É um dos grandes africanistas portugueses, mas não vive
dentro dos livros. Angola e Moçambique são temas que conhece como a
palma das mãos
No livro que publicou em 2008, Jogos Africanos,
escreve logo nas primeiras páginas que, quando tinha 15 anos, a sua
visão de África era muito simplista, como no romance As minas de
Salomão, que aliás cita. Via África como uma divisão entre os bons e os
maus. Cinquenta anos depois é possível olhar para África e ver quem são
os bons e os maus?
Não... os bons não eram tão bons como
pareciam, os maus também não eram tão maus como se achava. Acho que não é
tanto uma visão de África, é uma visão da vida. Graças a Deus quando
temos 15 anos, e até quando temos 25 ou 30, ainda vemos tudo como bons e
maus. E com o tempo passamos a ver uma coisa que é interessante: não
são necessariamente bons todos os que pensam como nós, não são
necessariamente maus todos os que pensam o contrário de nós. Ou seja, há
uma data de boas ideias servidas por gente péssima e há uma data de
gente boa a servir coisas más. A vida ensina isso.
É igual em África?
É igual em toda a humanidade. Isso é outra coisa que também aprendemos. Por um lado, a profunda identidade e diferença das pessoas, dos povos; por outro, o denominador comum que é a natureza humana. Foi Deus quem a criou assim ou porque é assim, não sei.
É igual em toda a humanidade. Isso é outra coisa que também aprendemos. Por um lado, a profunda identidade e diferença das pessoas, dos povos; por outro, o denominador comum que é a natureza humana. Foi Deus quem a criou assim ou porque é assim, não sei.
Nesse mesmo livro diz
que partiu para Angola em Julho de 1974, em pleno PREC. A sua ligação a
Angola é profunda. Hoje há talvez 150 mil portugueses em Angola, não
sabemos ao certo...
Não sabemos ao certo, os portugueses têm a mania de inflacionar os números. Mas também não inflacionam apenas os números deles, inflacionam os de todos....

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