António Passos Coelho, médico de
profissão (jubilado), além de indelével representante da prosa transmontana, é
também poeta consistente. Em 2016 irá publicar um conjunto de poesias em
memória de outro poeta transmontano, há muito junto do Eterno. E para comemorar os seus 90 anos de idade. Desse conjunto
retirámos a presente poesia:
POR MUITO QUE ME DOA
Tenho uma parte má
anti-social
que nunca tomou chá
nem leu moral.
Parte pequena
em relação à boa
mas que me condena
como pessoa.
Pessoa de bem
que maldade não tem.
É uma parte odienta
raivosa
quisilenta
invejosa.
Mas posso assegurar
que a sua vitória não terá lugar.
O meu ódio
nunca subirá ao pódio.
Nem a minha inveja
causará dano a quem quer que seja.
A parte boa
ou menos má,
sempre ditará
as acções da minha pessoa.
Por muito que me doa.

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