segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Virgilio Gomes - Crónicas do Ceará - Valorosa Maria Chica

O meu prato no qual se evidencia uma excelente farofa com toucinho, cordeiro guisado, galinha caipira...
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Chegada ao restaurante Maria Chica
Virgilio Gomes
Há dez anos que viajo com regularidade para Fortaleza. Sempre constatei uma ausência de comida regional nos restaurantes que ia visitando. Para o turista desavisado parece ter chegado a qualquer colónia italiana dada a profusão de estabelecimentos cujo atrativo são as pizas e as “pastas”. No entanto poucos restaurantes servem a, excelente, cozinha italiana de peixes e carnes. Mas a própria Itália guarda a identidade das suas cozinhas toscana, veneziana, piemontesa ou romana. Ora a alimentação que caracteriza esta região, e que lhe poderia dar identidade gastronómica, é muito escassa e até parece que os restaurantes têm vergonha da cozinha cearense. Alguns parecem mais preocupados em copiar (mal) alguma cozinha francesa. Também há um grande desenvolvimento de comida japonesa centrada especialmente sushi e sashimi e não uma cozinha e peixes e carnes à japonesa.
  
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Porta de entrada
Habituei-me a procurar restaurantes fora dos circuitos ditos turísticos para encontrar comida cearense. Lembro-me bem das soluções corajosas do Chefe Faustino, ou das intervenções contemporâneas do Fernando Barroso. Alguns bons restaurantes evidenciam alguns produtos da região mas falta assumir uma nova cozinha, moderna, com uma nova leitura da cozinha regional, sem ruturas. Não esqueço a “dobradinha” que me era servida no D’Abelle Bistro mas que recentemente saiu do cardápio. Também já comi excelente “panelada” na Quina do Feijão Verde…! Nunca vi as autoridades do Turismo ou da Cultura incluir, seriamente, a gastronomia local como um símbolo da identidade local, ou um trunfo da sua promoção. Talvez por isso os restaurantes não tenham coragem de assumir a sua inclusão. Mas desde a piabinha frita, a panelada, a buchada, a rabada, a carne de sol, as feijoadas, o baião-de-dois, … até todas as variantes que a mandioca produz. Também tenho comido excelente comida regional em casa de amigos.
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Tom, irmã do Tom, Daniel, os meus parceiros  de almoço
Já conheço muita gente em Fortaleza e os mais próximos conhecem a minha vontade de comida regional. E o Carnaval, apesar de não ser o do… “Rio de Janeiro a capital carnavalesca do mundo; e reza a fama que o carioca considera tal festa a Única coisa séria de sua terra e de sua vida”, conforme escreveu João Nogueira, também me tem ajudado a conhecer mais gente. Desta vez, o meu amigo Tom, e que conheci pelos carnavais, levou-me a um local que eu não conhecia. Tratou-se do Restaurante Maria Chica, na Parangaba. Boa surpresa, e aqui vos deixo as iguarias que selecionei em imagens.
Para os cearenses, desejo que se orgulhem da sua comida.
Bom Apetite!

Uma incursão a boa cozinha local:

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