Há cerca de um quarteirão de
dias, antes mesmo de o Presidente da República ter dado posse ao governo que
caiu há dois dias, recebeu em audiências os vários partidos com assento
parlamentar.
O Presidente, na sua comunicação
ao país (que tanta gente enfureceu, sendo mesmo insultado pelas esquerdas e por certos "profetas" com interesses de umbigo)
informou os portugueses do seguinte: a alternativa das esquerdas era
“claramente inconsistente” (sic). Acrescentando que “essas forças políticas”
(sic) não haviam apresentado “uma solução alternativa estável, duradoura e
credível” (sic).
O que se ouviu da boca de Costa
depois deste encontro com o Presidente a 12 de Outubro? O seguinte: “ Tive
ocasião de informar o Presidente da República sobre a criação de condições para
podermos ter em Portugal um Governo que seja estável, credível e consistente
para os próximos quatro anos” (sic).
Exactamente o contrário do que
havia dito o Presidente. Repare-se nos adjectivos utilizados por ambos para se
verificar a contradição.
Quem tinha razão ao tempo? O Presidente,
claro. Porque a papelada assinada pelas esquerdas só viria a nascer no dia da
queda do Governo de Passos Coelho. Ou seja, um quarteirão de dias depois.
De mentira em mentira, a golpada
e a farsa das esquerdas vai-se desmontando. Pelo que já se conhece não existe
um acordo. Existe um conjunto de papelada assinada a quatro. De acordo, passou
a “posição conjunta”. A linguagem usada, ressalvando as distâncias, atiram-nos
para trás 40 anos, ou para o primeiro quartel do século XX, quando os reformadores
se afastaram dos revolucionários, partindo o SPD alemão a meio, ficando de um lado os seguidores de Bernstein e do outro os de Lenine.
Mais, é sabido, porque está
documentado, que os salários e as pensões foram congeladas (os) pelo governo
socialista que levou o país à bancarrota
(estivemos a um mês da mesma!).
A dona Catarina, Jerónimo de
Sousa, a dona Apolónia e Costa não deixam de falar na necessidade de aumentar os
mesmos (esquecendo-se de quem os congelou!). Acontece, porém, que com o tempo
se vai avaliando a trapaça das esquerdas (que deu em fraude eleitoral). A Coligação PSD/CDS tinha no seu
programa um aumento de cerca de 1%. No programa do PS, pelos vistos, vão
aumentar 0,3%! E a acentuar a ironia do destino, as pensões mais pequenas são
as que têm um aumento menor, cerca de 76 cêntimos! O que diriam (e fariam as
esquerdas) se esta proposta fosse apresentada pela Coligação de “direita”!
Tinha caído o Carmo e a Trindade, e afundado o Terreiro do Paço!
Posto isto, estar a governar o
país, esta geringonça (como diz Vasco Pulido Valente), sustentada num conjunto
de papéis que nada dizem a pessoas de senso, ou um governo de gestão,
provavelmente a segunda hipótese é mais razoável e menos penosa. Mais, um
governo de gestão provocará forçosamente eleições antecipadas (necessárias para
clarificar esta situação) até Junho próximo. É preferível penar seis ou sete
meses e clarificar a situação, dando a verdadeira estabilidade ao país, do que
“gramar” esta golpada e esta farsa que trará custos incomensuráveis aos
cidadãos e às instituições.
Não nos admiraria que o
Presidente da Republica, pesando bem as consequências de uma ou de outra
solução, tendo estudado o caso, os programas e a papelada das esquerdas,
optasse pela segunda – Governo de gestão. Mas só a ele cabe decidir porque pensa pela sua cabeça e toma decisões legais. Neste caso concreto faria bem lembrar Sófocles, mas já o fizemos noutros escritos recentes. Na impossibilidade da ética se sobrepor à golpada, o Presidente deve exigir-lhes um acordo sério e decente e eles que façam o que quiserem com a papelada.
Uma coisa é certa, seja qual for a solução, tem de haver eleições antecipadas e, com maior urgência, uma revisão constitucional [com consulta popular em determinados pontos].
Uma coisa é certa, seja qual for a solução, tem de haver eleições antecipadas e, com maior urgência, uma revisão constitucional [com consulta popular em determinados pontos].
Armando Palavras
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