quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Acerca dos decanos do Jornalismo Português


1.Norberto Lopes -(30/9/1900 - 25/8/1989) nasceu em Vimioso e faleceu em Linda-a-Velha). Em 1936 foi chefe de redação do Diário de Lisboa. Tinha 53 anos quando faleceu. Foi o primeiro repórter português na Guerra Civil de Espanha. Em 1968 foi premiado pelo sindicato dos jornalistas com o crachá de ouro, devido à sua persistência na conquista da independência dos jornalistas. Em 1971 foi substituído por Manuel José Homem de Mello.

2 José Estevão - (1809- 1862). A biografia deste estudante de direito, aparece na Wikipédia como jornalista muito ativo, mas num tempo em que o jornalismo não tinha regras, nem ferramentas. Já se falava em censura e falta de liberdade. E este José Estevão Coelho Magalhães, terá nascido dois séculos antes do tempo. Há notícias de que foi decano dos jornalistas, talvez por serem poucos aqueles que já pugnavam pela liberdade de imprensa. Mesmo que fosse considerado decano, tê-lo-ia sido, com poucos anos, uma vez que faleceu com 53 de idade.

3. Manuel Brito Calado, nasceu nos Açores e emigrou para os USA, aos 48 anos. Em 1950 criou uma rubrica em rádio a que chamou Ecos de Portugal. Em 2013, quando se reformou, dedicou-se mais à rádio WGCY-FM. Faleceu em 6/12/2022. Em jornal em Português que se publica naquele país escreveu-se que morreu em dezembro de 2022, Manuel Calado, decano dos jornalistas da diáspora nos EUA. Tinha 99 anos.

Lemos na introdução ao Livro «Português no Mundo, que o jornalismo da diáspora anterior à Internet e as redes digitais, divulgado principalmente através da imprensa, prestou um serviço extraordinário aos emigrantes que sentiam o afastamento ou isolamento no seu lugar de destino como uma rutura traumática com as suas referências sociais e culturais, com a sua família e origens, numa viagem de sobrevivência cujo regresso não estava garantido».

4. Adriano Lucas foi diretor do Diário de Coimbra, onde nasceu em 14/12/1925. Durante 60 anos, fundou e dirigiu o Diário de Coimbra. Esteve ligado ao Centro «CENJOR». Faleceu aos 85 anos. Foi também diretor dos jornais «diário de Aveiro» e «Diário de Leiria e de Diário de Viseu. Teve duas licenciaturas e uma influência incomum na sociedade Coimbrã. Além de ter sido aclamado de «Decano dos Jornalistas», foi também o decano dos dirigentes da imprensa em Portugal.

5. João Ribeiro nasceu em 1925 e faleceu com 91 anos. Iniciou a profissão como foto-jornalista em 1946, no Diário da Manhã como repórter fotográfico. Passou por vários outros. Nasceu em Silves e em 2011 foi homenageado pela Sociedade Portuguesa de Autores. Foi o sócio mais antigo do Sindicato dos Jornalista,com o número 1, no Jornal das Letras. Exerceu a sua função como foto-jornalismo 61 anos e, por alguns anos foi decano dos jornalistas.

6. Domingos Silva Araújo, nasceu em Guimarães em 1936, ordenou-se no seminário de Braga e licenciou-se no então Instituto do Periodismo da Universidade de Navarra. Ordenado em 1959 foi capelão d residência de Santa Teresa, em Braga e Mesário da Casa da Misericórdia Bracarense. Durante 27 anos foi diretor do Diário do Minho e passou a dirigir a revista «Ação Católica» que é o órgão oficial da Arquidiocese de Braga. Ainda colabora regularmente no Diário do Minho. Foi o primeiro jornalista com licenciado em Jornalismo em Portugal.

7. Costa Carvalho é um dos decanos do jornalismo em Portugal. «Um dos poucos, senão o único, que assumiu funções de chefia nos três principais periódicos do Porto (Jornal de Notícias, O Primeiro de Janeiro e O Comércio do Porto). Ao longo dos mais de quarenta anos dedicados à profissão, ajudou a fundar o Centro de Formação de Jornalistas e a Escola Superior de Jornalismo, na mesma cidade. Nascido em Amarante, em 1934, é uma figura incontornável do jornalismo português da segunda metade do século XX. Ao Jornal “Campeão”, contou como mantém viva a lucidez do pensamento num mundo cada vez mais “subvertido”. Apesar de tudo, “não tem receio do futuro” e, já retirado dos jornais, continua a acreditar no jornalismo, essa arte onde que funde a literatura com a ética profissional. “O esforço que faço hoje em dia, cada vez mais, é o de ser leal para com a minha profissão”. Este raciocínio declarou-o o jornalista Costa Carvalho, numa entrevista ao «Campeão das Províncias, em 8/01/2023». Este jornalista Amarantino respondeu ao tema «A rudeza não fica bem no jornalismo».

