quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Emmy Curl (Catarina Miranda), a voz das deusas


Cantora Emmy Curl é promessa nacional

Começou pelo nome Emmy e agregou Curl (caracol em português) pois desde sempre desenha espirais. Aos 11 anos compôs a sua primeira canção mas cedo a sua aptidão para a música foi sobressaindo. Ainda na barriga da mãe, “já estava a ser cultivada com música”, tendo os pais como grande influência na sua inclinação artística. “Os meus pais faziam canções antes da minha existência, durante e ainda hoje”, refere Emmy que aos oito anos recebeu uma máquina de gravar voz e “era viciada em gravar tudo, inclusive as aulas da primária”. Aos 15, completou três anos de formação de guitarra clássica e iniciação ao canto lírico no Conservatório Regional de Vila Real. “Foi suficiente para mim, a partir dessa formação fui moldando esse conhecimento àquilo que já sabia e que ainda procuro”. Para Emmy Curl, “Trás-os-Montes é um antro de inspiração de todo o poeta, músico ou pintor”, sendo que a sua maior inspiração provém da Natureza e inevitavelmente das “paisagens do Douro e das Serras do Alvão e Marão”.
Apesar de transmontana orgulhosa, Emmy sabe que o que surge na capital e bem longe dos montes tem maior impacte nacional. “Tem meios mais fáceis de divulgação, as pessoas que importam estão lá, o que faz com que a troca de informação com as pessoas certas seja mais rápida”. “Viver longe do mundo citadino apenas traz-nos inspiração. O resultado final é sempre melhor quando lá (capital) chegamos e expiramos o que de mais belo trazemos do campo”, disse.

Ilídio Marques in: Noticias de Vila Real (2010)

Emmy Curl apresenta disco de download gratuito em várias salas nacionais

Braga, Coimbra, Leiria, Vila Real, Porto ou Lisboa são algumas das cidades que irão receber a digressão do EP “Origins”, de Emmy Curl, durante o primeiro trimestre de 2013.
 
Ao vivo, Emmy Curl apresenta-se, como sempre, na companhia de João André, músico com quem partilha cumplicidades várias, que vão dos arranjos à co-produção dos seus trabalhos.
Nascida Catarina Miranda, em Vila Real, Emmy Curl é compositora, cantora, letrista, produtora, artista gráfica e integra todas as áreas, numa assumida filosofia “do it yourself”, que resulta num universo próprio, onírico mas contemporâneo.
Emmy Curl tem vindo a conquistar e fidelizar um público crescente que acompanha a sua carreira através das redes sociais. “Origins” está, aliás, disponível para download gratuito no facebook da artista.
Durante os próximos meses, Emmy Curl leva o seu novo EP a várias salas nacionais:

2 fev. Matosinhos – Teatro Constantino Nery – 21h30, 7.5€
8 fev. Leria – Teatro Miguel Franco – 21h30, preço, 6€
14 fev. Coimbra – Salão Brasil – 22h30, 5€
16 fev. Gafanha da Nazaré – Centro Cultural – 22h, 5.5€
8 mar. Penafiel – Casa da Cultura do Xiné – 21h30/5€
9 mar. Vila Real – Teatro de Vila Real – 22h, 7€
23 mar. Porto – THSC (Teatro Helena Sá e Costa) – 21h30, 7.5€

 

Apreciem a voz maravilhosa desta rapariga transmontana de 22 anos. É simplesmente uma delicia.
Lembra-nos duas cantoras deslumbrantes, que fizeram parte do nosso imaginário musical: Tori Amos e Loreena McKennitt.
Ouçam que vale a pena. E, já agora, divulguem-na que bem o merece.

emmy Curl - "Song Of Origin" - YouTube


 

Pasteis de Belém, uma reliquia da doçaria portuguesa









 
Recebido de Costa Pereira

Autores Transmontanos (8)

 

Morte em Vila Flor

É um romance de Modesto Navarro (n. 1942, Vila Flor). Logo nas páginas iniciais se vislumbra o desenrolar da acção e quais os seus protagonistas. Paul, veio do Norte da Europa para tomar conta de uma quinta no pequeno concelho transmontano de Vila Flor. Numa esplanada chama por Ana, a empregada, que lhe lembra a sua mulher, Gal. Pede-lhe uma água das pedras. E olha de soslaio o irmão de um suicida. Ao despedir-se procura seduzir Ana, que lhe responde com matreirice, em tom afirmativo. Segue depois com o homem na carrinha de caixa aberta. Crime e ciúme juntam-se nesta narrativa, enquadrados num quotidiano agrícola tradicional em declínio.



