Por Barroso da Fonte
É sábado e acabo de ler as
revistas da semana: Visão e Nova Gente. Ambas falam do super-juiz Carlos Alexandre que há 20 anos foi colega de
curso de António Costa, na Universidade Nova de Lisboa. Ambos tiveram por camarada Eduardo Cabrita, atual Secretário de Estado
Adjunto e da Administração Local. Nova Gente escreve na p. 86 que «tal como
mostram os documentos oficiais da Câmara
de Mação, em 1982 fez parte da lista do PS para as eleições da Assembleia
municipal da vila onde nasceu há 53 anos». Essa vila do distrito de
Santarém tem cerca de 800 habitantes e,
ainda no penúltimo Domingo lá foi, integrando-se discretamente numa procissão
que a «Visão» edita na página 4. Nesta publicação se pronunciam velhos amigos e
companheiros de Escola dizendo que Carlos Alexandre era muito estudioso, muito
humilde, reservado, corajoso e capaz de dar o corpo às balas». Jaime Conde,
técnico de farmácia, seu colega de escola, brincou com ele ao pião e ao
berlinde e afirma que «nem pensem sequer corrompe-lo: ele espuma. Será um
castigo para quem tentar». Eugénia Agudo, sua colega da Telescola afirma que
andou sempre em despique com ele. Era muito bom a História, Português e
Línguas. Quando tirava melhores notas do
que ele, ficava moído. A meio do texto
vem várias caixas que rezam: «Era admirador de Mário Soares até este o ter
atacado por «conselheiro de Estado Lopes Serra»; e «tem segurança pessoal mas
recusa-a em assuntos de natureza particular»; «José Sócrates terá sido uma das
personalidades mais complexas com quem teve de lidar»; «Fui eu (Octávio Mendes)
que tratei dos funerais dos pais e da sogra, de quem ele gostava como uma
segunda mãe. Também já fui levar-lhe móveis a Lisboa. Carlos deposita confiança
nas pessoas, não as desilude. Tem palavra. Os pais já eram assim. Ele é um
maçanico verdadeiro e muito bairrista. Podem tentar fazer-lhe de tudo, mas a
terra guarda-o sempre».
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Seis itens menciona a revista da biografia deste mediático: « filho de
um carteiro e de uma tecelã; foi servente de pedreiro, vigia de floresta e
ajudou o pai a entregar o correio; em criança já queria ser juiz e inspetor
policial; o seu salário mensal é de 4 mil euros. Teve ou ainda tem entre mãos
os seguintes processos: Furacão, Portucale, Monte Branco, Operação Marquês,
Operação Labirinto, Caso Álvaro Sobrinho, Face oculta, Apito dourado, BPN, Caso Swaps, caso Universidade
Independente, caso CTT, contrapartidas
submarinos e caso Duarte Lima».
Praticando a pedagogia que manda
dar «à justiça o que é da justiça e à política o que é da política».
Até há poucos anos este chavão era o reverso:
falava-se mas não se cumpria. O momento
atual impõe que este princípio democrático pegue nos maus exemplos do passado e
com eles faça cumprir o futuro.
Trago esta nota de leitura à
reflexão com os meus leitores para que fiquem informados do carácter deste alto
magistrado. Anda por aí muito syriza a chamar nomes feios a Carlos Alexandre.
Por esta amostra se fica a saber que é um cidadão de esquerda, com um perfil
biográfico intocável. Pelo facto de aplicar as leis com rigor e objetividade
não se pense que é um homem de direita ou com ela comprometido.
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Na mesma revista (Visão), p. 24
aparece outro político Transmontano, com foto a cores e título: «Candidato
«passa fome», em casa». Chama-se Eurico Figueiredo, é docente universitário de
psiquiatria, filho do também médico Vila-realense, Otílio de Figueiredo e foi
deputado pelo PS, pelo círculo do Porto. Aí se diz que «é cabeça de lista do
Partido da Terra, pelo mesmo círculo e que fará uma greve de fome no resguardo
do lar, em Nevogilde, verdejante subúrbio da Invicta. «Aos 76 anos não quer
fazê-la na praça pública, mas convocou uma conferência de imprensa para a
anunciar. Em causa está uma dívida da Segurança Social, que lhe penhorou a
reforma, há três anos. E que, depois de se verificar a ilegitimidade dessa
penhora, ainda não lhe restituiu três mil euros». A terminar relata a revista que «o histórico socialista
António Campos levou a causa a peito e comentou no Facebook: «Ó Eurico, isto
não é um Estado de Direito é um estado de ladrões e maus comerciantes... Ajuda
a corrê-los».
Talvez ficasse bem a este político que já foi
governante, mencionar esse estado de «ladrões e maus comerciantes» para que ele,
eu e outros possamos aceitar o repto. Pela parte que me toca devolvo-lhe a
calúnia. Como Transmontano, coetâneo e Amigo que fui do Pai e do Doutor Eurico
Figueiredo, solidarizo-me com o cidadão lesado e, se for aberta uma subscrição
pública, para apoio ao ilustre psiquiatra, peço a António Campos que me avise,
uma vez que serviu esse «estado» de maus comerciantes. Deve conhecer melhor do
que eu e muitos, esse submundo.
Barroso
da Fonte


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