Estou atolado no que penso ser o meu sétimo e último
livro sobre a Castanha e, sem querer, tropeço nesta maravilha (in Memórias da Maria Castanha) e que tem por trás muito trabalho de pesquisa.
Oxalá que Deus me dê força para levar as cartas a
Garcia.
Abraço.
Aves e animais do souto
– Algumas aves habitam os soutos e são um elo deste
ecossistema. Estas aves diferem com as estações do ano e as diversas espécies
de souto: soutos mansos, soutos bravos ou castinçais, soutos velhos, soutos
novos, soutos arados, soutos em pousio e com pasto.
O que vem a seguir estava numa das centenas de notas de rodapé:
As aves de rapina diurnas típicas das florestas, presentes em especial nos castinçais maduros, são: o Gavião (Accipiter nisus), Falcão e o Açor (Accipiter gentilis). No souto manso nidifica a Águia-de-asa-redonda (Buteo-buteo), o Falcão-abelheiro (Pernis apivorus) e o Pombo-torcaz (Columba palumbus). Entre as aves de rapina nocturnas pode habitar (caçar e nidificar) o souto, ocasionalmente, a Coruja-das-torres (Tyto alba) (nas talocas dos castanheiros velhos), a Coruja-do-mato (Strix aluco), o Bufo-pequeno (Asio otus). A Coruja-do-mato (Strix aluco), designada popularmente como Moucho, é a ave de rapina mais característica do souto e daí o dito «cada moucho em seu souto». O pássaro carpinteiro está bem presente e é indicador de boa saúde do souto, sendo mais visto o Pica-pau-verde e seguem-se o Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major) e o Pica-pau-malhado-pequeno (Dendrocopos minor) (pássaro raro). No souto bravo aparecem especies como a Carriça (Troglodytes troglodytes), e o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula). Pode nidificar no castanheiro duma aldeia o Rabirrubio-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus). No souto habitam quase todos os tordos no Inverno, refugiando-se ou alimentando-se nos soutos ralos: Tordo-real (Turdus pilares), Tordo-ruivo (Turdus illiacus), Tordela (Turdus viscivorus) e, o mais florestal de todos, o Tordo-músico (Turdus philomelos) e o seu parente o ubiquista Melro-preto (Turdus merula). Entre as toutinegras a mais representativa é a Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla). Já nas copas aparece a Felosa-comum (Phylloscopus collybita) como invernante, e a Felosa-ibérica (Phylloscopus ibericus) na Primavera-Verão. Em soutos velhos pode aninhar o Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata), em época de migração abrigar o Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca).
Utilizam o souto de forma contínua ou ocasionalmente o
Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus), o Chapim-azul (Paru caeruleus),
o Chapim-real (Paru major), o Chapim-de-poupa (Paru cristatus).
Povoam o souto a trepadeira-azul (Sitta europaea) e a trepadeira-comum (Certhia
brachydactila). É frequente ver o Gaio (Garrulus glandarius) e
ouvir-se algum Papa-figos ou Marlante (Oriolus oriolus). A Gralha-preta
ou Corvo (Corvus Corona), o Estorninho-preto (Sturnus unicolor),
o Pardal (Passer domesticus). As espécies de fringílidas refugiam-se no
Inverno para pousar ou dormir como o Tentilhão (Fringilla coelebs), o
Tentilhão-Montes (Fringilla montifringilla), o Chamariz (Serinus
serinus), o Verdilhão (Carduelis chloris), o Pintassilgo (Carduelis
Carduelis) o Lugre (Carduelis spinus), o Pintarroxo (Carduelis
cannabina), o Dom-Fafe (Pyrrhula pyrrhula), e o Bico-grossudo (Coccothraustes
coccothraustes). As espécies mais representativas do souto são: a
Coruja-do-mato, a trepadeira-azul, a trepadeira-comum, o Gaio, e o Peto-verde (Picus
viridis) (Texto original, em galego, de Xosé Ramón Reigada e por nós
adaptado para Português). Nos soutos e castinçais podemos encontrar alguns
mamíferos como o lobo (Canis lúpus – em extinção), o gato-bravo (Felis
silvestris), o ouriço-cacheiro (Erinaceus-europaeus), o javali (Sus
scrofa), o veado (Venatu- o animal que mais castanha devora, bem
mais que o javali), a raposa (Vulpes vulpes), o texugo ou teixugo (Meles
meles), a doninha (Mustela nivalis), a gineta (Genetta genetta),
o esquilo (Sciurus vulgaris), o coelho (Oryctolagus cuniculus), a
lontra (Lutra lutra), a toupeira-comum (Talpa europaea) e várias
espécies de morcegos (Biologia e Ecologia das Florestas do Castanheiro, de
Jorge Paiva, in Silva, 2007).
Jorge
Lage
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