 
Divagações à flor da Alma e do Mar

Foi o mais recente livro (de que temos conhecimento) lançado por Donzília Martins, escritora transmontana, natural de Murça.
 São 63 crónicas que se lêem de uma assentada. Abre com Branca, Branca, branca…, onde se destacam “sorrisos perdidos na areia com gotas de sol e sal”.
Canção do Mar ondula junto de passarinhos que saltitam na areia. E segue por aí fora, deambulando com pena leve pelo Entardecer, pela Manhã e pelo Hotel de cinco estrelas, “Alto! Quase ao pé do Céu”.
 “O sol queima” na flor da alma, nem tem “frio nem calor” como O Pedrito, o nadador e as crianças. Também espera, porque não conseguiu “dominar o sono”. E na Prisão – A branco e preto, as “palavras ainda soam duras”, para fazer um pedido ao Menino Jesus.
 O encontro com Aline surge na página 72. E como Tudo a seu tempo, encontra o pequeno Pedro dois anos depois. Já crescido.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Jaime Neves, um valente!

Jaime Neves


O General Jaime Neves faleceu no passado Domingo e foi a enterrar esta Segunda Feira. Como militar não nos vamos pronunciar. Basta o testemunho de camaradas de armas, como o General Ramalho Eanes (“Neves teve uma acção patriótica e decisiva na defesa da democracia”), ou o General Loureiro dos Santos, ao afirmar que Jaime Neves deve ser “recordado como herói nacional” pelo papel que teve ao serviço da “democracia pluralista”.
O Primeiro-ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, recordou-o como “militar de excepção” e um homem “que deixou uma contribuição extraordinária para a implantação da democracia”. E o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, considerou que os portugueses lhe devem “uma parte relevante da liberdade em Portugal”.
Como homem sim, podemos pronunciar-nos. Jaime Neves foi um valente. Ao contrário dos cobardes (que morrem várias vezes), o General morreu apenas uma. A nossa geração habituou-se a ouvir o seu nome. Cresceu com ele nos ouvidos. Os seus homens seguiam-no “ sem pestanejar”. Um episódio (histórico) que evidencia a sua qualidade de líder, está indubitavelmente ligada aos comandos da Amadora. Quando o Partido Comunista, em 1975, tomou conta do quartel, saneando o então Coronel Jaime Neves, os seus homens recusaram-se a ser comandados por outro. Cara a cara, disseram ao então “general” Otelo Saraiva de Carvalho que só aceitariam ordens de Jaime Neves. E seguiram-no a 25 de Novembro de 1975, no golpe que pôs fim à influência de esquerda militar radical, conduzindo ao fim do criminoso PREC (Processo Revolucionário em Curso).
Jaime Neves era um transmontano de Gema, nascido em Vila Real. Como eles (transmontanos), tinha “defeitos” e virtudes. Como eles, também apreciou um bom vinho na altura certa; nos repastos com amigos (e provavelmente noutras ocasiões). Mas ao que sabemos, gostava de olhar o Marão.
Armando Palavras

Destruição de manuscritos em Tombuctu é perda cultural irreparável


manuscrito


Lisboa, 28 jan (Lusa) - A destruição de manuscritos centenários pelos islamitas que dominavam Tombuctu, no Mali, é uma "perda irreparável" num património que inclui parte da história da Península Ibérica, disse à agência Lusa um especialista em história islâmica.
Fernando Branco Correia, professor de História do Mundo Islâmico na Universidade de Évora, disse à Agência Lusa que em Tombuctu havia "uma série de manuscritos importantíssimos, únicos, que tinham a ver com a história da Península Ibérica".
Entre os manuscritos guardados naquela cidade estariam "obras únicas que têm a ver com a fase do Islão tolerante" e com a convivência de "cristãos (moçárabes), muçulmanos e judeus" durante a fase de administração islâmica dos territórios que hoje são Portugal e Espanha, conhecidos a partir do século VIII como Al-Andaluz.

Cheias em Moçambique



João Manuel Rocha

28/01/2013 - 14:54 (Público online)

Descida das águas do Limpopo causa alívio em Gaza, mas teme-se agravamento da situação na bacia do Zambeze.
Aspecto de Chókwè, quando as águas subiram na semana passada USSENE MAMUDO/AFP .

