A
11 de Abril de de 1961 iniciou-se em Jerusalém,o Processo Eichmann, que
acabaria com a condenação de Adolf Eichmann à morte. Depois de Nuremberga este seria um dos marcos
fulcrais do “Geschichtsaufarbeitung”(“tratar o passado”, “confrontá-lo”)
germânico, mas também israelita.
Escreveu
Sophia que “Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar”… continuamos a
faze-lo.
Neste
dia da memória da Shoah o foco são os judeus exterminados.
“Os
números, como diz Saramago, são das menos exactas coisas que há no mundo.
Contudo, aqui os números perdem a noção dos zeros que lhes colocamos para dar
escala. São muitos os zeros, e foram muitas as pessoas”, diz numa bela reflexão
Paulo Mendes Pinto.

Naquele
dia 11 de Abril de 1945 dois homens descem do Jeep e contemplam a inscrição em
letras de ferro forjado na entrada de Buchenwald: “Jedem das Seine”. Cinismo
feito de ferro, falar de igualdade num local onde só existia, para os
deportados, igualdade perante a morte. Não se sabe o que esses dois homens
pensaram naquele momento histórico. O da libertação. Conhecem-se os seus nomes: Egon W. Fleck e
Edward A. Tenenbaum. Os primeiros americanos que entraram no campo de
concentração são, numa magnífica ironia histórica, dois combatentes judeus de
ascendência alemã recente.
O episódio foi recordado, sessenta e cinco anos mais tarde, em Abril de 2010, por um sobrevivente, pelo preso 44904. Na altura era um jovem de 22 anos que trazia ao peito um triângulo vermelho com a letra S, Spanier (espanhol), estampada a negro.
Com
a morte de Jorge Semprún desapareceu uma memória da barbárie moderna, uma
memória do século XX. Desapareceu o grande escritor, mas temos o privilégio de
ficar com a obra - A Longa Viagem , A Escrita ou a Vida - que nos recordará sempre que da Weimar de
Schiller e de Goethe a Buchenwald distam apenas um punhado de metros.
Am Israel Chai



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