Dia 4 de outubro de 2015, perante
tanta inutilidade submetida a sufrágio, o melhor seguimento a dar ao voto útil
é o ilustrado!... Inutilidade pelo desgaste de imagem, pelas práticas políticas
na elaboração das listas e pela incapacidade em concretizar promessas e colocar
o país no trilho certo.
Meses de propaganda enganosa,
promessas simpáticas, cartas abertas aos eleitores, sorrisos rasgados,
proximidade, abraços e beijos à mistura, caracterizam o período eleitoral. É o
período do “toma lá”, pouco sério e inconsequente. A mendicância e a verborreia
são comuns a todos os partidos. Após as eleições tudo se desvanece! Os
interesses pessoais, as clientelas, os negócios clandestinos, as ilegalidades e
a corrupção tornam-se recorrentes entre os eleitos. Esta gente nunca nos
representará. Ficam surdos, mudos e distantes das reclamações do povo que os
elegeu. Um indivíduo que não sabe não pode ser livre! A ignorância e o medo
reforçam a votação!
Votar em branco, anular o voto ou
abster-se de votar não é escolha fácil. É preciso conhecer o estado da Nação, a
dívida colossal, o despesismo monstruoso com mordomias, parcerias e
privatizações desastrosas. Há predadores na política!
Os partidos financiados por fundos públicos, detentores e monopolistas
da representação política, subordinam o interesse nacional aos interesses
partidários. Alimentar partidos é dividir sentimentos, opiniões, a coesão
nacional e enfraquecer as potencialidades do país. A politização de cargos de
administração pública e o carreirismo de políticos medíocres são um “cancro” da
democracia. Há, entre militantes, um conflito de interesses permanente!
Abster-se é contribuir para a
regeneração da democracia e acabar com a “ditadura dos medíocres”, desprovidos
de convicções políticas genuínas. Não votar em partidos políticos é expurgar
tudo que enfraquece o regime democrático.
A regeneração da democracia nunca acontecerá
de dentro para fora dos partidos. Só uma abstenção elevada coagirá a uma nova
lei eleitoral e à moralização dos partidos políticos onde impera o egoísmo, o
servilismo e a corrupção.
O “Licor de Merda” é contemporâneo da
Revolução de Abril! Surgiu no mercado em 1974 para “homenagear” algumas
autoridades que então governavam o país! Quando o provei, recordo-me de ter
lido no rótulo da garrafa: “Licor feito de merdas selecionadas”… Prática
recorrente dos partidos políticos na confecção das listas de candidatos...
O autor do Licor de Merda, Luís Nuno Sérgio,
natural de Cantanhede, aproveitou-o para, no rótulo das garrafas, fazer uma sátira
política contra alguns governantes da época.
«A sátira é a arma mais eficaz
contra o poder. O poder não suporta o humor, nem sequer os governantes que se
intitulam democráticos, porque o riso liberta o homem dos seus medos» disse o
escritor e actor italiano Dario Fo, Prémio Nobel da Literatura em 1997.
Concordo com Dario Fo, gosto de
rir, soltar uma gargalhada e libertar-me da presunção dos políticos inúteis…
Artur Ferreira
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