segunda-feira, 22 de junho de 2026

Programa oficial das comemorações do Dia Um de Portugal - Dias 24 e 25 de junho em Guimarães


por João Pedro Miranda

 

No dia 29 de maio escreveu-se no jornal O Conquistador «que basta trocar o 10 pelo de 24 de junho para acertar a história do dia do nascimento de Portugal». Todos os povos e nações celebram o dia do seu nascimento. São marcos para os sucessos ou insucessos das suas populações.

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É inegável que o primeiro ato público que transformou o Portus Cale no Portucale foi o conflito entre o filho do Conde D. Henrique e as tropas da mãe, já viúva, que se aliara com os galegos «Peres de Trava», a favor do Afonso VII. seu sobrinho, filho da sua meia-irmã Urraca. O epílogo desse prélio litigioso ocorreu na «primeira tarde Portuguesa» de 24 de Junho de 1128, nas imediações do Castelo da Fundação, que a condessa Mumadona Dias fundara. É evidente que eram outros tempos. E o último representante do condado Portucalense foi Nuno Mendes, o último descendente da linhagem de Vímara Peres, que morreu na batalha do Pedroso, contra o Rei Garcia II da Galiza, em 1071.

Desde aí até 24 de junho de 1128, decorreram 51 anos, em que a D. Teresa, ficando viúva com a morte do conde D. Henrique, em vez de apoiar o filho que pretendia  honrar o pai, tudo fez para manter fidelidade ao reino da Galiza. Nesse período, entre a viuvez da mãe e o crescimento do filho, o Infante Afonso Henriques, até à maioridade, este armou-se Cavaleiro, em Zamora. O diferendo entre o filho e a mãe decidiu-se no dia 24 de junho de 1128, na Batalha de S. Mamede, em Guimarães. Estava decidido o destino de Afonso Henriques, ao apossar-se, pela força, do que restava do Condado Portucalense.

Entre o dia 24 de Junho e o reconhecimento do reino da Portugal em 1143, decorreram 15 anos tumultuosos, mormente o Recontro de Valdevez (em 1141), um dos episódios mais decisivos para a consolidação da nacionalidade. Foi um «confronto militar e diplomáticos entre as hostes de D. Afonso Henriques e o seu primo, Afonso VII de Leão e Castela e teve o condão de abrir caminho para o histórico Tratado de Zamora, em 1143.

Os 900 anos de Portugal representam um oceano de motivações para comemorar a mais importante efeméride nacional. Como a vertente política fez vista grossa a esta data Histórica, foi necessário surgir em Guimarães, em 2009, um movimento cívico a repreender essa classe, pelo desinteresse em formar, a tempo e horas, uma comissão científica, da área da lusofonia, para tratar desse desiderato nacional. Foi preciso recorrer aos «amigos de Guimarães» para, no ano do aparecimento do Covid, fundarem a Grã Ordem Afonsina, para defender a verdade histórica em torno do nascimento de Portugal e do seu rei fundador.

Entretanto, já é conhecido o programa oficial das comemorações do Dia Um de Portugal - Batalha de São Mamede 1128, momento fundador da nacionalidade portuguesa. O programa, a decorrer em Guimarães, tem 2 dias e visa preparar os 900 anos de 2028:

 

Programa oficial

As «Comemorações do Dia 24 de Junho – Batalha de São Mamede 1128» assinalam, nos dias 24 e 25 de junho, uma das datas mais simbólicas da história nacional, através de um programa de natureza institucional, histórica, cultural e artística que celebra o acontecimento fundador da nacionalidade portuguesa e renova o significado de uma data maior da identidade de Guimarães e de Portugal.

O programa tem início no dia 24 de junho, pelas 09h45, com o Hastear das Bandeiras, nos Paços do Concelho, seguindo-se, às 10h30, as Cerimónias Comemorativas do 898.º Aniversário da Batalha de São Mamede, promovidas pelo Exército Português, junto à Estátua de D. Afonso Henriques, na Rua Conde D. Henrique. Pelas 11h30, será celebrada a Missa Solene, na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira.

Durante a tarde, às 18h00, realiza-se a inauguração da requalificação e visita ao Bairro da Emboladoura, numa cerimónia que contará com a presença de Sua Excelência o Ministro das Infraestruturas e Habitação, Eng.º Miguel Pinto Luz.

As comemorações culminam, pelas 21h30, no Campo de São Mamede, com a Sessão Solene Evocativa do 24 de Junho de 1128, que integrará a aposição de condecorações municipais, as intervenções protocolares e o espetáculo «Guimarães, Cidade Contínua – A Batalha pela Independência».

Com direção artística de Daniela Cruz e direção musical de Samuel Martins Coelho, a criação propõe uma reflexão sobre a independência como um processo contínuo de construção coletiva, estabelecendo um diálogo simbólico entre a Batalha de São Mamede e os desafios das novas gerações na construção do futuro.

As comemorações prosseguem no dia 25 de junho, às 20h30, na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o Concerto Comemorativo da Batalha de São Mamede, que apresentará a «Missa em Si menor BWV 232», de Johann Sebastian Bach, considerada uma das maiores obras da história da música ocidental. Interpretado pelo Ludovice Ensemble e pela Academia Ludovice 2026, sob direção artística de Fernando Miguel Jalôto, o concerto reunirá cerca de 40 músicos profissionais nacionais e internacionais, proporcionando um momento artístico e cultural de excelência para a cidade de Guimarães.

Com estas celebrações, Guimarães volta a reunir-se em torno da data que deu origem a Portugal, honrando a memória da Batalha de São Mamede e renovando, geração após geração, os valores de identidade, liberdade, coragem e construção coletiva que continuam a inspirar o presente e a projetar o futuro.

 

LINK para o site do Município:

https://www.cm-guimaraes.pt/areas-de-intervencao/noticia/municipio-de-guimaraes-divulga-programa-oficial-das-celebracoes-do-dia-um-de-portugal-batalha-de-sao-mamede-1128

 

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