segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Africanos encontram a morte no Estreito de Gibraltar

   

                             Quando os homens-lixo se fizeram ao mar - PÚBLICO


Para os marroquinos, “les noirs” são os demónios que vieram do Sul do deserto para lhes causar problemas e agora se concentram no bairro de Boukhalef, em Tânger, e vivem do lixo que deitam fora os que os odeiam. Podem morrer no meio da travessia do Estreito de Gibraltar, mas a hipótese é deixarem-se ficar a morrer em Tânger.

A Costa da Luz está um inferno. Do Golfo de Cádis ao Estreito de Gibraltar, há filas a passo de caracol em todas as estradas, e multidões nas praias acotovelando-se por um metro de areia barrenta e dura. Se numas estâncias predominam os jovens de calções de ganga e sapatos de lona, outras são a paragem de famílias multigeração. Grupos de idosos tremelicam todas as manhãs pela areia de Puerto de Santa Maria, uma das praias nos arredores de Cádis, famosa pela licenciosa vida nocturna, enquanto em Barbate, a aldeia piscatória que o tráfico de droga pôs no mapa, as crianças ajudam os avós a transportar as cadeiras, guarda-sóis, pára-ventos e todas as traquitanas com que montam junto à água o cenário das suas tardes sem história.


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