Norman Manea
Esta narrativa
de alta literatura, como dizia Antonio Tabucchi, inicia-se com a motivação que
Philip Roth empresta ao autor. Manea decide-se, por fim, iniciar o regresso à
Roménia, o seu país natal, de onde fugiu em 1986 à ditadura socialista de
Ceausescu, exilando-se nos Estados Unidos da América.
É um regresso,
não só ao presente, como ainda ao passado, onde se desencadeiam sucessivas
recordações. Uma infância interrompida pela deportação para um campo de
concentração em 1941, orquestrada pelo marechal Ion Antonescu, comandante do
Exército e dirigente do Estado romeno, e aliado de Hitler; o entusiasmo juvenil
pelo comunismo, abandonado num repente; o desencanto pela Roménia sob a
ditadura socialista de Ceausescu: a colectivização da vida individual, o
controlo “pidesco” dos cidadãos, a delação entre amigos, e por aí fora.
Norman Manea
refugia-se na literatura, com Kafka nas suas cartas a Milena Jesenskcá, e as
lembranças de Marcel Proust sobre a mãe. Sente-se asfixiado no meio de tanta
mediocridade: “Para se comprar um lenço de assoar ou a cama para dormir ou o
leite do pequeno-almoço (…) apelava-se aos apáticos e insolentes funcionários
do Estado, formados segundo o código de ética e equidade socialista: “Nós
fingimos que trabalhamos, eles fingem que nos pagam”[1] (p.
246). Sente-se um Hooligan como precisava a lei socialista. Isto é, um parasita
(p. 247).
Finalmente, o
exílio.
Norman Manea,
neste regresso, transporta-nos para uma viagem no tempo. Além de um relato
autobiográfico, é também um relato histórico; uma reflexão filosófica sobre a
vida; “uma viagem ao interior da alma humana” (Tabucchi).
Armando Palavras
Norman Manea (n. em 19 de Julho
de 1936) é um escritor romeno de origem judaica. Professor catedrático Francis
Flournoy de Cultura Europeia e “writer in residence” no Bard College
(Annandale-on-Hudson, Nova York, EEUU). O seu livro mais conhecido é O Regresso do Hooligan.
Norman Manea foi reconhecido como
escritor de importância internacional a partir dos anos noventa, com a sua obra
traduzida em mais de vinte idiomas. Recebeu numerosos prémios: Prémio da União
dos Escritores Romenos em 1984 (anulado pelas autoridades comunistas), a Beca
Guggenheim (EEUU) em 1992, prémio Mac Arthur em 1992, a Medalha Literária
de New York Public Library em 1993, prémio literário internacional Nonino
(Italia) em 2002, entre outros.
É Doutor Honoris Causa pelas
Universidades de Bucareste e Cluj (Roménia) e foi-lhe atribuída a Legião de
Honra (França) em 2008.

Sem comentários:
Enviar um comentário