Processo
surgiu em Montalegre em 1961
335 milhões
vão chegar agora aos 10 concelhos
Segundo a Lusa de 15 do corrente, os autarcas de 10 concelhos
transmontanos lesados pela gestão de seis barragens do Cávado e do Douro acabam
de garantir que essas seis barragens se mantêm unidas e determinadas, na
garantia do pagamento dos 335 milhões de euros para que se cumpram as
exigências alimentadas desde 1961.
A EDP
assumiu as responsabilidades de abonar essas seis câmaras Transmontanas dos
leitos hidrográficos dos sistemas Cávado e Douro. Claro que os recentes eleitos
locais, encontraram os cofres cheios e vão limitar-se a descerrar os letreiros
das obras feitas pelos que perderam. Este fenómeno, repetido, desde o 25 de
Abril de 1974, no fim de cada mandato, desvirtua o crédito de quem tudo fez em
prol da justiça, eternizando o nome de quem chega, sem qualquer mérito.
A
democracia destes títulos contraditórios, ao longo de meio século de evidentes
injustiças, servem para um franco, claro e justiceiro debate parlamentar. Cada
cidadão conhece casos e casinhos. Nos cinquenta anos de democracia, em cada
lugar, freguesia, concelho e distrito do país, abundam destes exemplos que as
redes sociais misturam com programas cómicos a que ninguém liga. E o exemplo
que a Lusa trouxe a público, com esta clarificação sobre as exigências de que «os
dez autarcas transmontanos afetados pela venda de seis barragens vão obrigar a
EDP a pagar todos os impostos devidos relacionados com esta transação».
Da
reunião que houve no dia 15, com esses 10 políticos transmontanos e com a
presença do diretor-geral da Autoridade Tributária saiu a decisão de obrigar a
EDP a pagar todos os impostos devidos. O presidente da Associação de Municípios
do Baixo Sabor, que julgo insuspeito, afirmou: «Não vamos baixar os braços e
vamos obrigar a EDP a pagar os impostos da venda das barragens, que são nossos
e dos contribuintes».
«A
EDP terá lesado os cofres do Estado em mais de 335 milhões de Euros com a
proteção de ex-governadores» segundo referiu o presidente da Câmara de
Alfândega da Fé. Esta preocupação económica do Estado com algumas das
principais instituições que dele dependem, remontam ao ano de 1961.
Foi
em 1961 que este processo nasceu, graças ao então presidente da Câmara de Montalegre,
João António Canedo, que tudo fez para obrigar a Hidro-Eléctrica do Cávado,
a 133 kms de distância, entre a nascente e a foz, em Esposende. O Cávado é o
rio português que tem mais afluentes e barragens. Só no solo das Terras de
Barroso deu origem a: Sezelhe, Paradela, Venda Nova e Pisões. A essas juntam-se
mais os afluentes: Salamonde, Caniçada e Rio Homem. Nasce na serra do Larouco,
atravessa todo o Alto Barroso e desagua em Esposende.
O
signatário desta explicação trabalhou dois anos na Magop, principal
empreiteira da HICA que, entre 1944 e 1986, ocupou a mão de obra masculina que
não desertara da guerra do ultramar, mas que via submergir os melhores terrenos
aráveis dessa planura barrosã. Este concelho sofreu muito nessa fase diabólica
do Estado Novo.
A
soberania fiscal foi reconhecida aos municípios pelo artigo 703 e seguintes do
Código Administrativo. A Câmara de Montalegre lança e cobra, entre outros
impostos, a chamada «licença de estabelecimento comercial ou industrial que
incide sobre o exercício permanente de atividades produtoras na
circunscrição municipal. Existindo as
suas receitas o referido imposto, a Câmara tem de lançar sobre todas as
empresas que exerçam a atividade tributável e dele não estejam isentas, têm que
exigir o imposto de todos os contribuintes, sob pena de procedimento ilegal».
O
autarca de Montalegre dessa data, João António Canedo, que era um jovem
jurista, avançou com um parecer pela mão do doutor J. de Almeida Garrett, e
publicou o caso em livro de 150 páginas, intitulado «Um Município Pobre
contra o Poder Económico» cuja receita reverteu para auxilio às vítimas
do terrorismo em Angola. Na página 5 aparece uma nota explicativa, em que se
esclarece: «há muito que a Câmara de Montalegre tinha feito saber à
Hidroelétrica do Cávado que, considerando-a em situação tributável, lhe iria
liquidar o referido imposto».
Na
qualidade de ex-colaborador da Magop e da Hica, na Barragem de Pisões, ao mesmo
tempo, como barrosão, nascido a 200 metros da nascente do Rabagão, conheci
estes «soberanos impostos fiscais» desde que provocaram esses e outros
sarilhos desde 1961. Como jornalista e colaborador, procurei contribuir com
mais esta valência pessoal para informar os leitores da imprensa regional que
me acompanha desde 1953.
Deixo
estes contributos dos meus arquivos e gostarei de acompanhar a distribuição dos
335 milhões de euros pelos 10 concelhos
Transmontanos que foram vítimas de mais esta odisseia.
Barroso
da Fonte

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