Por Barroso da Fonte
De 4 a 6 do corrente, decorreu em Vilar de
Perdizes, do concelho de Montalegre, mais um Congresso de Medicina Popular.
Deolinda Silva, presidente da Associação de Defesa do Património, faz um
«balanço positivo». Ciente de que a «perfeição não existe», acredita que «é com
os erros que se aprende e que, «para o ano, este evento vai ser ainda melhor».
Ao longo de três dias, foram muitos os motivos para visitar um evento que
caminha para três décadas de intensos debates em volta do misticismo e que
continua a girar em torno da figura do padre Fontes. Na nota que a Câmara local
distribuiu à imprensa, afirma que este XXIX congresso «teve contornos
diferentes e coisas muito melhores, como foi o caso da caminhada noturna e da
exposição de plantas». Consciente de que «a perfeição não existe», afirmou que
«houve coisas que poderiam ter sido evitadas» e que «os erros cometidos este
ano não se vão repetir no próximo». Por sua vez, padre Fontes, mentor do
Congresso de Medicina Popular, mostrou-se «satisfeito» e referiu que «os
oradores foram de muita qualidade. Houve muita participação e animação
variada». Significa que o resumo do que fica dito é o parecer oficioso da
autarquia Barrosã que tardiamente aceitou como bom, este evento cultural,
dando-lhe cobertura e fazendo dele o epicentro da cultura municipal. Para tanto
teve a visão salvífica de municipalizar, à mesa do orçamento, durante vários
anos, o pai desse Congresso, na condição de secretario-geral da cultura. Boa
aposta porque, nunca ele aceitou entregar ao município a organização do evento
que revolucionou a região. O signatário deste aditamento esteve presente,como
moderador numa sessão de altíssimo interesse para o numeroso auditório. Posso
reafirmar que em matéria de organização foi, de facto, das melhores nos 29
eventos que ali decorreram, entre 1983 e 2015. E em que melhorou o congresso?
Na selecão dos temas, na escolha dos palestrantes, na ausência de figuras menos
credíveis, na separação dos produtos naturais, com as tendas bizarras que
sempre deixavam desconfiados os observadores e até na moderação dos painéis
que, algumas vezes, permitiam escaramuças verbais, mal se sabendo onde começa a
verdade e onde acaba a charlatanice.
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| Padre Fontes |
Na Igreja Paroquial de Vilar de
Perdizes, integrada no programa popular e celebrada em memória do paroquiano
João Sanches e outros congressistas falecidos decorreu uma Missa dominical.
Lourenço Fontes, concelebrante com o atual pároco, declarou que a partir da 30ª
edição será o Padre António Joaquim Dias, mais conhecido por Tóquim, a liderar
a Organização, juntamente com a A Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes. Aguardava-se, com ansiedade,
esta predisposição do mediático Padre
Fontes, porque não basta ter nobres ideias e realizações modelares. É também
muito importante, ler na cartilha dos cartomantes, exorcistas e curandeiros, o
ciclo das estações e das mudanças de calendário. O seringador foi muito útil
aos lavradores da região e, ainda hoje, tem vantagens sobre o Boletim
meteorológico. 

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