariosa) e Soraia. Depois, implicamos os Projectos Ponto-Mais de Fajão (Ana Rita) e de Unhais-o-Velho (Sérgio). E em finais de Setembro estava pela manhã no Lar mais moderno da SCM, com uma assembleia de idosos a dialogar comigo e muito trabalho anterior das animadoras. Foram duas horas que voaram, onde só costumo demorar meia hora. Não faltou o privilégio do almoço com a Vera numa estrutura moderna e acolhedora. Ao princípio da tarde voei para Castanheira da Serra onde fui recebido por um pequeno grupo acolhedora, franco e generoso, liderado pela M.ª Julieta. Até fui surpreendido por um castanheiro classificado com cerca de 800 anos e um souto do mais velho que temos em Portugal. Aqui fui brindado pela Patrícia (francesa) com uma garrafa de licor e fiquei a saber que todos os visitantes são incorporados no magusto comunitário dos Santos. Também daqui me custou a partir e fi-lo com vontade de ali regressar um dia para rever a paisagem e a gente boa, da melhor que tenho visto. Com a expectativa gorada em Fajão rumei a Unhais-o-Velho e ao Ponto-Mais onde recebi mais algum material recolhido pelo Sérgio. O regresso, via Lousã, fez-se pela moderna «estrada das eólicas», pela cumeada da Serra do Açor e tendo muito perto o Piódão, Maurísia, Arganil, Coja e Góis, terras que já visitei e quero rever. Para uma visita ao concelho da Pampilhosa, amigo leitor, pode ser pela A13 e no Pedrógão Grande ir pelo IC 8 e, depois, EN 2. Material trouxe imenso que se foi estendendo soba forma de livro. Por exemplo, pelos Santos, nos magustos, a acompanhar as castanhas, dá-se consumo à «aguardente das comadres».

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