"Fui hoje recebido, ao lado de duas centenas de Artistas de todo o mundo, pelo Papa Francisco. Uma marcante cerimónia que decorreu no local mais emblemático para a Arte e Cultura Ocidentais: a Capela Sistina, Vaticano. Com uma força anímica ímpar, saído de uma recente intervenção cirúrgica, o Papa trouxe palavras surpreendentes aos Artistas ali presentes: a Arte deve ser inconveniente, irónica, interventiva. Citou Hanna Arendt e Simone Weil, duas mulheres não-católicas e figuras cimeiras do pensamento filosófico contemporâneo. Para Francisco, o Artista é um ‘pouco profeta’, ‘um visionário’, um homem que ‘vê e que sonha’, que, pelo acto criativo, revela ‘coisas novas ao mundo’. Este é, para mim também, talvez o papel maior de cada um de nós que se ergue pela Arte: fazer o novo, romper mas também elevar e, sobretudo, fazer transcender. A Arte é um lugar especial, também para o Papa, um feito que nos liberta da vileza do banal, do egoísmo, da fúria do consumismo, porque a Arte, ímpeto do espírito, é vida para além do resultado, da substância, do sucesso, da vaidade. O Artista deve confrontar o poder e acudir aos mais fracos, aos pobres, não se fazendo hipérbole de si próprio, usando o real para transformar o real. Convergimos em muito nesta visão da espiritualidade sublime do acto criativo. A Arte, como o Amor, salva-nos da escura noite da guerra, do ódio, da intolerância. Num comovente discurso de meia hora, o Papa Francisco disse o que poucos responsáveis políticos toleram: o papel fundamental da Cultura, da Arte, do Sonho, na construção de uma comunidade integra, longe dos vícios da corrupção e da simonia. Agnóstico me confesso, mas acredito convictamente neste Papa, no seu papel reformista que, estou certo, deixará marca indelével e fará da instituição católica uma nova igreja abrangente e inclusiva. Porque ao invés de tentar levar os homens a Deus, Francisco traz Deus aos Homens."

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