quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Pedra que beija (ANGOLA)

 Por: Costa Pereira
Portugal, minha terra.
A vila de Caimbambo dá uma ideia de como ficou Angola com a guerra fratricida que só recentemente parece ter terminado. Embora o "morro da vitória" que entre Caimbambo e Cubal é tido como que emblema vitorioso da região, no terreno não há disso sinal assim tão evidente. Mas também é certo que "Roma e Pavia não se fizeram num dia". Isto para também dizer que "um azar nunca vem só ". No dia 30, 2º-feira, manhã cedinho aí vai de novo a família Pereira em demanda das alturas do planalto central angolano, desta vez na expectativa do mau tempo não fazer das suas. Mas ali quando não é do casaco é das calças. Não tínhamos saído há uns 15 minutos de casa e já o azar nos começou a perseguir, com o motor do jipe a não querer responder. Tínhamos já passado o "Morro dos Irmãos Gémeos" e alcançado as proximidades da "Pedra que Beija", onde aqui se foi mesmo a baixo, e adeus, Huambo!

Numa terra onde a carência de serviços é elevada, só quem de facto tem alguma influência e bom relacionamento social consegue dar a volta às situações. Num lugar isolado e sem rede para comunicar, valeu entretanto passar um taxe (uma motorizada) que cobrando 1000 kwanzas transportou a Drª Gisela ao local de partida , em busca de socorro, enquanto os pais ficaram no deserto a guardar o jipe.

Não demorou que uma equipa de pessoal técnico, ao serviço da AAA, dirigida pelo Sr. Haleka surgisse ali para reparar a avaria. Mas depois de várias experiências fomos aconselhados a regressar a Caimbambo, para ver o problema com mais cuidado. Para ser franco até nem desgostei do azar, pois prestou-se a desfrutar de mais uns bons momentos de convívio agradável com aquele pessoal simpático que encontrei nos escritórios da Ação Agrária Alemã e de voltar a ver os porcos e as cabras a pastar na rua.

Neste embondeiro ao lado dos escritórios entretive-me várias horas ao fim do dia a ver as cabras saltarem estas pedras e aqui passarem a noite, sempre muito barulhentas e em alerta
Eram 08h09, desse dia 30, quando numa 2ª tentativa para regressar ao Huambo partimos de Caimbambo. O 2007 que figura no foto deve-se ao facto de eu não ter tido o cuidado de acertar as datas na minha máquina digital. Mal sabia eu que ainda nesse dia havia de voltar a ver esta escola, e miúdos a saltarem muro, não o da vergonha..., embora pareça.

Na véspera até me deliciei ao parar ali para ver e admirar a escultura natural que daquele lugar ermo é atrativo, mas quando no dia seguinte fui forçado a permanecer lá de sentinela ao jipe, ó meus amigos, quais pedra que beija, qual quê! Valeu enxergar, não muito afastado dali, pessoas de trabalho que atravessando a estrada se dirigiram para uma casa de campo para logo me sentir mais seguro no meu posto...Tirei foto para registo.
Por certo, casa que foi de antigo e modesto fazendeiro, e agora está a ser reconstruida, para quê não sei.
Continua






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