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| Vasco Pulido Valente, in: Público |
A esplanada, com o rio e o centro da cidade à
frente, estava vazia. Os restaurantes tinham muito pouca gente. Os bares
também. E tudo aquilo parecia abandonado. Pouco a pouco, percebi qual era o
problema: não havia, ou quase não havia empregados. Ou se ia buscar um ou se
esperava que o próprio patrão aparecesse, com um ar apressado do fundo da casa.
Num restaurante, de resto óptimo, um único rapaz (provavelmente filho do dono)
corria de mesa em mesa com pilhas de pratos e prodígios de equilíbrio. Mas,
mesmo quando tudo chegava a tempo ou com uma demora razoável, o espectáculo
acabava por ser vazio e deprimente, com um vago ar de clandestino. Claro que no
norte existem milhares de portugueses que não se importariam de trabalhar nos
meses de Verão. Só que ninguém os contrata.
As consequências não custam a imaginar. Hotéis,
restaurantes, bares e outas invenções continuam a abrir por Portugal inteiro,
com grande publicidade nos jornais e, de quando em quando, na televisão, para
fechar uns meses depois por falta de freguesia; e a freguesia não se apresenta
porque não está para jantar com o dono e a sua família. O governo anuncia que o
turismo, interno e externo, não pára de aumentar. Acredito que sim.
Infelizmente, o pessoal especializado também não pára de diminuir. Em parte
alguma um bom trabalhador se faz sem anos de experiência numa boa empresa.
Agora, com a “confiança” em Costa, que não decidiu ainda se é candidato a
primeiro-ministro ou agitador de uma “Jota” qualquer, os caminhos “precários”
são estreitos e não se consegue adivinhar o que os vai substituir.


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