sexta-feira, 7 de julho de 2023

Socialismo ou Fascismo?

Relatora socialista Ana Paula Bernardo

Em 1812 Goethe alertou para uma mudança fundamental da sociedade, ao lembrar que princípios e valores eram distorcidos pelos jovens. Alexis de Tocqueville, pouco tempo depois, em 1831, descobre que a jovem democracia americana, estava a ser ameaçada por uma nova forma de repressão, nunca antes manifestada na história, provocada, como dizia Goethe, nas paixões e desejos. Nietzsche, na década de 1870 e 1880, previa o declínio dos valores morais e o anúncio do niilismo. E está convencido de que o ideal europeu de civilização, baseado em valores absolutos, perdeu os seus fundamentos.

A perda dos valores espirituais acarreta o desaparecimento não só da moral como também da cultura da alma, princípios fundamentais das tradições religiosas do judaísmo e do cristianismo que fazem parte integrante dos ensinamentos humanistas de Sócrates e de Espinosa. O homem só acede à liberdade se conseguir apropriar-se dos valores absolutos do espírito – viver na verdade, na justiça e criar a beleza.

Em 1930 Ortega y Gasset alerta para a “sociedade de massas” que então se manifestava em toda a Europa, desde as premonições de Goethe, com todas as características previstas por Tocqueville e por Nietzsche, caracterizada por um novo tipo de individuo, o homem-massa, que representa uma ameaça directa aos valores e ideais de democracia liberal e do humanismo europeu, tradições em que o desenvolvimento espiritual e moral do individuo livre garante os fundamentos de uma sociedade livre e aberta. E esta “democracia de massas” com carácter niilista, que tudo permite ao homem-massa, é sustentada pelos jornalistas que evidenciam uma tendência para minar a democracia, em vez de a proteger, como diria Karl Kraus, na primeira metade do século XX. Também Paul Valéry na mesma época analisa a crise do espírito humano. O homem moderno necessita de ruído, de excitação constante. Da mentira. Como nos tornámos cada vez mais insensíveis, necessitamos de métodos grosseiros de satisfazer a nossa ânsia de estimulação. A vida torna-se cada vez mais uniforme. O aspecto, o carácter, tudo tem de parecer com tudo o resto, e a média tende sempre a nivelar-se pelo mais baixo. Outros pensam por nós. Deixa de haver necessidade de um Shakespeare, de um Bach, de um Descartes.

Max Scheler em 1912 escreveu que a ideia de que somos todos iguais está enraizada. Mas, presentemente, a igualdade só se pode exprimir no domínio material como defende o socialismo, e não nos valores da verdade ou rectidão.

Nesta cultura social tende-se para o ponto mais baixo pois é aí que se localiza o denominador comum da população.

Nesta sociedade niilista, porque privada de fundamentos morais e culturais, obcecada por trivialidade e sensível à demagogia, atolada em ressentimento e medo, a política, como diz Menno Ter Braak em 1937, torna-se “assunto de demagogos cujos únicos motivos são a preservação e o alargamento do seu poder”. E, segundo o mesmo autor, começava a espalhar-se pela Europa, um movimento (também denunciado por Albert Camus) que se limita a explorar o ressentimento e a confiança ilimitada num líder. Um movimento que avança porque as elites intelectuais perderam todo o sentido crítico. Não foi por acaso que grande parte desses intelectuais se tenham deixado contaminar com os pretensos “elementos positivos” do Nacional-socialismo.

Rob Riemen (O Eterno Retorno do Fascismo) trata bem o assunto, chamando a atenção para os perigos deste movimento, que não colapsou com o fim da Grande Guerra, alertando para a sua presença inequívoca, nas sociedades europeias de hoje.

 

Ora esta reflexão vem a propósito do Relatório da CPI, cuja relatora socialista Ana Paula Bernardo, retira responsabilidades ao governo, Pedro Nuno Santos, Medina e Galamba. E as secretas estão omissas. Ou seja, um relatório que iliba culpados, como sucede nos regimes totalitários.

Na verdade, este relatório é um exercício de encobrimento e cegueira, que enfatiza o mundo de ficção e mentira em que vive o PS. Os portugueses assistiram à CPI, sabem o que se passou. Não há encobrimento possível.

Pergunta-se finalmente: A que propósito é chamado à colação neste relatório Pedro Passos Coelho?

E, já agora, leia-se este artigo:


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