Em
1812 Goethe alertou para uma mudança fundamental da sociedade, ao lembrar que
princípios e valores eram distorcidos pelos jovens. Alexis de Tocqueville,
pouco tempo depois, em 1831, descobre que a jovem democracia americana, estava
a ser ameaçada por uma nova forma de repressão, nunca antes manifestada na
história, provocada, como dizia Goethe, nas paixões e desejos. Nietzsche, na
década de 1870 e 1880, previa o declínio dos valores morais e o anúncio do
niilismo. E está convencido de que o ideal europeu de civilização, baseado em
valores absolutos, perdeu os seus fundamentos.
A
perda dos valores espirituais acarreta o desaparecimento não só da moral como
também da cultura da alma, princípios fundamentais das tradições religiosas do
judaísmo e do cristianismo que fazem parte integrante dos ensinamentos
humanistas de Sócrates e de Espinosa. O homem só acede à liberdade se conseguir
apropriar-se dos valores absolutos do espírito – viver na verdade, na justiça e
criar a beleza.
Em
1930 Ortega y Gasset alerta para a “sociedade de massas” que então se
manifestava em toda a Europa, desde as premonições de Goethe, com todas as
características previstas por Tocqueville e por Nietzsche, caracterizada por um
novo tipo de individuo, o homem-massa, que representa uma ameaça directa
aos valores e ideais de democracia liberal e do humanismo europeu, tradições em
que o desenvolvimento espiritual e moral do individuo livre garante os
fundamentos de uma sociedade livre e aberta. E esta “democracia de massas” com
carácter niilista, que tudo permite ao homem-massa, é sustentada pelos
jornalistas que evidenciam uma tendência para minar a democracia, em vez de a
proteger, como diria Karl Kraus, na primeira metade do século XX. Também Paul
Valéry na mesma época analisa a crise do espírito humano. O homem moderno
necessita de ruído, de excitação constante. Da mentira. Como nos tornámos cada
vez mais insensíveis, necessitamos de métodos grosseiros de satisfazer a nossa
ânsia de estimulação. A vida torna-se cada vez mais uniforme. O aspecto, o
carácter, tudo tem de parecer com tudo o resto, e a média tende sempre a
nivelar-se pelo mais baixo. Outros pensam por nós. Deixa de haver necessidade
de um Shakespeare, de um Bach, de um Descartes.
Max
Scheler em 1912 escreveu que a ideia de que somos todos iguais está enraizada.
Mas, presentemente, a igualdade só se pode exprimir no domínio material como
defende o socialismo, e não nos valores da verdade ou rectidão.
Nesta
cultura social tende-se para o ponto mais baixo pois é aí que se localiza o
denominador comum da população.
Rob
Riemen (O Eterno Retorno do Fascismo) trata bem o assunto, chamando a atenção
para os perigos deste movimento, que não colapsou com o fim da Grande Guerra,
alertando para a sua presença inequívoca, nas sociedades europeias de hoje.
Ora
esta reflexão vem a propósito do Relatório da CPI, cuja relatora socialista Ana
Paula Bernardo, retira responsabilidades ao governo, Pedro Nuno Santos, Medina e
Galamba. E as secretas estão omissas. Ou seja, um relatório que iliba culpados,
como sucede nos regimes totalitários.
Na verdade, este relatório é um exercício de encobrimento e cegueira, que enfatiza o mundo de ficção e mentira em que vive o PS. Os portugueses assistiram à CPI, sabem o que se passou. Não há encobrimento possível.
Pergunta-se finalmente: A que propósito é chamado à colação neste relatório Pedro Passos Coelho?
E, já agora, leia-se este artigo:
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