“Era
de noite, o meu marido já se tinha deitado, e eu estava a fazer as malas,
porque no dia seguinte partíamos numa visita de Estado à Holanda e à Hungria.
Foi curioso... Nessa noite, não conseguia dormir. A certa altura, a minha filha
telefonou a dar a notícia de que o João tinha tido um gravíssimo desastre na
Jamba, em Angola, e que estava muito mal. E soube que o João tinha sido levado
para a África do Sul, para um hospital em Pretória”, disse ao Expresso numa
entrevista em 2009.
Já no hospital, continuou a contar, encontrou João
Soares em estado grave. "Quase não reconheci o meu filho. E todos os dias
perguntava ao médico: ‘Como está o meu filho?’ Ele dizia-me sempre: ‘Um
bocadinho melhor, mas continua muito doente. Peça a Deus’”. E Maria Barroso
conta que pediu. Mal recebeu a notícia do acidente, lembra que ligou a uma
amiga: "’Vá ter com o senhor padre da igreja do Campo Grande [em Lisboa] e
peça-lhe que reze pelo meu filho!’ Porque eu estava angustiadíssima. Foi um
afastamento de muitos anos. Pode haver um fenómeno que nos toque, que nos fira,
que provoque uma angústia, um desejo de nos agarrarmos a qualquer coisa que nos
dê força para aguentar. Deus ajudou-me”, disse na mesma entrevista.
O pároco da igreja do Campo Grande, Vítor Feytor
Pinto, não fala desse momento da vida passada de Maria Barroso e daquele seu
momento de aproximação à fé, por fazer parte “da sua intimidade espiritual”.
Prefere falar do presente. Maria Barroso ia à missa das 19h todos os domingos,
mas "chegava sempre uma hora antes". "Era de uma grande ternura,
atendia e falava com toda a gente que vinha ter com ela. É um exemplo muito
bonito de uma cristã que praticava o amor aos outros.” O seu corpo vai estar em câmara ardente em
Colégio Moderno, e a Missa de corpo presente será amanhã, dia 08, às 10h00, na
igreja do Campo Grande, a que se segue o funeral para o cemitério dos Prazeres.
Uma verdadeira esposa e mãe. Descanse em paz.

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