Subiu para 68 o número de mortos nas cheias em Moçambique – 39 na província de Gaza – mas há pessoas desaparecidas, segundo o balanço feito esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades. O número inclui o total de vítimas desde o início das chuvas, em Outubro.
Citada pela RDP África, a porta-voz do instituto, Rita Almeida, confirmou uma “ligeira tendência de redução” do nível das águas nas bacias hidrográficas e um abaixamento das águas do rio Limpopo. Mas, disse à AFP, pode haver novas inundações na bacia do Zambeze. “A previsão é de mais chuva na província da Zambézia e no Norte de Sofala.”
Rita Almeida quantificou em 112 mil o número de desalojados, mas a porta-voz das Nações Unidas em Maputo, Patricia Nakell, divulgou também, esta segunda-feira, números mais elevados: 150 mil, só na província de Gaza.
O Limpopo, que na semana passada transbordou, causando graves inundações em Gaza, principalmente na cidade de Chókwè, totalmente invadida pela água, e em Guijá, voltou ao leito, ainda que a Patricia Nakell considere a situação “volátil”. A capital provincial, Xai-Xai, cujo alagamento se temia, sofreu inundações nas suas zonas mais baixas, no sábado. Dezenas de milhares de pessoas da província tiveram de procurar refúgio em campos de acolhimento e em lugares mais elevados.
O problema mais urgente na região é a escassez de alimentos e de água potável, bem como a necessidade de prevenir doenças. No posto de saúde de Guijá, perto de Chókwè, foram, segundo informação recolhida no local pela AFP, tratados 70 casos de diarreia. A ajuda humanitária e sanitária não tinha até esta segunda-feira chegado a lugares que ficaram isolados.

Os animais de Manuela Criner




Manuela Criner
"CONTINUO O QUE PRINCIPIARA ANTEONTEM.

