LOUVORES À MÂE DA NATUREZA
Quadro de rara beleza
Os frutos que a terra dá
São os encantos do Outono
Esperando pelo sono
Do Inverno que virá.
Estende-se noite fora
Longa e lenta cada hora
A demorar o serão
O sabor do lar regressa
Fugido que andou na pressa
Do corre-corre do Verão.
Quem diz que o Outono é triste
Certamente não assiste
À escola que abre de novo
Nunca foi ao S. Martinho
Provar castanhas e vinho
Sentir a alma do povo.
Vindimas e desfolhadas
Cantigas e desgarradas
Numa aldeia portuguesa
E o pão do ano inteiro
Está guardado no celeiro
Pra não faltar sobre a mesa.
Estendidas sobre as eiras
São labutas e canseiras
As espigas e os grãos
É o pão do nosso sustento
Nossa força, nosso alento
É o suor de muitas mãos.
Depois a terra descansa
Aninha-se no seu sono
E ficam-nos na lembrança
Os mil encantos do Outono.
Dezembro de 2025
JÚLIO BARROS

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