Virgílio Gomes
Recentemente fiz um estudo sobre a dimensão de doçaria portuguesa que incluía nos seus ingredientes: derivados de porco, ou e azeite, ou e aguardente e ou e Vinho do Porto. Selecionei um grupo de livros que contém inventários de receitas a nível nacional e outros de referências regionais. No final construi uma lista de 860 receitas…! De seguida concentrei-me a isolar as que continham azeite, são 330, e estudar melhor a importância dessa categoria. Das 330 de azeite, 45 pertencem a Trás-os-Montes.
Não se sabe bem por que razão os nossos longínquos antepassados juntaram essa gordura na massa, por não termos registos. A junção pode ter sido espontânea e não estudada, mas os resultados devem ter sido reconhecidos, pelo menos, como satisfatórios. De facto, se fizermos duas massas iguais alterando apenas a gordura, sentimos de imediato uma elasticidade e textura diferentes. E o produto final? Parece que o azeite terá garantido maior perenidade ao produto final, arrastando-se essa boa junção até aos dias de hoje. Mas não foi só a facilidade conserveira, mas a textura da massa, e o gosto. Possivelmente terá sido utilizada para consumo dos recursos naturais, tudo era aproveitado, e assim também uma razão económica.

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