Até que vim a Portugal. Demorei alguns meses. Quando regressei, encontrei nove gatinhos pretos, já de duas ninhadas, crescidinhos, uns, dormindo nos maples, outros, pendurados nos cortinados e o Hondinha no meio de todos como um rei. Lembro-me que fiquei sem fala, só a olhar. Parecia um Jardim Zoológico.
O pobre Mecharaúro - o mainato - não sabia que dizer e eu, então, só exclamava:-" Mas que isto, que é isto?"- Era o que tinha de ser!
-"Minha Senhora, a Pulguinha teve filhos e eu não os matei porque sei que a Senhora não gostaria. Também não os dei, a senhora agora é que diz."
E disse. Ficaram e, a pouco e pouco, fui ou fomos, arranjando novos donos. Mas logo a seguir nasciam outros.
Para cúmulo, uma amiga que veio a Portugal, pediu-me para ficar com um peixe no aquário e um gato. também preto, o Pequenú. Era engraçado. Este gato tratava a Pulguinha como filha, nunca lhe tocou, nem tentou tocar. E quando a dona chegou, não quis sair lá de casa. O pior é que comeu o peixe, que era muito bonito, encarnado, com grandes barbatanas como véus. E foi logo no primeiro dia. Enquanto esteve na casa dos donos, respeitou-o sempre, veio para a minha, achou que tinha esse direito.
Para completar o quadro, um brincalhão veio pôr-me à porta de casa, mais cinco gatinhos pretos recém- nascidos. E a pateta da Manuela criou-os a biberon e arranjou-lhes donos mais tarde.
Continuando este episódio gatarral, vou contar-vos algo que hoje me faz rir.
Costumava passear com a bicharada, na rua, em frente da casa. O cão brincava com a gata, arrastando-a pela cabeça. Depois ela saltava para cima dele ou subia uma árvore, desafiando-o. Como já estava habituada aquela brincadeira, olhava e ria. Mas uma senhora que passava num automóvel com uma criança, ao ver o cão arrastar a gata pela cabeça, começou a gritar e eu a fazer sinais que estava tudo bem e, por pouco, não teve um grave acidente contra um candeeiro de rua.
Outras vezes, à tardinha, já escuro, ia passear e era digno de um filme, sem efeitos especiais, porque eram todos naturais e nem sequer lhes ensinei.
Eu ia à frente, atrás o cão, a seguir a gata, depois o Pequenú, todos em fila indiana. Quando parava, todos paravam, para darmos a volta. Paravam e esperavam para não sairem da fila. E por ali andávamos alguns minutos. Uma noite andávamos tranquilamente no nosso passeio - já não havia ninguém no bairro, foi no tempo da debandada- quando ao longe vi um homem a caminho da Praia dos Pinheiros, que não era tão longe assim. Esse caminho ficava entre a minha casa e o A.T.C.M. .Dei o sinal de alerta quando o homem de repente se virou, quase a correr, direito a mim - vendo-me sozinha - e eu dizendo "vamos" corri para a porta de casa e todos correram atr+ás de mim, fechando eu a porta. Foi um senhor susto.
Quando fomos para Maputo, só tinha o Hondinha e a Pulguinha e levei-os comigo. Não tinham a mesma liberdade que na Beira e os tempos também eram outros. Abandoná-los é que não. Foram de avião comigo.
Às vezes a gata arranjava um namorado e quando os filhos nasciam, vinha para o maple onde eu estava sentada, para dar à luz. A primeira vez fiquei admirada, porque não veio para o meu colo. mas sim atrás de mim, dando pequenos miados e olhando-me. Quando percebi, fui buscar uma toalha, dobrei-a e um a um, mais uma ninhada de cinco. Num dia de parto, estava com visitas e ninguém deu por isso. Mostrei-os quando tudo acabou e estava tudo limpinho. E assim passaram cerca de três anos.. Na primeira ninhada, em Maputo, eu dera uma gatinha aos donos de um restaurante, que poucos dias depois também partiram. A gatita ficou na rua e eu soube porque a empregada zulu viu-a e também viu o restaurante fechado. Mal chegou a casa, disse-me, saindo logo a correr e trazendo-me a gatinha. Um dia a Pulguinha, para minha grande admiração, estando prestes a dar à luz outra ninhada, foi até à porta de entrada e miou para sair. Era a primeira vez que tal acontecia. Só apareceu quinze dias depois, magra, sem filhos e muito triste. O Hondinha fez-lhe uma grande festa, mas ela não teve grande reacção. À noite abri-lhe a porta para ela sair, receando que os filhos estivessem algures, mas ela recusou sair. No dia seguinte mandei procurar os animais, mas não foram encontrados.
Nestes três anos, a Boneca - nome que dei à jóvem gatinha - ia tratando dos irmãos, mamando sempre na mãe a par dos pequeninos e fingindo ser a mãe dos irmãos, dando-lhes de "mamar". Perguntei-lhe que disparate era aquele, pois eles fingiam mamar sem ela ter leite. Dir-se-ia que os animais compreenderam a minha pergunta, pois olharam-me descarados, lambendo a boquita. As tetas da irmã mais velha, que eu vi estarem ressequidas, faziam de chupeta e mamar a sério era na mãe. E a marota da Boneca espreguiçou-se, de barriga para o ar, para me mostrar o que estava a fazer. E a Pulguinha sempre a dormitar, sem grande reacção. Aceitava as minhas festinhas, continuava a dormir nos braços do Hondinha, comia muito pouco e sempre triste. Até que uma noite, um mês depois da primeira saída pela porta, dirigiu-se de novo para a porta, miando para sair. Fêz-me impressão aquele miar triste quando se dirigiu para a porta e hesitei. Mas tornou a miar como que a pedir por favor. Antes de descer as escadas que davam acesso ao rés-do-chão, a escada de serviço, parou, olhou para mim como se estivesse a despedir-se, deu um miado que me arrepiou e nunca mais regressou. Não me conformei facilmente e durante dias andaram a procurá-la por todos os recantos do prédio, mas o corpo nunca apareceu.
Ficaram o Hondinha e a Boneca e foram eles que vieram para Portugal seis meses depois, documentados e com passagens de avião. Foram muito felizes enquanto viveram comigo. Depois fomos para Sines oito anos e eles ficaram na Figueira e a felicidade acabou. O Hondinha, que nunca saía de casa e jardim, desapareceu e não foi por vontade dele e a Boneca só entrava em casa no dia em que vínhamos de visita e todos os filhotes que ela começou a ter, desapareciam, nunca lhe vi nenhum. Até que, vendo tanta maldade e dizendo-me que não queria ali a gata, pedi à minha Mãe se arranjava alguém decente que a quisesse e sei que foi feliz até morrer em casa de uma senhora que vivia sozinha, em Coimbra. Foram uns grandes companheiros.

