Leonel Dias
“ Contigo irei a Freixo de Espada à Cinta, mergulhar fundo no abismo do Penedo Durão e pressentir a dança dos abutres que cruzam os céus num voo largo e solene. Encontrar os teus olhos no rio de ouro da Congida. E tu serás a pureza da flor da amendoeira. Ao fim da tarde iremos beber vinho no milagre dos Montes Ermos e saciar a sede no sumo da laranja doce. ” (Pág. 26).
“ … por favor deixem-me sonhar! …
fecho o computador. Fica a inquietação metafísica e a saudade – Não sei se hoje
já te disse uma coisa bonita: já há rosas… e logo, ao entardecer, vou-te levar
a mais bonita que houver no meu quintal. Agora o teu sorriso é branco. “ (Final
da Obra – Pág. 94)
O Livro – que apenas é pequeno no
tamanho – lê-se num sopro e está repleto de recordações e episódios do
quotidiano, tornando a leitura da mesma obrigatória, repto que deixo aos
membros do Grupo "Amigos de Lagoaça", em particular, e aos
transmontanos no geral.
A Obra retrata uma relação
profunda de amizade entre o narrador e uma Mulher que, em determinado momento,
inesperadamente, parte sem que antes lhe peça que, quando florescessem as rosas
no seu quintal, lhe levasse uma e lhe dissesse uma coisa bonita.
Partindo dessa perda, o Autor
viaja pela memória e pelas paisagens transmontanas como forma de manter presente
a Amiga que partiu, procurando ultrapassar esse sentimento de perda.
A rosa funciona no Livro como um
símbolo da beleza, do afeto e da memória da Amiga permanecendo até ao momento
final, quando o autor cumpre a promessa, depositando a rosa do seu quintal na
campa da Amiga.
Numa leitura pessoal interpreto “E já não havia rosas” como uma homenagem às Mulheres pela sensibilidade, dignidade e capacidade de sofrimento e, simultaneamente, a denúncia da violência doméstica perpetuada sobre as Mulheres e a denúncia daquilo que a violência destrói.


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