Epílogo sobre Luís de Camões – Segundo um professor de Chaves, a casa onde terá nascido Camões foi reconstruída. Lanço o desafio ao município para escolher uma casa antiga, coeva de Camões, restaurando-se, para a «Casa-Museu Luís de Camões». Se não houver nenhuma disponível em Nantes ou em Vilar (Nantes), poder-se-á transportar uma, e erguê-la pedra por pedra.
Em 2019, visitei o «Castello di Amorosa» (Sta. Helena/Calistoga), na região de Napa Valley/Califórnia, um castelo medieval do século XIII/XIV, trazido da Toscana/Itália. Ali não faltava nada, nem uma pedra ou um tijolo do forro. Será muito mais fácil reconstruir uma casa do século XVI, criando-se a «Casa-Museu Luís de Camões» (sem modernices do edifício Nadir Afonso, que podia ter-se restaurado um solar ou casa apalaçada). A afluência de turistas vai pagar os investimentos. Virão turistas nacionais e estrangeiros, até chineses e japoneses visitar a Casa-Museu Luís de Camões, o «Caminho Romântico de Luís de Camões e Violante» e uma biblioteca temática sobre o épico, é a minha proposta. Mãos à obra! Queria dizer-vos, ainda, o que penso sobre algumas questões camonianas. Como não existe assento de nascimento não há a certeza cabal dos pais e local de nascimento de Camões. Quanto mais leio com mais dúvidas fico.
Há dúvidas e todas desembocam no facto
dos dois primeiros biógrafos serem das famílias «Noronha» e «Andrade», onde
Luís de Camões serviu, em Coimbra. O primeiro biógrafo era da família Noronha e
o segundo sobrinho de Biolante. É muito estranho ignorarem a sua juventude e
adolescência em Coimbra. Sabemos, pela sua lírica, que foi um eterno apaixonado
e romântico. Um dos seus primeiros poemas é dedicado à Biolante e ela gostava
dele, apesar de casada. Para barrarem esta desonra inventaram-lhe, sem
sustentação, uma paixão com Catarina Athayde. E não é descabido pensar-se que poderia
ser filho ilegítimo. Aliás, amaldiçoa o dia em que nasceu como ninguém. Depois,
a nobreza da família de Camões também não se percebe bem. A mãe, Ana de Sá,
viveu num dos locais mais pobres do Bairro da Mouraria (Lisboa), num quartel em
condições misérrimas, junto à Igreja da Senhora da Saúde. Por isso foi-lhe
atribuída a tença anual, após escrever os Lusíadas. Quando morre, o seu corpo
só foi envolto num lençol porque os Condes de Vimioso lho deram. Era uma
miséria absoluta. A sociedade quinhentista soube valorizar a sua obra-prima e
toda a sua lírica. Não é compreensivo que os políticos e intelectuais de hoje o
tenham ignorado no V Centenário do seu nascimento, a não ser por contaminação
wokista e terem vergonha da nossa História e dos que a cantam em tom épico e
sublime a epopeia «Os Lusíadas». Camões soube situar-se entre o ideal
cavaleiresco da nobreza e o humanismo cristão da civilização europeia e
ocidental, humanizando sereias e deusas. No amor soube humanizar o idealismo de
Petrarca tornando-o, também, carnal porque de outro modo não haveria procriação
e a humanidade sem futuro. Grande é o ruído que se faz com o Bicentenário do
nascimento de Camilo Castelo Branco, e bem, mas quase esquecer Camões é como
nos quererem convencer que a Lua brilha e aquece mais que o Sol.


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