Saiu esta semana
um manifesto assinado por 115 donos de empresas familiares. O que dizem é
francamente assustador.
Como se isto fosse pouco, também saiu esta
semana um manifesto assinado por 115 donos de empresas familiares. Para a
imaginação popular uma empresa familiar é um café ou uma loja de sapatos. Estes
115 senhores não se ficaram por aí, como por exemplo, Peter Villax (da
farmacêutica Hovione), Vasco de Mello (do grupo José de Mello), Pedro Teixeira
Duarte (da construtora Teixeira Duarte), António Amorim (do grupo Amorim) ou João
Pereira Coutinho (da SGC). Este manifesto é tanto mais significativo quanto as
forças reais da economia não se foram esconder por uma vez nas saias do poder
como dantes se embrulhavam na milagrosa manta de Salazar. Parece que finalmente
chegaram à maturidade e são capazes de tratar de si. O que dizem é francamente
assustador.
Começam por explicar o que os preocupa. A
“esquerda” não percebe ou finge que não percebe, mas para os signatários do
manifesto basta “o facto de dois dos partidos que podem formar um novo governo
ou maioria parlamentar serem estatutariamente anti-inciativa privada”. Só por
si, previnem os 115, a presença do PC e do Bloco na mesa do Conselho de
Ministros ou perto dela levou ao “adiamento de projectos” e, portanto, de “novo
investimento”. E, para as pessoas com dificuldades cerebrais, o manifesto
acrescenta que a política do afamado dr. Costa produzirá “mais desemprego, mais
sofrimento e mais pobreza”. Os 115 são sérios. Infelizmente, não faltam por aí
trafulhas para ouvir o incitamento implícito no manifesto, ou seja, “ponham o
vosso dinheiro a salvo, enquanto é tempo”. A Holanda e o Luxemburgo agradecem.


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