Os
rolos de papiro de Herculano, queimados e esmagados durante a erupção do
Vesúvio que também destruiu Pompeia, poderão finalmente revelar os seus
segredos.
Todas
as letras do alfabeto grego menos duas foram identificadas na experiência
(linha de cima de cada bloco de imagens).
Uma
equipa internacional de cientistas acaba de realizar uma autêntica façanha,
decifrando, pela primeira vez, algumas sequências de letras e fragmentos de
palavras contidas em rolos de papiro calcinado – algo até aqui considerado
tecnicamente impossível. Os resultados abrem o caminho à leitura de textos
antigos dos quais não existem cópias, com o potencial de “melhorar o nosso
conhecimento da literatura e da filosofia da Grécia antiga”, escrevem os
autores num artigo publicado terça-feira na revista Nature Communications.
Os
papiros que serviram para realizar esta inédita experiência provêm da única
biblioteca da antiguidade clássica que chegou até nós com o seu recheio de
centenas de rolos cuidadosamente distribuídos pelas suas prateleiras. Foram
descobertos em 1754 na chamada Vila dos Papiros, uma casa senhorial em
Herculano – uma das várias cidades destruídas em 79 d.C., juntamente com
Pompeia, pela explosão do Monte Vesúvio, ao pé de Nápoles. E alguns deles, que
foi possível desenrolar parcialmente, são hoje atribuídos ao filósofo epicuriano
e poeta Filodemo, que viveu no primeiro século antes da nossa era.
Os
papiros estão em muito mau estado – como é fácil imaginar, considerando que
foram soterrados por toneladas de cinzas vulcânicas ardentes. Vistos de fora,
parecem bocados de carvão. E são também extremamente frágeis: não admira
portanto que as tentativas que têm sido feitas ao longo de quase três séculos
para os desenrolar se tenham saldado, essencialmente, pela sua destruição pura
e simples, levando os especialistas a desistir dessa via.
Os
rolos de papiro de Herculano, queimados e esmagados durante a erupção do
Vesúvio que também destruiu Pompeia, poderão finalmente revelar os seus
segredos.
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