terça-feira, 10 de novembro de 2015

Em nome da ganância lixe-se a coerência - Barroso da Fonte

Centenas protestam frente à AR contra moção de rejeição

Barroso da Fonte
Quando esta crónica vier a público talvez Portugal já tenha sofrido um trambolhão que fará dos seus cidadãos, astronautas em viagem, tipo refugiados de Leste, para um planeta descoberto por António Costa e seus sequazes.
  Ao longo de 900 anos Portugal teve reis e presidentes da República. Travou batalhas em terra, mar e ar. Cada cidadão sempre agiu em consonância com os ditames cívicos. Algumas vezes houve prisões internas por desobediência ao poder supremo. Mas nunca houve inversões ideológicas tão abismais, tão intempestivas e tão contraditórias, como António Costa que transformou uma derrota rocambolesca em vitória satânica. Foi a maior cambalhota política de um homem só que reduziu a cinzas, os princípios dogmáticos de três partidos políticos que durante quase meio século, guerrilharam entre si, se insultaram, se combateram e que, num ápice, se fundiram numa lâmpada florescente para a iluminação do pagode carnavalesco da barbárie social.
   Este salve-se quem puder foi cozinhado em ambientes secretos, em moldes iníquos e com instintos impuros, gizados contra natura, violando normas e preceitos, nunca permitidos nem imaginados, o que constituem pecaminosa maldição contra quem exerceu o direito de votar e foi traído por ver falseados os direitos dos vencedores.
  O PS tem sido um partido sério, uma Força política adulta e responsável e um fator de equilíbrio e gerador de progresso social.
  Mas ao fim de 41 anos, um dos seus membros entrou numa luta desleal para com os seus próprios  responsáveis e – inacreditavelmente – tudo fez para apear o líder, legitimo e legitimado para os desafios que se seguiram. Foi pior do que aquele que destronou. A derrota foi humilhante. E, em vez de se demitir como é tradição, rendendo-se à sua incapacidade, incompetência e falta de carisma, aliou-se aos seus inimigos tradicionais, cumprindo aquela máxima que se usa nas grandes batalhas: se não podes vencer o inimigo, junta-te a ele.


  Aqueles que ao longo dos anos sempre divergiram, em matérias essenciais ao ideário que constitui a coluna vertebral de um qualquer partido político, igualmente incapacitados de terem votação  bastante para chegarem ao poder, ajoelharam perante o insaciável golpista, cuja ambição dividiu a sociedade, dividiu o partido e embaraçou a vida empresarial, política e cívica do país que andou quatro anos a subtrair a economia nacional, entupiu postos de trabalho, obrigou os inocentes a uma crise das piores de sempre.
  Os incapazes, os medíocres, os insaciáveis, perante o desespero prestam-se aos papéis mais exóticos e ridículos, ainda que se auto proclamem de iluminados e sabichões. Mercê deste imbróglio que a paciência lusitana tem vindo a suportar, o país irá viver a pior semana política desde o Verão Quente de 1975.
Escrevo esta crónica na noite do dia 5 de Novembro, depois de ver e ouvir Francisco Assis, representante dos socialistas descontentes com o «cozido rançoso» do PS- BE- CDU. Este estranho guisado daria em congestão fatal se o meu conterrâneo Bento Gonçalves e Álvaro Cunhal fossem vivos. A memória deles permite adivinhar que se estivessem cá, esses dois primeiros secretários gerais do PCP, não trocariam a sua coerência, a sua visão e a sua tenacidade, por um prato de lentilhas que poderá traduzir-se nalguns vislumbres de poder na governação.
  O Bloco de Esquerda que é uma força política mesclada de descontentes de várias procedências, ainda não tem história, mas o mediatismo e a palavra fácil da teatrista Catarina Martins, fez o resto. Somou os indecisos e os descontentes desde o CDS ao PCP e gere hoje esse mediatismo que esbarra com amadorismo saloio, já que a realidade, muitas vezes, não rima com o ilusionismo.
   A salada russa que se prevê com  a queda do governo legítimo, a partir de um assalto ao poder totalitário e desregrado, vai tranquilizar aqueles que se acostumaram a dividir para reinar.

hierónimus bosh - 

O Jardim das Delicias ( O Paraíso)

 Os profissionais das greves terão que escolher outra ocupação. Os sindicalistas, com bigode ou sem bigode; deixarão de ter tempo de antena por cada mais um distúrbio de rua; na assembleia de República, já não haverá debates acalorados entre os três partidos desse cozinhado de mau gosto. Teremos quatro anos mornos, com a atual «Coligação» a poupar para a esquerda consumir. As leis vão sair em catadupa, para revogar aquelas que a «Coligação» produziu. Os assessores do governo legítimo, mas chumbado pela incoerência unida, vão triplicar, porque todas as forças do conluio vão exigir colaboradores da sua confiança. Não mais haverá fome, salários desiguais, desemprego, roubos, zaragatas, pedofilia, rendas altas, hospitais com camas nos corredores, falta de vacinas para quem precisa e não tem dinheiro, bichas  nas repartições públicas, enfermeiros a emigrar.  As privatizações reassumirão os métodos do Prec. Muitas decisões vão ser revogadas, tudo o que está mal, vai ser trocado pelo que eles querem que esteja bem: Ricardo Salgado, Oliveira Costa, Duarte Lima, Vara, Sócrates e seus comparsas serão inocentados. Tudo em nome do povo que cada vez mais é o pião das nicas.
Tudo o que de mal advier para a sociedade portuguesa terá um destinatário: o golpista António Costa.  

Barroso da Fonte

Sem comentários:

Enviar um comentário

Os notáveis da vergonha...

Uma vergonha! Estes notáveis não vão acrescentar um voto (além do seu) a AJS. É que esta repentina peregrinação aos lugares sagrados dos xux...

Os mais lidos