Fui colaborador do JN, antes de exercer as funções de diretor da Delegação do Norte da Comunicação Social. Nessas funções contribuí para ele e seus pares, fundarem o Centro de Formação de Jornalistas, onde ele foi professor 24 anos.

Ele já tem hoje 89 anos. Mais de quarenta anos foi jornalista nos três mais importantes jornais do norte. Iniciou-se em 31/05/1961. Na mudança do século resignou.

Se os líderes resultassem do mérito, hoje seria ele, o decano e não eu.

Mas os decanos forjam-se na persistência, na perseverança, na tenacidade, na pertinácia, na teimosia, na firmeza, na garra e no empenho de cada um.

Barroso da Fonte (atual decano dos jornalistas portugueses

1 comentário:

  1. «MEU DISTINTO ALUNO»
    Sabe-se que o conhecido volume de Marc Bloch intitulado "Apologia da História" resultou da pergunta, de filho para pai, sobre a utilidade do saber cuja patrona é Clio e a sua razão de ser. Quanto a este depoimento solicitado pelo Prof. Mário André Veríssimo, é dispensável qualquer questionação, perante uma obviedade decorrente de velha admiração e camaradagem.
    Contacto de forma pessoal com Barroso da Fonte desde a década de 80 e finais da anterior, por ter sido meu distinto aluno na Faculdade de Filosofia, de Braga, da Universidade Católica Portuguesa. Nesse tempo já ele era oficial miliciano condecorado em Angola, autor de seis livros de poemas e jornalista nos principais diários de Lisboa e Porto, além de em muitos periódicos regionais e revistas literárias. Recordo o convívio agradável com o escritor e homem de letras plurifacetado, de notável cultura humanística que os estudos filosóficos coroaram brilhantemente, primeiro com a licenciatura, depois com o Mestrado, este na Universidade do Minho. ... ... AMADEU TORRES -(Viana do Castelo)


    BARROSO DA FONTE: HOMEM DE LETRAS
    O Dr. Barroso da Fonte é um completo "Homem de Letras". Parece-me ser esta a melhor definição que melhor concorre para fixar o seu perfil humano, a sua personalidade e o seu carácter.
    É um Homem de Letras no mais amplo sentido, o Humanístico, porque faz da cultura e saber das Humanidades o seu principal instrumento do conhecimento e da acção. E é-o também no sentido em que o saber das Letras, das Humanidades "omnia vincit" isto é, pela Ciência tudo se abarca, tudo se alcança, tudo se vence. ... ... JOSÉ VIRIATO CAPELA


    UM AMIGO!
    Só conheci pessoalmente, o Dr. Barroso da Fonte durante a sua frequência do Curso de Mestrado em Filosofia - curso esse ministrado pelo Departamento de Filosofia e Cultura, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho - que concluiu em 1997. Desde então, por várias razões -umas pessoais e outras académicas - encontrámo-nos por um número de vezes cuja conta, em rigor, não sei, embora saiba que todos esses encontros me deixaram uma indelével e gratificante lembrança; que perdura (e lamento não poder retomar - ainda que a mim mesmo diga o contrário! - devido aos meus absorventes afazeres profissionais).
    Quando o Dr. Barroso da Fonte apareceu no Curso de Mestrado em Filosofia, do qual fui um dos docentes, não era, para mim, um desconhecido: sabia que fora director da Delegação do Porto da D.G.C.S.; que fora vereador na Câmara Municipal de Guimarães; que fundara e dirigia várias associações; que era autor de inúmeros livros de poesia e prosa, que tinham merecido uma especial atenção da opinião pública (como o evidenciam os prémios com que foi aureolado); que era um jornalista talentoso, intemerato e frontal, que colaborava, assiduamente, em alguns dos mais importantes diários portugueses e em alguns outros regionais. ... .... NORBERTO FERREIRA DA CUNHA- BRAGA

    IN BARROSO DA FONTE 60 ANOS DE JORNALISMO DE CAUSAS E CASOS

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