sábado, 24 de junho de 2023

NA MINHA MENINICE

 Por MARIA da GRAÇA


NA MINHA MENINICE *  IN DIZIAM OS ANTIGOS... Algumas Memórias

 

Sempre que vinha uma doença mais forte e delirava com febre, pedia à minha Mãe para me levar à Bila ao doutor:

- Mãe! Leve-me à Bila ao "deitor", que eu morro!

A minha Mãe queria-me como ao sangue que lhe corria nas veias, lá me ia prometendo que se não melhorasse me levaria no dia seguinte. Eu tinha a noção da gravidade e dos delírios que, para os suportar  "estarrincava" os dentes e ia repetindo o pedido, sem fim.

    Depois de tanto pedir lá ia eu a "cabalo" na burra, bem albardada e agasalhado se era tempo de frio, e de sombreiro, se era tempo quente.

     Após algum tempo de cama e de alguma injecção, lá ia melhorando e não fossem os cuidados da minha Mãe eu teria morrido em criança.

      Ainda me recordo que a minha Mãe me lavava numa grande bacia de zinco quando andava muito sujo.

       Depois, quando um dia de Outono, a minha irmã, Alfredina, lavou-me e vestiu-me o melhor que pôde e fui para a escola da Dª Ângela. Não fazia a mínima ideia que a escola tinha regras. Sentados três por carteira de madeira, peguei-me com o parceiro do lado, porque ele quereria o meu lápis ou régua. A Dª Ângela pôs-nos logo de castigo à frente. Sentindo-me injustiçado, olhei para a porta de saída e vendo-a aberta, já não estava lá dentro. Marcou-me, na escola, para o resto dos dias. Não foi fácil a minha relação com algumas mestras.

      Quando descobrimos que tinham um livro com os problemas resolvidos não achávamos correcto que nos batessem, se elas, também, não os sabiam solucionar.  *( In Notícias de Mirandela , 15 de Abril de 2014)

Jorge Lage

 

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