"

 

 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Histórias de Encantar




Alexandre Parafita

“A história é assim,
Assim é que a conto…
Se alguém não gostar,
Aumenta-lhe um ponto!”
 Estas crianças valem ouro. E os professores que as ensinam também. Obrigado Minervina, Prof. João Pereira e Simone! O carinho, a paixão e a competência que colocam na vossa missão não têm preço:

Manuela Criner - O HONDINHA E A PULGUINHA - O MEU CÃO E A MINHA GATA




Manuela Criner
Hoje contar-vos-ei uma pequena aventura dos meus bichinhos de estimação-- O HONDINHA E A PULGUINHA--O MEU CÃO E A MINHA GATA.
Às vezes sou uma pateta que tem pena de tudo e de todos.
Um dia a minha Filha apareceu-me com uma gatita preta quase recém nascida, lá em casa. O que acontecera? Foi no Liceu, no recreio (na Beira), que a gatita correra para os pés da Sonia e deitara-se sobre um pé.Tocou para a aula, ela agarrou-a, mete-a no saco e levou-a com ela, de acordo com as colegas. Correu tudo bem no princípio, até que a gatita miou baixinho.
A Professora perguntou quem tinha um gato.
Silêncio !
Mas claro, a gata - a que a Sonia chamaria Speed e eu Pulguinha, porque saltava como uma pulga - tornou a miar e a Sonia levantou- se mostrando a gata. E nesse dia a lição foi sobre animais. A Professora fora simpática, não se zangou e as alunas agradeceram-lhe.
Quem teve de tratar da gata fui eu. A Sonia só me arranjava trabalhos e eu tinha de me desembaraçar depois. Com o cão foi o mesmo. Comprou o cão a alguém que estava na piscina do Grande Hotel da Beira. Parecia uma bola de lã. E lá ficou em casa...e os dois escondidos...para o Papá não os descobrir. Os dois bebés criados a biberon. Francamente, só eu. A Pulguinha dormia nos braços do Hondinha que tinham motorizadas Honda e. - nome dado por ela e colegas e, durante algum tempo, dormia uma noite em cada casa e adorava andar de mota, sentando-se no tanque da gasolina e as patitas bem agarradas ao guiador - eram os dois, o cão e o gato, os melhores amigos e assim foram sempre. Defendia-a dos gatos com unhas e dentes. Quando um saía, saía o outro e brincavam como crianças no quintal. Cresceram juntos e juntos partilhavam comida e cama. Creio que o cão se julgava gato e a gata pensava ser cão. Aliás a gata aproximava-se de qualquer cão com toda a confiança e o cão fazia o mesmo com os gatos. Às vezes levavam patadas e deviam pensar que eram uns brutos sem respeito por seus iguais.
Certa vez a gata estava a brincar com o cão no quintal, subiu as escadas da frente da casa, o que não era hábito, e miou para lhe abrir a porta ...julgava eu. Pois não ! Trazia um ratito meio morto, com os olhos a brilhar de contente. Apanhava-os, dava-lhes uma dentada no pescoço e vinha depositá-los a meus pés. Fiquei horrorizada e gritei :-
"Oh Pulguinha ! Que horror !
A gatita parece ter ficado desolada, deixa o rato no tapete e poucos minutos depois aparece com outro e mais outro.
Também costumava trazer umas pequenas serpentes, que me horrorizavam. E fazia o mesmo. Como julgava que eu gritava por julgar pouco, ia buacar mais e mais.
E o Papá Jean aceitou-os perfeitamente, muito admirado de eles viverem há tanto tempo em casa sem nunca ter ouvido miar ou ladrar.
O QUE SE SEGUE É MAIS LONGO , ENTÃO DI-LO-EI AMANHÃ. HOJE FOI APENAS A APRESENTAÇÃO DOS MEUS DOIS AMIGOS QUE, UNS ANOS DEPOIS, VIERAM COMIGO PARA PORTUGAL,
"

Da Nossa Biblioteca -“Wuthering Heights” (O Monte dos vendavais)


