quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Exposição - Retornar, ou seja, tornar vivas as memórias

               Exposição - Retornar, ou seja, tornar vivas as memórias que ... 


A exposição "Retornar - Traços da Memória" é inaugurada hoje em Lisboa.

"Não trouxemos nada, nada, nada. Não podíamos trazer nada." Há uma voz que repete a palavra nada como um lamento. E logo a seguir outra voz: "Os meus pais viveram toda a vida da terra, chegaram cá e não tinham terra. Ficaram perdidos." E depois outra voz: "Esta não era a minha terra, eu vim para cá mas não sou de cá." E depois outra voz. As vozes cruzam-se, intercalam-se, contradizem-se. As vozes pertencem aos doze rostos fotografados por Bruno Simões Castanheira e que estão ali à nossa volta. Não há nomes, não há referências, apenas os rostos e as vozes que contam as memórias de quem foi para a África e voltou. Ou de quem nasceu em África e depois veio para Portugal. Ou até de quem nasceu em Portugal com as memórias de África na pele. É destas pequenas histórias que se faz a história maior na exposição Retornar - Traços de Memória, que se inaugura hoje na Galeria Av. da Índia, em Lisboa.
Iniciativa da EGEAC,, a empresa municipal de cultura, o roteiro desta exposição começa no Padrão dos Descobrimentos onde o atelier Silva Designers criou uma instalação a partir de uma fotografia de Alfredo Cunha tirada há precisamente 40 anos naquele mesmo sítio, mostrando pilhas de contentores, vindos em navios, à espera de serem entregues aos seus donos. Viviam-se as independências de Angola e Moçambique, a guerra colonial terminava mas as guerras continuavam nos territórios. Durante todo o ano de 1975, foram muitos - centenas de milhares - os que deixaram as colónias (para Angola foi até organizada uma ponte aérea). Vinham de avião, com uma mala apenas, e enviavam os contentores com tudo o resto - tudo o que era possível trazer dentro de um contentor.

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