Por MARIA da GRAÇA
NA MINHA MENINICE * IN DIZIAM OS
ANTIGOS... Algumas Memórias
Sempre que vinha uma
doença mais forte e delirava com febre, pedia à minha Mãe para me levar à Bila
ao doutor:
- Mãe! Leve-me à Bila ao
"deitor", que eu morro!
A minha Mãe queria-me como
ao sangue que lhe corria nas veias, lá me ia prometendo que se não melhorasse
me levaria no dia seguinte. Eu tinha a noção da gravidade e dos delírios que,
para os suportar "estarrincava" os dentes e ia repetindo o
pedido, sem fim.
Depois de
tanto pedir lá ia eu a "cabalo" na burra, bem albardada e agasalhado
se era tempo de frio, e de sombreiro, se era tempo quente.
Após
algum tempo de cama e de alguma injecção, lá ia melhorando e não fossem os
cuidados da minha Mãe eu teria morrido em criança.
Ainda
me recordo que a minha Mãe me lavava numa grande bacia de zinco quando andava
muito sujo.
Depois, quando um dia de Outono, a minha irmã, Alfredina, lavou-me e
vestiu-me o melhor que pôde e fui para a escola da Dª Ângela. Não fazia a
mínima ideia que a escola tinha regras. Sentados três por carteira de madeira,
peguei-me com o parceiro do lado, porque ele quereria o meu lápis ou régua. A
Dª Ângela pôs-nos logo de castigo à frente. Sentindo-me injustiçado, olhei para
a porta de saída e vendo-a aberta, já não estava lá dentro. Marcou-me, na
escola, para o resto dos dias. Não foi fácil a minha relação com algumas
mestras.
Quando descobrimos que tinham um livro com os problemas resolvidos não achávamos correcto que nos batessem, se elas, também, não os sabiam solucionar. *( In Notícias de Mirandela , 15 de Abril de 2014)
Jorge Lage

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