Yorkshire - Norte de Inglaterra

Emily Brontë

Em meados do século XIX, as convenções sociais manifestam-se às mulheres sob a forma da obrigação de escolherem entre uma vida segura e mesquinha e uma vida de aventuras românticas que as leva ao abismo. Por essa altura surgem três romances que tratam este tema, mas que se distinguem na forma como o abordam: “Jane Eyre” de Charlotte Brontë (1816-1858); “Wuthering Heights” (O Monte dos Vendavais, também intitulado “O Monte dos ventos uivantes” em algumas edições) da sua irmã Emily (1818-1848), e “Madame Bovary” de Gustave Flaubert (1821-1880).
“O Monte dos Vendavais” de Emily Brontë é, talvez, o mais marcante dos três, talvez o mais conhecido do grande público (e o nosso preferido). É uma narrativa poderosa, tragicamente bela que nos descreve a intensa e tempestuosa paixão de Heathcliff por Catherine Eamshaw, acabando por afectar a vida de todos os que os rodeiam. Magistral na construção da trama narrativa, singular na força das personagens e na grandeza da visão poética, reveste-se da intemporalidade própria da grande literatura.
A acção situa-se nas rudes e pantanosas zonas elevadas de Yorkshire, sendo a própria história uma saga familiar onde se relatam os destinos dos rudes Eamshaw e dos civilizados Linton. Heathcliff, uma criança abandonada, aparece na vida destas duas famílias, trazido para o monte dos vendavais pelo velho Eamshaw para que a sua filha Catherine tenha com quem brincar. Entre eles desenvolve-se um amor intempestivo. Cathy acaba por casar com o civilizado Edgar Linton, Heathcliff, debaixo da batuta do irmão de Cathy (que acaba alcoólico), permanece rude e inculto. Profundamente ofendido, desaparece durante alguns anos, enriquece misteriosamente e torna-se um “gentleman”. Quando regressa vinga-se de todos os que contribuíram para a sua separação com Cathy. Contudo, com a segunda geração, as portas abrem-se à reconciliação.
O trio amoroso em roda do qual se desenvolve a acção, acaba por ser enterrado no mesmo local, juntos. Pois assim termina o livro. Do penúltimo parágrafo respigamos: “Procurei, e não tardei a descobrir, as três lápides na encosta junto à charneca: a do meio, cinzenta e meio enterrada em urze; a de Edgar Linton, adornada apenas pela turfa e pelo musgo; a de Heathcliff, ainda nua”. Enquanto o vento brando “sussurrava pelo meio da erva …”.
Armando Palavras

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Segurança marcou festa dos 75 anos da sinagoga do Porto

Segurança marcou festa dos 75 anos da sinagoga do Porto
foto Leonel de Castro/Global Imagens

A cerimónia dos 75 anos da Sinagoga do Porto foi marcada pela presença do embaixador de Israel em Portugal e de altos dignatários judeus vindos expressamente de Londres, Israel, Argentina e Estados Unidos da América.
Discretos, porque à civil, elementos de forças de segurança portuguesa e israelita não despegavam os olhos perante qualquer movimento. Um carro da PSP acentuou, também, o clima de segurança que rodeou, este domingo, a celebração dos 75 anos da fundação da Sinagoga Kadoorie-Mekor Haim.
Bandeira de IsraelAs razões eram muitas: foram 280 os convidados de vários cantos do Mundo para a cerimónia, aberta pelo presidente da Comunidade Israelita do Porto, o norte-americano Dale Jeffries. No templo, estavam o embaixador de Israel, Ehud Gol, Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados e o deputado Carlos Abreu Amorim, estes dois elogiados pelo "destacado envolvimento" no processo que culminou com a recente reabilitação do fundador da sinagoga, capitão Barros Basto, pelo Parlamento português. Dale Jeffries, após dissertar sobre a vida e obra de Barros Basto, salientou a presença de "rabinos de Londres, da Argentina, de Israel e dos Estados Unidos, que vieram porque acham a sinagoga um símbolo para os judeus do mundo inteiro".

Orações em hebraico

As comemorações, dirigidas pelo rabino da Comunidade Israelita do Porto (com 39 elementos), Daniel Litvak, foram seguidas de orações, em hebraico, proferidas pelos rabinos convidados, bendizendo Portugal e as suas gentes, a comunidade israelita no país, o capitão Barros Basto e os 75 anos sobre a construção da sinagoga.
No final das intervenções religiosas, foi dada a palavra aos convidados, altura aproveitada por Marinho Pinto para, salientando o seu ateísmo, abordar as perseguições aos judeus em Portugal e concluindo que nem tudo é passado: "As fogueiras da inquisição ainda não se apagaram totalmente e nem todas as religiões são tratadas da mesma maneira".
De salientar que a comemoração das bodas de diamante do templo judeu ocorre cerca de um ano depois de a Assembleia da República ter reabilitado formalmente o nome do seu fundador. A decisão foi tomada por uma comissão parlamentar que declarou, por unanimidade, que "Barros Basto foi separado do Exército devido a um clima genérico de animosidade contra si motivado pelo facto de ser judeu", em 1937, recomendando ao Governo a sua reintegração no Exército, a título póstumo. v
Surpreendente foi a separação de homens e mulheres durante a cerimónia religiosa. Isto acontece sempre que o culto é dirigido por um rabino.
 
Publicado às 00.00 ÓSCAR QUEIRÓS (Jornal de Noticias online)



Jane Austen (1775-1817) – Bicentenário de “Orgulho e Preconceito”


Ontem (27 de Janeiro de 2013) comemorou-se o bicentenário do seu livro mais popular: “Orgulho e Preconceito”.
A sua biógrafa, Paula Byrne que em 2011 descobriu o retrato da escritora que se reproduz, lançou recentemente uma biografia de Jane, “The Real Jane Austen – A Life in small Things” (Harper Press, 2013).
 
