Essa geração dos inícios do século XX deu frutos
nacionais que se disseminaram pelo planeta e que importa saudar. A mesma
Casa-Mãe demonstrou que a população residente no primitivo condado
portucalense, de Mumadona Dias, onde nasceu Afonso Henriques, que se armaria
cavaleiro na catedral de Zamora (em 1125), para dirimir o conflito com a sua
mãe, D. Teresa, e seus apoiantes.
Quando se aproximam os 900 anos dessa Batalha de S.
Mamede que ditou a fundação da Nacionalidade, são horas de consolidar o
simbolismo dessa data, que se assinalará em 24 de Junho de 2028, e que servirá
também para mostrar o privilégio do excelente relacionamento que existe
atualmente entre Portugal e a vizinha Galiza.
Com este intróito pretendo exaltar os primeiros passos
do Condado Portucalense, que foi o epicentro da Portugalidade. Infelizmente,
para quem aqui nasce, vive e morre, os sortilégios nacionais de que usufruem,
nunca validaram o primarismo geracional.
Volto ao I Congresso Transmontano de 1920, que teve
continuação no II Congresso, em 1941, e que deveria prosseguir com o III, em
1960. Contudo apenas se concretizou em 2002, desta vez organizado em conjunto
com as câmaras municipais da região. Todos eles foram frutuosos pelo poder
autárquico da época que tinha líderes com garra e que souberam ultrapassar
imprevistos de quem não se esperava.
Os homens não se medem aos palmos, antes se medem pela
sua verticalidade, pela coerência e pela postura, no tempo e no modo certos.
Nessa altura, residentes e ausentes, gastaram mais de
um ano para que a cidade de Bragança fosse palco da maior manifestação
congressista do norte do país e de todos os tempos.
António Jorge Nunes, ao tempo presidente da Câmara
Brigantina, reunia o consenso de todas as autarquias regionais. E Murça foi o
primeiro palco das várias dezenas de reuniões preparatórias dos membros da
Comissão organizadora, dispersos pelo país. Fora estabelecido que o congresso
não custeava qualquer encargo, nem com refeições, nem com deslocações, vivessem
na Província ou nos centros urbanos do país, como era o caso dos não autarcas.
As casas regionais tinham estruturado todos os
pormenores. E, antecipadamente, tinham criado a Federação de todas as Casas, do
país e estrangeiro, para que, dali em diante, quer noutros congressos, quer em
futuras movimentações a favor de reivindicações regionais, se entendessem em
comunidade organizada.
O evento foi excecional e, publicamente, não houve
alarido que perturbasse a opinião pública. Mesmo assim houve um judas vestido
de santidade satânica. E a Federação das Casas Regionais nunca mais
reuniu os seus órgãos porque, sempre existiram diabos vestidos de cordeiros.
A Casa-Mãe, que ficara como representante máxima, ao
nível do representante das Câmaras municipais e para que repartissem funções,
como é costume, em eventos deste género: um abria e o outro encerrava a sessão.
Nada disso aconteceu. Quem, em cima hora, comentava que o congresso e a maior
parte das figuras que chegavam, eram do partido A, ou do partido B. E que ele
não iria tolerar que assim fosse. O verniz estalou na noite do acontecimento. O
decisor manchou a festa. E essa mancha acabou por lesar a pureza da Instituição
que ele, ali representava. Numa altura em que já decorria a notícia de que essa
centenária instituição regionalista pretendia mudar de instalações e que estava
aberta a campanha de apoios para essa nova sede, rosnaram coisas contra
natura que, por deus ou pelo diabo, já foram para a cova.
Foi o atual presidente, Hirondino Isaías, que veio
repor a ferrovia no seu trilho. Nada teve ele a ver com aquilo que aqui deixo
exarado, inconformado e pesaroso, contra quem, querendo ser neutro, dirigiu os
três dias do III Congresso, com uma inusitada proeza como se fosse o dono
daquilo tudo.
O então presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes,
que recentemente publicou uma obra sobre esse acontecimento, entendeu ocultar
este pormenor que a História deve registar para memória futura. Eu próprio, que
fiz parte, em nome da Casa Regional de Guimarães, da Comissão Promotora do III
Congresso e que estive na origem da Federação das Casas Regionais, escriturada
no Porto, enquanto sócio Fundador dessa Casa e de subscritor da ata da
Federação, nunca mais fui convocado para nada. Nunca mais se soube, fosse o que
fosse, sobre esse órgão, nem de qualquer outra origem que justificasse a
extinção federativa. Houve silêncio absoluto entre as Casas Transmontanas da
diáspora, nomeadamente entre aquelas que tinham representantes seus nos órgãos
diretivos, como era o meu caso.
Numa altura em que já existem diligências, por parte
da Casa de Lisboa, para organizar o próximo convénio, era louvável marcar uma
cimeira, com todas aquelas que de alguma maneira partilharam desse III
Congresso.
Talvez pela delicadeza do diálogo intempestivo na
noite que antecedeu a abertura do evento, o cidadão que mais trabalhou pela
concretização desse projeto, terá optado pela omissão desse diálogo. O decisor
tentou valer-se desse palco para dar maior ênfase à sua ambição política. Mas a
história dos grandes acontecimentos deve ser escrita, enquanto os seus
artífices estão vivos. Esse diálogo ocorreu entre cinco membros da referida
Comissão, quatro dos quais ainda estamos vivos. Quando se pretender recontar a
verdade dos factos, já essa verdade terá outras cores e outros paradouros.
Pela parte que me toca, fico disponível para relatar
todos os pormenores desta nuance. E deixo este episódio contado na data em que
a Casa do Porto comemora 39 anos.
Barroso da Fonte

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