Por: Costa Pereira
A Bajouca ficou mais pobre, no passado dia 24 de Fevereiro. Faleceu
no Hospital de Santo André, o decano dos oleiros bajouquenses e que na arte foi
uma referência da sua aldeia e concelho de Leiria, nas décadas de 50 e 60. A
capital do barro leiriense confundia-se com o nome de Luís Santo, como era
conhecido, o mestre Luís da Silva, de seu nome verdadeiro. Muitos dos seus
trabalhos serviram para promover não só a Bajouca mas a região turística da princesa
do Lis, com valiosos e apreciados trabalhos seus que ultrapassaram fronteiras levando
consigo a chancela de Luís Santo. Do seu talento deu conta o médico Dr. Rui
Paiva de Carvalho, como em esboço monográfico que, em 1974, fiz e intitulei “Terras
do Lis e de Santo Aleixo da Bajouca”, registei : “O barro da Bajouca há muito que conquistou popularidade e o apreço por
parte de regionalistas da envergadura dos saudosos Drs. Rui Paiva de Carvalho e
Torres Marques, os quais em meados deste século, apoiados no oleiro “ Ti Luís
Santo”, desempenharam importante papel na promoção e divulgação da Olaria
barouquense: Português ou estrangeiro/Que vais em corrida louca/Não passes sem
ver primeiro/Estas louças da Bajouca”. Deixou rasto este inesquecível
bajouquense que da sua terra e região foi do barro destacado embaixador. Com
ele privamos alguns momentos de prazer a ver a roda e a mão do artista a moldar
a pasta, ao mesmo tempo que falava do seu oficio e da história da olaria na
Bajouca. Com a sua morte, ao cabo de 93
anos de vida, além do mais, perdi um amigo que desceu à terra, na tarde do dia
25 do citado mês, após missa de corpo presente, pelas 14h30, na igreja
paroquial da freguesia. A toda a família enlutada os meus mais sinceros pêsames,
e a todos os bajouquenses lembro o dever de não deixem perder a memória deste
artista do barro que teve e deu fama à olaria regional portuguesa.
Sem comentários:
Enviar um comentário