Por Maria da Graça
VIDA MILITAR EM TIMOR
Ninguém no Cais
O vapor largou do rio, directo ao mar,
as ondas comovidas a voar,
abraçavam-no com ternura na passagem.
os soldados continuam a aventura,
na procura, da próxima paragem.
Araújo (o Pióela) nem dormia,
caminhava com a viola noite e dia,
ensaiando a rota mais segura:
Port Said, Suez, Adén, Singapura...
O peixe voador nadava no convés,
quando as ondas entravam lés a lés.
Noutro dia, era tão grande a calmaria.
que o tempo sobre a água, nem existia.
A VIAGEM
Uns dias bravo, uns dias manso,
nunca o mar dará descanso,
aos que navegam na proa.
Na ré, a gaivota voa,
o soldado se afeiçoa, ao efeito da maré,
sentindo ainda no é, o veludo de Lisboa.
Mas a Veiga? Páscoa das suas flores,
onde poisam as labercas,
quase sempre em hortas certas,
e os storninhos trovadores.
É nessa terra cansada,
de tanto sentir a enxada,
e do sol tanto calor.
Água que nela borbulha
tem preparada uma tulha,
para guardar o sabor. 27*
27*- No Índico, 1966
MACAU 28*
Silêncio!...
Entramos no teu mundo,
Macau porto seguro, teu calvário.
Vaidoso este mar manso, tem no fundo,
consoantes, vogais do teu diário.
Este sol, não te busca por engano,
há um canto, em cada canto, deste oceano,
que carrega versos imortais, teus,
Lusitano! 29*
28* Mar de Macau, 15 de Maio de 1966.
29* A viagem, 12 de Abril de 1966
IN O VALE - Abílio Bastos
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