Por MARIA da GRAÇA
DIMENSÃO DO POETA
Este grito tem um cheiro às manhãs de Junho
e ao sorriso das searas
com marchas e canções
a encher de esperança
os caminhos e as fontes
da terra imensa
andam no ar borborinhos de festa
a segredar às estrelas
o noivado do poeta
se pudesse levava-te nos braços
por sobre as ondas do
mar
das tuas viagens
e convidava os tubarões
a namorar os búzios e as estrelas.
Como é bom falar de amor às algas e aos búzios
com olhos de ciúme e pios de coruja ...
este grito é de espuma
e as conchas guardam o silêncio das praias
porque o poeta
sofre o medo do alto-mar
nas noites revoltas
do oceano em maré-cheia
e pescadores remando
em vão contra a maré
ai poeta
como é tenebrosa a maré em que vogas
por sobre as ondas dum mar que não existe
porque tu és
mar
e tens nas mãos
o destino de todos os marujos
Há festa na cidade dos pescadores
porque as noivas têm segredos para contar às águias
e tu Homem
deixa ruir o grito das montanhas.
Codeçoso, 1970 (Terra Violada)
In Trinta Anos de Poeta
Barroso da Fonte

Sem comentários:
Enviar um comentário