sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Votar em consciência!

O Eng. Artur Ferreira, da boa cepa mirandelense, neste texto que segue, dá conta ("com desencanto e revolta") da sua visão sobre as eleições e políticos. Ilustrou-o com uma caricatura por si elaborada.

Dia 4 de outubro de 2015, perante tanta inutilidade submetida a sufrágio, o melhor seguimento a dar ao voto útil é o ilustrado!... Inutilidade pelo desgaste de imagem, pelas práticas políticas na elaboração das listas e pela incapacidade em concretizar promessas e colocar o país no trilho certo.
Meses de propaganda enganosa, promessas simpáticas, cartas abertas aos eleitores, sorrisos rasgados, proximidade, abraços e beijos à mistura, caracterizam o período eleitoral. É o período do “toma lá”, pouco sério e inconsequente. A mendicância e a verborreia são comuns a todos os partidos. Após as eleições tudo se desvanece! Os interesses pessoais, as clientelas, os negócios clandestinos, as ilegalidades e a corrupção tornam-se recorrentes entre os eleitos. Esta gente nunca nos representará. Ficam surdos, mudos e distantes das reclamações do povo que os elegeu. Um indivíduo que não sabe não pode ser livre! A ignorância e o medo reforçam a votação!
Votar em branco, anular o voto ou abster-se de votar não é escolha fácil. É preciso conhecer o estado da Nação, a dívida colossal, o despesismo monstruoso com mordomias, parcerias e privatizações desastrosas. Há predadores na política!
  Os partidos financiados por fundos públicos, detentores e monopolistas da representação política, subordinam o interesse nacional aos interesses partidários. Alimentar partidos é dividir sentimentos, opiniões, a coesão nacional e enfraquecer as potencialidades do país. A politização de cargos de administração pública e o carreirismo de políticos medíocres são um “cancro” da democracia. Há, entre militantes, um conflito de interesses permanente!
Abster-se é contribuir para a regeneração da democracia e acabar com a “ditadura dos medíocres”, desprovidos de convicções políticas genuínas. Não votar em partidos políticos é expurgar tudo que enfraquece o regime democrático.
 A regeneração da democracia nunca acontecerá de dentro para fora dos partidos. Só uma abstenção elevada coagirá a uma nova lei eleitoral e à moralização dos partidos políticos onde impera o egoísmo, o servilismo e a corrupção.
 O “Licor de Merda” é contemporâneo da Revolução de Abril! Surgiu no mercado em 1974 para “homenagear” algumas autoridades que então governavam o país! Quando o provei, recordo-me de ter lido no rótulo da garrafa: “Licor feito de merdas selecionadas”… Prática recorrente dos partidos políticos na confecção das listas de candidatos...
 O autor do Licor de Merda, Luís Nuno Sérgio, natural de Cantanhede, aproveitou-o para, no rótulo das garrafas, fazer uma sátira política contra alguns governantes da época.
«A sátira é a arma mais eficaz contra o poder. O poder não suporta o humor, nem sequer os governantes que se intitulam democráticos, porque o riso liberta o homem dos seus medos» disse o escritor e actor italiano Dario Fo, Prémio Nobel da Literatura em 1997.
Concordo com Dario Fo, gosto de rir, soltar uma gargalhada e libertar-me da presunção dos políticos inúteis…
                                                            Artur Ferreira

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