“Mas Freixo não mora só em
Trás-os-Montes. Espalha-se por aí, como raízes. Enrodilha-se, vai-nos corpo
acima e ganha seiva nova, até se enlear em ramos que vêm de outro chão". (Página
189).
Em boa hora o lagoaceiro (El)Miro Barbeiro me recomendou o Livro “RENTE AOS PÁSSAROS”, da freixenista ODETE FERREIRA, publicado no início do século em curso pelo Município de Freixo de Espada-à-Cinta.
Ao longo de 29 capítulos e de um conto anexo – imperdível - intitulado “A torre que não é de pedra”, numa linguagem simples mas profundamente expressiva, com forte influência poética, a autora demonstra toda a sua forte ligação literária e afetiva à terra que a viu nascer, oferecendo-nos imagens da vida de Freixo em que estão sempre presentes a memória pessoal e familiar, os costumes comunitários sem ignorar, em momento algum, a identidade transmontana, a relação com a natureza sem nunca descurar um olhar atento à condição humana num exercício em que ODETE FERREIRA recupera memórias, experiências e estados de espírito.
A extraordinária riqueza da escrita da escritora transmontana surge através do relato de paisagens, do universo rural transmontano, dos hábitos das suas gentes com enfoque para as suas formas genuínas de falar. Estamos perante uma escrita de memórias e de aproximação poética e sentimental à terra natal, suas raízes, recuperando e trazendo o passado para o presente através dos lugares, paisagens e vivências.
Pelas razões aludidas considero que
todos os transmontanos devem sentir-se honrados por terem no seu seio tão
ilustre filóloga e brilhante escritora e devem honrá-la conhecendo seu espólio
literário e, sobretudo, esta obra cuja leitura, vivamente, recomendo.


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