domingo, 14 de dezembro de 2025

Adeus, princesa...

 ALEXANDRE  PARAFITA


CLARA  PINTO  CORREIA
Conheci-a há anos em Vila Real. Era vice-reitora da Universidade Lusófona quando veio à UTAD arguir provas académicas na área em que era uma notável especialista: a biologia. Deixou uma marca poderosíssima na argumentação e saber que demonstrava nas suas intervenções.

Estava no seu auge. Era, na verdade, uma princesa. Na ciência, na literatura, na beleza, no doce sorriso que contagiava…

Dizem as notícias de hoje que apareceu morta, sozinha, em sua casa, mergulhada na mais confrangedora solidão. As reações das elites culturais e políticas não se fazem esperar. A galera socialite aproveita para se mostrar. É o costume.

Pergunto eu: e quanta dessa gente não assobiou para o lado quando, há meses, numa entrevista de grande divulgação, mostrava ela a sua desilusão com a vida, passando pela ordem de despejo, sozinha, sem emprego, sem recursos financeiros, a recorrer à Segurança Social, a dar explicações para sobreviver…?

Para homenageá-la, apenas posso recomendar o seu inesquecível romance “Adeus, princesa”, onde a emoção e sensibilidade da história dizem bem da personalidade de quem o escreveu.

FONTE: https://www.diariodetrasosmontes.com/cronica/adeus-princesa#google_vignette


2 comentários:

  1. IN ADEUS PRINCESA - (1985 ) de Clara Pinto Correia

    ... , __ Os jovens, meu amigo, a gente sabe lá o que é que ali vai. Encostam-se às paredes, e pronto. Não estudam, não trabalham. Põem-se naqueles bandos, sem iniciativa, sem alegria. A gente compreende algumas coisas, que é difícil arranjar emprego, e tudo isso que se está sempre falando, mas não chega para explicar. Não querem fazer nada. Não sei o que é que lhes interessa. Ficam vivendo à custa dos pais, homens e mulheres feitos, vegetando, deixando passar o tempo, pedindo dinheiro, cada vez mais dinheiro... compram carros novos, vão para as discotecas, não passam de ano. E votam sempre na direita. O meu amigo se calha está pensando que eu sou muito reacionário, mas garanto-lhe que sempre fui um homem de espírito aberto. Sempre procurei compreender e acompanhar os fenómenos do meu tempo. Só que isto já não me parece compreensível.
    Foi o fotógrafo quem primeiro se pôs em pé, a olhar explicitamente para o relógio, obrigando Joaquim Peixoto a abrir outra página do bloco para que Teófilo Sampaio lhe indicasse por favor alguns contactos. Diz-contactos. O estagiário sentia-se extremamente inseguro, pressentindo-se risível, ao pronunciar terminologias da gíria. Teófilo Sampaio insistia para que falassem com o chefe Larguinho. Passem pela esquadra que ele vos recebe. É um homem cordial. E o pai da pequena, se ele quis falar, é um contacto importante. O pobre homem passou por aqui ontem e estava muito chocado, como calculam. Em qualquer altura o encontram no Centro de Trabalho de Baleizão ... ...
    (...)

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  2. Infeliz mente estes rapazecos dos subsídios são ainda os que votam na "Direita"... , sabem lá eles o que é trabalhar...

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