 
Filha de um pastor, escreveu apenas seis romances durante a sua curta vida. Todavia, foi a escritora mais amada da literatura inglesa. Delicadamente irónicos, mas profundos, os seus romances de amor, de costumes e de casamento, transformaram a arte de escrever ficção.
As suas obras são reconhecidas como obras-primas. “Orgulho e Preconceito” (1813) abre com a sua famosa frase, irónica e penetrante: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem na posse de uma boa fortuna deve estar a precisar de uma esposa”. A sua escrita perfeita e sóbria contrastava com o melodrama romântico da sua época.
George Barnett Smith em 1895 escreveu que Austen passou uma vida calma e transparente sem nunca ser empurrada “para a fúria por pedras traiçoeiras nem por correntes violentas”. E acrescentou no mesmo ano: “ Tal como Shakespeare, pegou na escória vulgar da humanidade tal como estava e, por meio da sua maravilhosa capacidade de alquimia literária, transformou-a em ouro puro. Todavia, não teve, ao que parece, consciência da sua força, e na longa lista de escritores que adornaram a nossa nobre literatura não existe provavelmente nenhum tão destituído de pedantismo ou afectação, tão deliciosamente auto-repressivo, ou tão livre de egoísmo como Jane Austen” (The Gentleman’s Magazine, nº 258). E o grande campeão de vendas, autor de “Ivanhoe”, sir Walter Scott (1771-1832), foi um dos poucos a reconhecer-lhe a dimensão do génio, ao dizer que ela tinha “ o toque requintado que torna os vulgares lugares-comuns em coisas e personagens interessantes”.
Os seus romances acabam sempre bem, mas revelam a situação das mulheres da sua classe e do seu tempo. Ela que se distinguiu em temas do amor e do casamento nunca se casou, sendo, no entanto, uma mulher viva e atraente. Mas sobre a sua vida, embora curta, as suas curtas ligações amorosas, ficamos por aqui. Discreta, irónica espirituosa e compassiva, a sua escrita magistral dá-nos a medida da mulher.

Orgulho e preconceito

Em síntese, “Orgulho e Preconceito”, trata da vida amorosa de quatro casais, cujas esposas são as filhas casadoiras da senhora Bennet, a viver numa comunidade do Sul de Inglaterra.
Elizabeth e Darcy são o par ideal do romance. Estando ao mesmo nível intelectual, são duas pessoas que se desejam. Paralelamente, apresentam-se três versões diferentes de encontros de casais. O da bela e doce (mas também néscia) Jane com o bondoso senhor Bingley; a história da mais nova das irmãs Bennet, Lydia, que namorisca qualquer um que vista uniforme. Acaba por fugir com Wickham, um homem sem escrúpulos, que acaba por ser sobornado para deposar Lydia que já havia perdido a virtude; finalmente temos a deprimente união de Charlotte, com 27 anos, com o reverendo Collins.
Era, à época, o casamento, o único recurso que restava às mulheres, para sua segurança económica.
Armando Palavras

sábado, 26 de janeiro de 2013

Fumeiro de Janeiro na cozinha transmontana





Autores Transmontanos (7)




Gente da Minha Terra/ Histórias Selvagens

Nas suas narrativas, António Passos Coelho (n. 1926),  conclui depressa dizendo tudo. É breve. Característica dos grandes narradores, lê-se em Walter Benjamin.
Ora como nos lembra Walter Benjamin, o mais importante critico literário alemão do período entre guerras, esta forma breve de escrita, e a tendência para assuntos de interesse prático, como característica de muitos narradores natos, “tem a ver com a verdadeira essência da narrativa” (Sobre Arte, Técnica, Linguagem e politica, 1992).
Na verdade, António Passos Coelho, seguindo o pensamento de Benjamin, é um dos últimos narradores. Porque acumulou experiência, e é ela a fonte onde todos os narradores vão beber.
Lesskov, que na opinião de Tolstoi era um dos maiores narradores russos, viajou por toda a Rússia como representante de uma firma inglesa. Teve assim oportunidade para desenvolver nas suas narrativas temas diversos. Com António Passos Coelho, aconteceu o mesmo. Ao longo da sua já extensa vida, viajou por dentro e por fora do país.
A narrativa, contém em si, oculta ou abertamente, uma dimensão utilitária, que pode consistir num ensinamento moral, outras vezes numa instrução prática, e ainda nalguns casos num ditado ou norma de vida. O narrador é sempre alguém que sabe dar conselhos, utilizando a sua narrativa com objectivos didácticos, como Brecht fez com as suas peças de teatro, diz-nos Benjamin, para quem, o fundamental da narrativa, a sabedoria, estava a morrer. Nestes contos confrontamo-nos com tudo isto.
Estes contos narram episódios da sua vida passados na sua aldeia natal, Valnogueiras, no concelho de Vila Real.




