sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Regresso do Hooligan de Norman Manea

 
O Regresso do Hooligan
Norman Manea

Esta narrativa de alta literatura, como dizia Antonio Tabucchi, inicia-se com a motivação que Philip Roth empresta ao autor. Manea decide-se, por fim, iniciar o regresso à Roménia, o seu país natal, de onde fugiu em 1986 à ditadura socialista de Ceausescu, exilando-se nos Estados Unidos da América.
É um regresso, não só ao presente, como ainda ao passado, onde se desencadeiam sucessivas recordações. Uma infância interrompida pela deportação para um campo de concentração em 1941, orquestrada pelo marechal Ion Antonescu, comandante do Exército e dirigente do Estado romeno, e aliado de Hitler; o entusiasmo juvenil pelo comunismo, abandonado num repente; o desencanto pela Roménia sob a ditadura socialista de Ceausescu: a colectivização da vida individual, o controlo “pidesco” dos cidadãos, a delação entre amigos, e por aí fora.
Norman Manea refugia-se na literatura, com Kafka nas suas cartas a Milena Jesenskcá, e as lembranças de Marcel Proust sobre a mãe. Sente-se asfixiado no meio de tanta mediocridade: “Para se comprar um lenço de assoar ou a cama para dormir ou o leite do pequeno-almoço (…) apelava-se aos apáticos e insolentes funcionários do Estado, formados segundo o código de ética e equidade socialista: “Nós fingimos que trabalhamos, eles fingem que nos pagam”[1] (p. 246). Sente-se um Hooligan como precisava a lei socialista. Isto é, um parasita (p. 247).
Finalmente, o exílio.
Norman Manea, neste regresso, transporta-nos para uma viagem no tempo. Além de um relato autobiográfico, é também um relato histórico; uma reflexão filosófica sobre a vida; “uma viagem ao interior da alma humana” (Tabucchi).
Armando Palavras

 

Norman Manea (n. em 19 de Julho de 1936) é um escritor romeno de origem judaica. Professor catedrático Francis Flournoy de Cultura Europeia e “writer in residence” no Bard College (Annandale-on-Hudson, Nova York, EEUU). O seu livro mais conhecido é O Regresso do Hooligan.
Norman Manea foi reconhecido como escritor de importância internacional a partir dos anos noventa, com a sua obra traduzida em mais de vinte idiomas. Recebeu numerosos prémios: Prémio da União dos Escritores Romenos em 1984 (anulado pelas autoridades comunistas), a Beca Guggenheim (EEUU) em 1992, prémio Mac Arthur em 1992, a Medalha Literária de New York Public Library em 1993, prémio literário internacional Nonino (Italia) em 2002, entre outros.
É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Bucareste e Cluj (Roménia) e foi-lhe atribuída a Legião de Honra (França) em 2008.



[1] Sobre esta questão poder-se-ia citar inúmeras passagens. Optámos por esta.


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Tintim traduzido para mirandês.

 

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