 
D. Afonso Henriques – 900 anos – 1111-2011

No primeiro parágrafo da nota introdutória pode ler-se: “ Este livro não pretende ser mais uma História de Portugal. Pretende apenas e só travar excessos ficcionistas que em 2009 ridicularizaram a historiografia Portuguesa, baralharam a opinião pública e adensaram dúvidas onde elas já eram excessivas e quase irredutíveis”.
Na verdade, o seu autor, neste denso volume, trata da polémica levantada em 1990 por Almeida Fernandes: a construção de uma alternativa à data que a tradição aponta para o nascimento de Afonso Henriques. Que foi defendida no seu livro “Viseu, Agosto de 1109, Nasce D. Afonso Henriques”. Contrariando a data de 1111 e o solo vimaranense como berço do primeiro rei de Portugal.
Barroso da Fonte (n. 1939, Montalegre), contrapõe, neste livro, com fundamentos poderosos a “invectiva” de Almeida Fernandes, defendendo a tradição.


Feira de Caça e Turismo em Macedo de Cavaleiros 24-01-2013 Notic



A abertura oficial da XVII Feira da Caça e VII Feira de Turismo de Macedo de Cavaleiros decorrerá amanhã, 25, pelas 18 horas.
Os certames decorrem em simultâneo entre os dias 24 e 27 de Janeiro e atraem milhares de pessoas ao concelho de Macedo de Cavaleiros, congregando duas importantes temáticas da região.
Durante os quatro dias dos eventos, os visitantes terão a oportunidade de acompanhar inúmeras actividades, desde conhecer a oferta turística da região, caça e deliciar-se com sabores e cheiros únicos da rica e variada gastronomia macedense.
A organização preparou um conjunto de actividades um pouco por todo o concelho, passagem obrigatória para centenas de caçadores nacionais e espanhóis, que aqui se deslocam para participarem nas afamadas montarias, na Prova de Santo Huberto, no leilão de javalis e nos rituais venatórios que são os julgamentos. Para os mais aventureiros, a organização convida a conhecer um pouco deste destino turístico de excelência que é o Geoparque Terras de Cavaleiros, através de passeios TT, Moto-Turístico, pedestre e de automóveis antigos.
Fonte: Opção Turismo-jornal online

Moncorvo- projecto da MTI



Realizou-se ontem, dia 23/01/2013, no auditório da ACIM (Associação de Comerciantes e Industriais de Moncorvo), a sessão pública de apresentação do projecto mineiro da MTI (Mining Technology Investments), para uma fase de exploração experimental conforme foi concessionado pelo governo em Novembro de 2012. O auditório foi pequeno para conter tantas pessoas, entre técnicos, jornalistas e população em geral, acabando a organização por instalar colunas de som no exterior para todos pudessem acompanhar o que se dizia na sala.

Abriu a sessão o Presidente da Câmara de Moncorvo, Engº. Aires Ferreira, que se congratulou pela maior abertura demonstrada pela nova administração da empresa MTI, no que toca a uma maior abertura em relação às entidades e população local. Tendo feito um breve historial das questões relacionadas com a actividade mineira, paralizada há cerca de 30 anos, após o encerramento da Ferrominas, afirmou que sempre o município por si liderado tinha feito do tema do Ferro uma espécie de ex-libris, apostando no Museu do Ferro, e chegando a criar o slogan: "Moncorvo, onde o ferro é a alma da terra", estampado em autocarros e camisolas de jogadores do Grupo Desportivo local. Evocando a luta pela construção da barragem do Baixo Sabor, acabou por dizer que também aqui seriam de esperar muitas dificuldades pelo caminho, até uma exploração efectivaque haveria que se lutar por isso, já que "estas coisas não nos caem do céu".

Fonte:  TORRE.moncorvo 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Inundações em Luanda (Angola) no ano de 1963 - Documentos históricos



DOCUMENTO HISTÓRICO!
Estas fotos de inundações de Luanda referem-se ao ano de  1963
E em 1966 também aconteceu o mesmo.
Luanda, 26 de Abril de 1963













(Clique para aumentar)
Fotografias recebidas de pessoa amiga,
mas que não indicou a fonte

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